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Tsunami a que Bolsonaro se referiu pode ter relação com caso Queiroz e seu filho Flávio Bolsonaro



O presidente Jair Bolsonaro deu uma declaração na sexta-feira (10), que deixou toda a imprensa nacional com uma pulga atrás da orelha.  Durante evento com gestores da Caixa Econômica em Brasília, Bolsonaro afirmou ainda que pode até ter de encarar "um tsunami" na próxima semana:

Alguns problemas, sim, talvez tenha um tsunami na semana que vem, mas a gente vence o obstáculo com toda certeza. Somos humanos, alguns erram, alguns erros são perdoáveis, outros não", disse o presidente, sem deixar claro o que provocaria o tal tsunami.

Logo após a declaração, começaram a surgir especulações sobre a medida provisória da reforma administrativa, que reduziu o número de ministérios em seu governo. Mas ao que tudo indica, Bolsonaro poderia estar fazendo referência a algo bem mais grave. Em entrevista à rádio "Bandeirantes" neste domingo, 22, Bolsonaro se antecipou na defesa de seu filho, o senador Flavio Bolsonaro, envolvido em um escândalo por um suposto esquema de 'rachadinha' de salários de servidores de seu gabinete no Rio. Um dos principais suspeitos de comandar um esquema de desvio de recursos públicos é o ex-PM Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro e amigo pessoal do presidente de longa data.

Durante a entrevista à Rádio Bandeirantes, Bolsonaro citou o caso envolvendo seu filho:

Ao completar o raciocínio, ele citou o filho.

— Você pode ver. O PSL do Rio tem a acusação de três mulheres laranjas. Cada uma recebeu R$ 2,8 mil. Por que recebeu? Para pagar contador. E a imprensa nos acusa, porque meu filho era presidente do PSL, em cima disso. Agora, vai afastar meu filho do Senado por causa de R$ 2,8 mil para três mulheres? Uma acusação política, maldosa", afirmou o presidente, sem fornecer maiores detalhes.

Na noite deste domingo, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma entrevista exclusiva com Flavio Bolsonaro, na qual o senador reconheceu uma série de contradições por parte de seu ex-assessor e se revelou surpreso até mesmo com o fato de Queiroz ter se internado em um hospital considerado um dos mais caros do país.

Estadão - Queiroz se internou no hospital mais caro do pais, o Albert Einstein. Esse tipo de comportamento...

Flavio Bolsonaro - Claro que é estranho. Mas, de novo ele, tem que explicar. Certamente deve ter sido uma conta bem alta, né?

Na mesma entrevista, o senador informou que não fala com Queiroz desde então e que perdeu contato com 'todo mundo' relacionado ao caso:

Estadão - A maior parte desses servidores, que poderiam esclarecer o que acontecia ali, sumiu. Repórteres já tentaram encontrar, sem sucesso.

Flavio Bolsonaro - Que eu saiba todo mundo tem endereço fixo normal. Perdi o contato com todo mundo.

Mas o que mais levantou suspeitas de que o Tsunami a que Bolsonaro se referiu no final de semana possa ter relação com o caso foi o fato de Flavio Bolsonaro ter admitido na entrevista ao Estadão que 'achou melhor se antecipar' a uma possível 'sacanagem' do Ministério Público em relação a ele:

Estadão - Por que o senhor decidiu falar agora?


Flavio Bolsonaro - Vejo que há grande intenção de alguns do Ministério Público de me sacanear, de mais uma vez me colocar em evidência coisas que não fiz. Estou preferindo me antecipar, porque meu processo corre em sigilo de Justiça, mas sempre que vai para o Ministério Público, os caras vazam tudo, reclamou o senador.

Resta saber se ocorrerão vazamentos capazes de provocar uma tsunami não apenas na vida do senador, mas também no governo de seu pai. O Ministério Público espera para os próximos dias a decisão favorável da Justiça sobre um pedido formal de investigação nas contas bancárias e nos telefonemas entre Flavio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.

Leia a entrevista completa de Flavio Bolsonaro no Estadão Aqui


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