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Raposas da política fazem a festa com desidratação de Bolsonaro. O Povo Brasileiro é vítima da história.



O presidente Jair Bolsonaro conseguiu expor sua profunda fragilidade política no episódio em que rompeu com a estrela maior de seu time, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. A avaliação nos bastidores de Brasília é a de que a iniciativa do presidente foi na verdade um gesto de puro desespero.

De fato, não há como negar que, na relação custo x benefício, Bolsonaro teve que tomar decisões que contrariam a lógica. Romper com um membro de seu governo que representa seu maior compromisso de campanha, o combate à corrupção e lavagem de dinheiro, não foi uma decisão inteligente, segundo analistas.

Bolsonaro sabia que perderia pelo menos 30% de seus apoiadores ao romper com Moro, que sempre apareceu em pesquisas de opinião com o dobro da margem de aprovação popular perante o próprio Bolsonaro. Embora não seja uma unanimidade em nenhum espectro político nacional, Moro levou consigo a parcela de apoiadores da Lava Jato que, por tabela, apoiavam Bolsonaro.

Para tomar uma atitude dessas, ou seja, abrir mão de parte significativa de seus apoiadores, perder o discurso do combate à corrupção e romper com a cultura que culminou em sua eleição, Bolsonaro acabou expondo, de forma subliminar, que tina mais a perder, caso não interferisse na Polícia Federal, contrariando Moro e vendo a joia da coroa ir embora de seu governo.

Esta foi a deixa para que as velhas raposas da política nacional fechassem o cerco em torno do agora fragilizado Bolsonaro. A aproximação do presidente com figuras como Gilberto Kassab, roberto Jefferson, Ciro Nogueira e Valdemar Costa Neto, entre alguns investigados por corrupção, réus no STF e até um ex-presidiário, é sinal de que as coisas estão mesmo feias para o lado de Bolsonaro.

Além da perda de capital político com a briga com Moro, o rompimento com praticamente todos os seus compromissos de campanha tem sido outro fator que tem afugentado antigos apoiadores. Ideais como fortalecer a Lava Jato, aperfeiçoar os mecanismos de combate à corrupção e lavagem de dinheiro, banir a política do toma lá da cá e moralizar a Presidência da República foram todos sepultados ao longo de seu primeiro ano de governo.

Estes pontos negativos poderiam ter sido atenuados, caso o governo Bolsonaro tivesse entregue o desempenho prometido na área econômica, mas o fato é que o pibinho de 2019 desencantou boa parte dos liberais que viam o presidente com entusiasmo. Logo após a posse, Bolsonaro se dedicou à escalada de atritos com a imprensa para tentar mitigar escândalos como o caso Queiroz, as rachadinhas, denúncias de uso de laranjas por parte de seus ministros e emprego de assessores fantasmas em seu gabinete em Brasília nos tempos de deputado. Bolsonaro também gastou muita energia na tentativa frustrada de conseguir uma vaga de embaixador para o filho Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, enquanto seu ministro da Economia, Paulo Guedes, dedicava meses de trabalho para tentar convencer parte do Congresso de que a volta da CPMF seria uma boa saída para o país. Apesar do céu de brigadeiro em 2019, os números da economia foram  bem inferiores aos de 2018.

Além de vítima de uma facada, Bolsonaro acabou se tornando vítima de seu discurso de campanha, das promessas milagrosas de Guedes, das investigações envolvendo o filho Flávio Bolsosonaro e do possível desespero de um pai em proteger o filho. Mesmo ciente de que não faria nada para acabar com o foro privilegiado, sigilos de gasotos, mamatas e privilégios que acabou perpetuando, Bolsonaro também se tornou vítima dos anseios de parte da população no tocante ao combate à corrupção e a impunidade que teve que incorporar ao seu discurso para vencer a campanha eleitoral.

O mito foi eleito, mas cresce entre os brasileiros a impressão de que quem levou a facada foi o povo. E bem no meio das costas. Por força das circunstâncias, Bolsonaro acabou traindo o povo brasileiro. 

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