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Qual será o segredo que Bolsonaro prometeu guardar ao General Villas Bôas?



Uma fala do presidente Jair Bolsonaro endereçada ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, esta semana deixou muita gente intrigada. Bolsonaro afirmou que Villas Bôas, apontado por muitos bolsonaristas como comunista, petista, dilmista e outros 'istas' nada honrosos, foi um dos "responsáveis" por ele estar na Presidência da República.

"General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", disse Bolsonaro no evento de posse do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

É notório que o comandante concedeu suporte ao governo Temer durante o período crítico pós impeachment e durante a crise gerada pela denúncia do ex-PGR Rodrigo Janto, baseada na trama com o açougueiro Joesley Batista, dono do grupo JBS.

Eduardo Villas Bôas também manifestou publicamente a preocupação do Exército quanto à reações da sociedade, caso os ministros do STF concedessem um habeas corpus ao ex-presidente Lula no mês de abril de 2017.

Na véspera do julgamento que poderia livrar Lula da cadeia,  Eduardo Villas Bôas fez a seguinte declaração por meio de seu perfil no Twitter:  "Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade".

De fato, havia um clima de total animosidade no país diante da possibilidade dos ministros do STF, em mais uma manobra ardilosa, soltarem o ex-presidente Lula e colocar todo o trabalho de quatro anos de Operação Lava Jato a perder. O que estava em questão não era apenas a soltura de Lula, mas também a abertura de uma cancela para criminosos de toda sorte condenado em segunda instância. As preocupações da sociedade, embora concentradas na possibilidade de impunidade do ex-presidente Lula, tinham outros motivos bastante pertinentes.

O próprio comandante do Exército admitiu que havia esta preocupação. Na entrevista publicada na Folha,Villas Bôas admitiu que atuou no sentido de prevenir a instalação do caos no país.  "Reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera da votação no Supremo da questão do Lula". "Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática."

Apesar da clareza com que o comandante do Exército esclareceu o episódio, o PT aproveitou as declarações de Eduardo Villas Bôas para afirmar que considera que o militar admitiu ter interferido diretamente para impedir o STF de conceder habeas corpus ao ex-presidente Lula.

Após a publicação da entrevista, a comissão executiva nacional do PT atacou o comandante do Exército, tentando culpá-lo pela prisão de Lula:

"Ao afirmar que, a seu critério, a liberdade de Lula seria motivo de 'instabilidade', o general confirma que a condenação do maior líder político do país foi uma operação política, com o objetivo de impedir que ele fosse eleito presidente da República. Está demonstrado, agora, que não apenas o sistema judicial ligado a Sergio Moro, à Rede Globo e a grande mídia participaram dessa operação arbitrária e antidemocrática, mas também a cúpula das Forças Armadas", diz a nota.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT) disse na ocasião que a fala evidencia uma "trama política". "Deixa claro que houve ingerência em decisão do STF! O que fugiria do controle? Teve de agir por quê?"

Paulo Pimenta também do PT, afirmou que "Villas Bôas dizer que Exército esteve ‘no limite’ e que Lula solto poderia ‘tirar militares do controle’, é uma ameaça implícita a democracia. Não é papel das força armadas tutelar os poderes, em particular o STF, afrontado claramente neste episódio"

Outro integrante do PT, o ex-deputado federal Wadih Damous, alegou que "A entrevista do chefe do exército mostrou o conluio entre a farda e a toga para destruir a democracia brasileira e levar Bolsonaro ao poder. E é mais um episódio que prova ser Lula um preso político"

Nenhum dos defensores de Lula mencionaram o básico, como bem lembrou o então juiz Sérgio Moro: Lula foi preso por conta dos crimes que cometeu. A expectativa da população era a de que o petista fosse efetivamente preso, segundo as Leis, logo após ter sido condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Neste aspecto, o recado do comandante do Exército no Twitter foi bastante claro, no sentido do cumprimento das Leis. Se Lula tinha ou não intenção de disputar as eleições é outra conversa. Se tivesse preocupado com isso, não teria roubado tanto.

O comandante do Exército apenas cumpriu seu dever patriótico como garantidor constitucional do expurgo do PT do poder e pela manutenção da prisão de Lula.

Resta saber se o presidente Bolsonaro se referia a algum destes gestos do General Villas Bôas, ou se há algo mais por trás da promessa de segredo feita pelo presidente ao comandante do Exército. 

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