linkaki

Relação entre Bolsonaro e Mourão é no fio da navalha



Apesar das desconversadas do presidente Jair Bolsonaro e da elegância do vice-presidente Hamilton Mourão diante dos fatos que marcaram as relações dos dois em episódios recentes, já é possível afirmar que esta relação degringolou logo nos primeiros meses de governo.

São duas pessoas inteligentes, articuladas e que sabem como manejar as próprias vaidades. Mas o verniz que mantém a relação lustrosa entre os dois parece se sobrepor a camadas de ressentimentos e visões de mundo diferentes. 

Bolsonaro passou 17 dias internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. 10 dias dos quais absolutamente incapacitado de tomar decisões importantes. O fato do presidente não ter se importado em paralisar as atividades do Executivo ao não permitir que Mourão assumisse a Presidência da República é um sinal claro de falta de confiança de Bolsonaro em seu vice.  

Há poucos dias, o guru do Bolsonarismo radicado no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, chamou Mourão de “Charlatão desprezível”. Ninguém no entorno do presidente, nem mesmo o próprio, saiu em defesa do vice.

Mourão é um homem articulado, fala sobre todos os assuntos e atrai a simpatia de um público que ainda não digeriu Bolsonaro, Não há como ignorar que há um certo ciúme do vice por parte de pessoas no entorno do presidente.

Neste ambiente repleto de vaidades, laços familiares, influência de militares, o ingrediente político é apenas mais um elemento. Tudo é política, mas a sensação de que as coisas se dão na base do fio da navalha é evidente, considerando as tensões registradas nestes primeiros poucos dias de governo.

Sem função ou qualquer atribuição na administração federal, Mourão se recusa a desempenhar o papel de vice decorativo e faz sua própria agenda. Procura marcar presença em reuniões ministeriais, participou da abertura dos trabalhos do Judiciário, do Congresso, se reuniu com setores da oposição e não deixa de falar com jornalistas. 

É claro que o protagonismo de Mourão dos últimos dias se deu em meio a uma situação delicada vivida pelo presidente, que foi submetido a uma cirurgia delicada que envolvia risco de vida. Era preciso estar de prontidão diante de qualquer eventualidade. Resta saber como irá se desenrolar esta relação daqui para frente. Bolsonaro e Mourão são astutos e sabem qual o papel de cada um nesta história. 

Informe seu Email para receber notícias :