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Mourão irá manter política do governo, caso Bolsonaro se torne alvo de impeachment?



Apesar dos ataques originários de vários setores do próprio bolsonarismo, o vice-presidente Hamilton Mourão tem sido um fiel escudeiro do presidente Jair Bolsonaro nos momentos de crise. Discreto, Mourão tenta não interferir na escolha de ministros, evite alimentar polêmicas e até colabora nos bastidores em acordos para ampliar a base aliada do governo.

Segundo bastidores, um grupo formado por deputados, senadores, juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) tem discutido reservadamente "o destino do presidente Jair Bolsonaro e cenários sobre como socorrer setores econômicos após a pandemia do novo coronavírus. Com o pedido de demissão do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e as duras acusações contra o presidente feitas pelo ex-juiz da Lava-Jato, o grupo apelidado de “resistência democrática” acredita que pode ganhar relevância nos debates sobre o futuro do país, discutir mais concretamente a viabilidade ou não de um processo de impeachment e influenciar tomadas de decisões para manter um mínimo de governabilidade".

A avaliação de que Bolsonaro está desidratado politicamente só não prevalece em Brasília por conta dos acordos com setores do Centrão e a disposição do presidente em lotear cargos no 2.º e 3º escalões para companheiros de partido dos tempos em que era um deputado do baixo clero em partidos como PP e PTB. As alianças e primeiras negociatas na base do toma lá da cá com políticos como Valdemar da Costa Neto, Arthur Lira, Roberto Jefferson e Ciro Nogueira desagradam parte dos apoiadores de Bolsonaro. Resta saber se o presidente vir a cair em um eventual processo de impeachment, seu vice Mourão manterá os mesmos acordos que tanto incomodam os apoiadores raiz do atual governo. Lembrando que Mourão é uma peça fundamental deste governo, que foi eleito, juntamente com Jair Bolsonaro, e que, caso assuma a Presidência da República, o governo será praticamente o mesmo. Ao contrário do que ocorreu com Dilma e Temer, quando os dois se tornaram opositores ainda durante o mandato de Dilma, Mourão e Bolsonaro ainda mantém as afinidades originais dos tempos de campanha. Num eventual cenário de impeachment, o Brasil não teria um governo novo, mas a continuidade do governo Bolsonaro. 

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