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Bolsonaro se saiu muito bem em seu primeiro grande desafio no campo político



O presidente Jair Bolsonaro foi duramente criticado esta semana por vários setores da política e imprensa por um gesto bastante singular: a criação de um escritório comercial brasileiro em Jerusalém sem atribuições diplomáticas.

A decisão de Bolsonaro contrariou críticos e aliados de todos os lados. Durante a campanha, o presidente havia prometido transferir a embaixada do Brasil de Israel da cidade de Tel-Aviv para Jerusalém. Este teria sido inclusive um dos maiores compromissos assumidos pelo então candidato com apoiadores evangélicos de sua candidatura. Ao anunciar a criação de apenas um escritório comercial no lugar de transferir a embaixada para Jerusalém, Bolsonaro foi duramente criticado por líderes evangélicos. No início do mês, em entrevista à BBC, o pastor Silas Malafaia garantia que Bolsonaro mudaria embaixada em Israel: 'Vai ter que ser macho, e acho que ele é' (aqui)

“Se for para voltar atrás é melhor não prometer, não é? Por que fazer promessa se não vai cumprir? Eu acho que vai ficar chato para ele se ele não cumprir. Os evangélicos tiveram um peso forte em sua eleição. É uma comunidade para ele pensar direitinho”.

“Para fazer isso (mudar a embaixa), tem que ter peito, tem que ser audacioso. O Bolsonaro vai ter que ser macho para fazer. Eu acho que ele é. Não estou falando de masculinidade. Estou falando de ser corajoso. O que marca uma liderança é a coragem”, afirmou Malafaia. Como se vê, havia sim uma forte pressão sobre Bolsonaro para cumprir o compromisso de campanha com os evangélicos. Ainda que Malafaia tenha recuado.

Na outra ponta, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que era contrária à transferência da embaixada para Jerusalém, também criticou a decisão de Bolsonaro em criar o escritório comercial brasileiro, decisão que teria provocado “desconforto” e “descontentamento” em segmentos do agronegócio brasileiro preocupados com possíveis retaliações de países árabes às exportações, sobretudo de carnes. Como se vê, Bolsonaro caiu numa situação "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Mas estes ainda não eram os maiores desafios de Bolsonaro diante da responsabilidade assegurar interesses comerciais do Brasil com países Árabes e um comércio de cerca de U$ 25 bilhões/ano. O primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu, que esteve na posse de Bolsonaro, dava como certo o anúncio da transferência da embaixada do Brasil de Israel da cidade de Tel-Aviv para Jerusalém durante a visita de Jair Bolsonaro ao seu país. Além da pressão dos evangélicos, de parte do eleitorado que apostou na promessa de campanha, a expectativa de Netanyahu em relação à transferência da embaixada brasileira somaram um peso enorme sobre os ombros de Bolsonaro.

Ciente de que seria criticado por aliados por descumprir uma promessa tão amplamente divulgada, cinte de que seria criticado por opositores por um eventual recuo, Bolsonaro soube ser político num momento extremamente delicado, propondo a criação de um escritório comercial sem atribuições diplomáticas. Embora a decisão tenha desagradado a 'gregos e troianos', o gesto de Bolsonaro poderá preservar interesses comerciais do Brasil responsáveis não apenas pela geração de divisas para o país, como também a manutenção de milhares de empregos no setor de proteína animal do país. 40% das exportações de carne bovina brasileira seguem para países árabes. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, ao apresentar números e expectativas do setor para o ano passado.

Contrariando todas as observações sobre o gesto de Bolsonaro, é preciso reconhecer que teve grandeza política e patriótica adotando uma decisão 'salomônica' neste caso.


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