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Carlos Bolsonaro comprou briga com Bebiano, um homem aparentemente mais poderoso que muitos imaginam



Que o vereador Carlos Bolsonaro (PSL) é um incansável defensor de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, ninguém tem a menor dúvida. Afinal, quem não se lembra da cena em que o filho resolveu servir de escudo humano, juntamente com outros seis seguranças, se posicionando atrás do pai durante o desfile em carro aberto durante a posse de Bolsonaro como presidente da República em 1.º de Janeiro.

Não há qualquer dúvida de que Carlos Bolsonaro demonstra disposição de dar sua vida para proteger o pai. Algumas pessoas que acompanham suas publicações nas Redes Sociais se referem a ele como Pit Bull de Bolsonaro. É verdade. O rapaz não arrega quando o assunto é defender o pai e que tem disposição de se envolver em assuntos visando minar interferências que julga inapropriadas no governo Bolsonaro. Dono de um instinto protetor acima da média, sua lealdade e dedicação à campanha do pai é reconhecida por todos no entorno do presidente e a confiança entre pai e filho parece ser genuinamente mútua.

Mas ao que tudo indica, Carlos pode ter comprado uma briga maior que muitos podem supor, ao desmentir publicamente o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Carlos disse que o político do PSL mentiu ao dizer que teria conversado três vezes com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) enquanto este estava  internado no hospital Albert Einstein, durante a crise gerada por uma matéria da Folha sobre o uso de laranjas em campanhas do PSL.

Carlos, que acompanhou o pai durante os 18 dias de internação, afirmou que esteve ao lado de Bolsonaro durante as 24 horas do dia e classificou a fala do ministro como "mentira absoluta de Gustavo Bebbiano [sic]". O filho do presidente foi além e divulgou um áudio privado de uma conversa sua com o pai, na qual Bolsonaro afirmava que não queria conversa com Bebiano.

Horas mais tarde, enquanto o assunto dominava a imprensa e as Redes Sociais, o próprio Bolsonaro declarou em entrevita à TV Record que Bebiano mentiu mesmo sobre ter conversado com ele, confirmando a versão divulgada por seu filho Carlos nas Redes Sociais.

Até ai, tudo normal, com aparência de se tratar de mais um episódio corriqueiro da política. Bebiano é alvo de suspeitas envolvendo o uso de laranjas para drenar dinheiro público do fundo partidário e um escândalo como este pode sim causar a queda de um integrante do Governo. De qualquer governo. Na entrevista que concedeu à TV Record, Bolsonaro, ainda que meio constrangido, afirmou que autorizou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a investigar casos de corrupção em seu governo e disse que se aparecer algo comprometendo Bebiano, ele terá que se desligar do governo e voltar às suas origens.

Horas mais tarde, uma declaração bombástica vindo de um dos advogados mais poderoso do país deu a entender que as coisas não são tão simples assim. O advogado Sergio  Bermudes aparentemente o tutor de Bebiano no governo, disse nesta quarta (13) que "Se o Bolsonaro deixar se guiar por Carlos, filho dele, ou por quem quer que seja, vai estar se destruindo e causando um dano irreversível ao país", em referência à uma possível demissão do ministro Gustavo Bebianno. Segundo o todo poderoso Bermudes,  será um sinal de ingratidão de Jair Bolsonaro, de submissão do presidente aos desejos de seu filho, Carlos Bolsonaro.

"Espero que o presidente se lembre de que ele, como disse claramente, deve a sua eleição a Gustavo Bebianno", disse Bermudes, num tom um pouco acima do esperado para alguém de fora do governo. Diante desta declaração, não se sabe qual teria sido a influência de Bebiano e do próprio Bermudes na interlocução com poderosos que teria viabilizado a ascensão de Bolsonaro ao poder, mas é possível especular que este grupo acredita piamente que o presidente lhes deve favores.

Ao se colocar entre o presidente da República e seu filho na defesa de Bebiano, Bermudes acabou chamando a atenção para seu histórico e a possibilidade de ser o homem que banca a permanência de Bebiano no alto escalão do governo Bolsonaro.

Sérgio Bermides é  é apontado como o mais importante advogado da esfera cível do Brasil e um dos dez mais renomados do mundo, segundo a revista inglesa Chambers. O todo poderoso tem entre seus clientes empresas como a Vale, Sete Brasil, Eike Batista, Bradesco, Citibank e Ambev. Seu escritório no Rio cuida de dezenas de milhares de ações de grupos poderoso e suas relações com ministros do Supremo Tribunal Federal como Gilmar Mendes e Luiz Fux são bastante íntimas. Em seu escritório no Rio, por exemplo, trabalha a advogada Marianna Fux, filha do ministro. Em Brasília, seu outro escritório é chefiado por Guiomar Mendes, casada com o ministro do STF, Gilmar Mendes.

Ao desafiar publicamente o presidente Jair Bolsonaro sobre a demissão de Bebiano, o advogado pode ter dado a a entender que não está disposto a perder um aliado no alto escalão do governo federal. Resta saber se Bolsonaro e seu filho Carlos terão forças para enfrentar o todo poderoso. Horas mais tarde, Bebiano desafiou o filho do presidente e disse que trocou sim alguns áudios com o Bolsonaro e que não é "homem de postar coisas em redes sociais". O ministro afirmou ainda que não pretende pedir demissão de seu cargo no governo Bolsonaro, dando a entender que está disposto a desafiar o filho do presidente.

O fato é que Carlos Bolsonaro comprou briga com um homem que mantém relações com gente muito poderosa. Não é por acaso que setores da imprensa e até mesmo gente de dentro do PSL se voltou contra o filho do presidente.

Conheça aqui um pouco da trajetória do advogado Sérgio Bermides


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