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Moro vai enterrar Bolsonaro e diz que “O combate à corrupção não é prioridade do governo”



O ex-juiz Sérgio Moro parece representar mais uma vez o maior pesadelo de lideranças políticas. Personagem importante no processo de combate à corrupção nos últimos anos, Moro se desligou do governo Bolsonaro parecendo disposto a colocar muitas coisas em pratos limpos. Esta disposição do ex-juiz pode custar o mandato do atual presidente.

Já ficou claro que Moro possui um acervo gigantesco de provas que podem corroborar suas acusações contra o presidente. Esta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, estipulou um prazo de cinco dias para que o ex-juiz suja ouvido sobre as acusações que fez conta Bolsonaro.

Antes disso, a Revista Veja publicou uma matéria na qual Moro confirma possuir estas provas. Segundo Moro, “O combate à corrupção não é prioridade do governo”, revela o agora ex-­ministro da Justiça, que foi descobrindo aos poucos que embarcara numa fria. Ele estava em casa na madrugada da sexta 24 quando soube que o diretor-geral da Polícia Federal fora demitido pelo presidente. Mas o episódio foi a gota d’água de uma relação tumultuada. Havia tempo o presidente não escondia a intenção de colocar no cargo alguém de sua estrita confiança. Bolsonaro frequentemente reclamava da falta de informações, em especial sobre inquéritos que tinham como investigados amigos, correligionários e parentes dele. Moro classificou a decisão do presidente de pôr um parceiro no comando da PF de uma manobra para finalmente ter acesso a dados sigilosos, deu a isso o nome de interferência política e, na sequência, pediu demissão. Bolsonaro, por sua vez, disse que a nomeação do diretor da PF é de sua competência e que as acusações de Moro não eram verdadeiras. O Supremo Tribunal Federal mandou abrir um inquérito para apurar suspeitas de crime.

Na mesma entrevista, Moro revelou que apresentará à Justiça, assim que for instado a fazê-lo, as provas que mostram que o presidente tentou, sim, interferir indevidamente na Polícia Federal. Estrategista, metódico e especialista em coletar indícios de irregularidades, inclusive as republicanas, Moro esteve no ninho da República e agora sai com disposição de preservar a biografia que construiu ao longo dos anos de magistratura, seu legado na Lava Jato e sua passagem como ministro da Justiça, uma testemunha ocular de tudo que se passou nos primeiros meses no coração do governo Bolsonaro. Muitos podem não gostar, mas Moro está fazendo exatamente o que sempre fez na vida: expor ao mundo o que considera grave sob o ponto de vista legal e institucional. 

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