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Diretor de "Tropa de Elite" acusa: 'Os Bolsonaros têm relações com a esgotosfera do crime organizado carioca'



O cineasta José Padilha tem manifestado seu descontentamento com a ida do ex-juiz Sérgio Moro para o governo do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida à Folha, o diretor do filme "Tropa de Elite" e da série o Mecanismo afirmou que não entende mais a cabeça de Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e afirmou que " Os Bolsonaros têm relações com a esgotosfera do crime organizado carioca".

Padilha falou sobre a nova temporada da série "O Mecanismo", adiantando que está preparado para as críticas: “Sou antipetista, antipeessedebista e antipeemedebista. Mas só me criticam por ser antipetista. Acho que a Dilma sofreu um golpe, mas sempre achei que o PT roubou. E essas coisas são compatíveis, sim”.

A visão de Padilha sobre o que entende como 'golpe' é perfeitamente compreensível sob o ponto de vista político, embora controversa no aspecto legal e constitucional. Normalmente, quando um presidente é eleito democraticamente, entende-se que a maioria da população votou em um projeto de governo. Quando ocorre a interrupção do mandato e o vice assume, este pode implementar medidas completamente antagônicas às do eleito nas urnas. Caso o presidente Jair Bolsonaro sofresse um impeachment, boa parte de seus eleitores, que contestam Padilha sobre sua percepção de que houve um golpe contra Dilma, tenderiam a crer no conceito do cineasta. O vice-presidente Hamilton Mourão estaria plenamente revestido da autoridade de chefe do Executivo e poderia abolir políticas implementas por Bolsonaro, e governar segundo sua visão de mundo pessoal. Muitos eleitores se sentiriam vítimas de um suposto golpe, pois ao votarem em Bolsonaro, votaram em um determinado projeto de poder.

Assim como qualquer presidente, Bolsonaro está sujeito às leis e dispositivos constitucionais. Caso incorra em deslizes ou violações destes dispositivos, estará sujeito a um processo político que pode lhe custar o cargo. Neste caso, a Constituição prevê que cabe ao vice assumir o cargo, como ocorreu no caso da ex-presidente Dilma Rousseff e seu então vice Michel Temer.

Na entrevista, Padilha voltou a criticar o gesto do ex-juiz Sérgio Moro em engrossar as fileiras do governo de Bolsonaro e fez observações 'pesadas' contra o presidente e seus familiares. Acompanhe o trecho abaixo:

Você disse que não pensou em mudar a representação do juiz Sérgio Moro na segunda temporada de “O Mecanismo”. Mas haverá uma terceira, quarta, quinta temporada para mostrar isso? O que você planejou?
Eu não estou fazendo uma série sobre o Sergio Moro. Estou fazendo uma série sobre o mecanismo, que ele é real e opera independente do partido político. Serra foi denunciado, Temer foi preso, Lula está na cadeia. O mecanismo não tem ideologia, ele é a forma pela qual a política se estruturou no Brasil desde o primeiro governo democrático. Agora, eu não sei quem mais é o Moro. Eu vejo duas possibilidades: ele não olhou direito onde estava entrando e, como o Fernando Henrique, é muito vaidoso. Não se deu ao trabalho de olhar o histórico dos Bolsonaros. Os Bolsonaros têm relações com a esgotosfera do crime organizado carioca. Ele é de Curitiba, talvez não saiba. A outra possibilidade é que ele sabia o que estava fazendo e ele fez. Aí o Moro é totalmente diferente de quem eu pensei que ele fosse, afirmou Padilha.

Leia a entrevista completa na Folha

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