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Demolidor, Emílio Odebrecht confessa que não podia negar reformas no sítio para Lula



O ex-presidente Lula já se queixou várias vezes com interlocutores sobre as traições dos 'amigos' e teria dito que, apesar de tê-los ajudado, eles acabaram retribuindo o mandando diretamente para a cadeia. Mas ao que tudo indica, os lamentos do hoje presidiário não sensibilizaram o empresário Emílio Odebrecht, ex-presidente do grupo Odebrecht.

O agora ex-amigo de Lula disse nesta quarta-feira (7) na Lava Jato que, por causa de sua relação de mais de 20 anos com o Lula, não poderia negar, "mesmo que quisesse", as reformas realizadas pela empreiteira em um sítio em Atibaia (SP). As obras, estimadas em mais de R$ 1 milhão, atenderam a necessidades específicas do ex-presidente, incluindo a ampliação das instalações e do lago na propriedade.

Emílio Odebrecht prestou mais um depoimento à Justiça Federal nesta quarta-feira, só que desta vez falou com a disse à juíza Gabriela Hardt, substituta interina de Sergio Moro na Lava Jato. O empresário voltou a afirmar que o pedido para que fossem feitas reformas no sítio partiu da ex-primeira-dama Marisa Letícia e chegou a ele por meio do ex-executivo da empreiteira Alexandrino Alencar. Marisa Letícia morreu em fevereiro de 2017. Em outro depoimento, Emílio sugeriu que Lula estava a par de tudo que acontecia.

"Como eu disse a Alexandrino: você me trazer isto, mesmo que eu quisesse negar, eu não tenho como negar por todos os ativos intangíveis de mais de 20 anos de convívio com o presidente", disse à juíza Gabriela Hardt,.

Segundo o empresário, Dona Marisa fez esse pedido a ele [Alexandrino Alencar], ele me veio, e eu aprovei. Se eu não tivesse aprovado, hoje nós não estaríamos sentados tratando desse assunto, disse
Emilio Odebrecht

O empresário confirmou que os tais dos "ativos intangíveis" alcançados por seu grupo graças à atuação de Lula ocorreram no sentido de  que não houvesse estatização do setor petroquímico durante seu governo.

Odebrecht disse ainda que, quando Lula era candidato, ele se comprometeu a estabelecer que a posição de seu governo seria por não haver estatização do setor petroquímico.

"A questão da estatização da [área] petroquímica, que era sempre um desejo que a Petrobras tinha, eu precisava da posição dele. E fui muito claro com ele: eu preciso saber disso para decidir sobre o destino que eu dou à organização. Se a organização sai, ou fica. Porque eu ter a Petrobras como minha concorrente e com esse processo contínuo de querer estatizar, eu não aceito", relatou Odebrecht.

O empresário detalhou os reais motivos para as contrapartidas em favor de Lula quando afirmou ter tido, em três oportunidades, "problemas sérios" com relação à estatização do setor por "investidas" realizadas pela Petrobras. Odebrecht disse, então, ter recorrido a Lula, que atuou para que os problemas fossem "contornados".

"Fui pessoalmente a ele durante o período de gestão dele, admitiu Odebrechr, confirmado que os problemas foram realmente foram contornados".

As declarações de Emílio Odebrecht praticamente sepultaram as chances do ex-presidente Lula se safar no caso do sítio em Atibaia. O petista deve ser interrogado nos próximos dias sobre o processo que pode lhe render a segunda condenação na Lava Jato.

Com informações do UOL 

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