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Manipuladores e manipulados. Descubra quem é quem nestas eleições



A campanha eleitoral deste ano está infestada por candidatos de setores corporativos que visam entrar para a política apenas para assegurar privilégios e salários incompatíveis com a realidade do Brasil.

Muitos não entendem que parte das dificuldades enfrentadas por ocupantes de cargos no executivo, como presidente, governadores e prefeitos para devolver ao povo parte dos impostos que o Estado arrecada. Boa parte dos problemas de caixa dos governos se deve ao ativismo de setores do funcionalismo público, que atuam de forma sistemática para assegurar altos salários e privilégios. 

Há tempos, alguns observadores mais atentos se deram conta de que os problemas estruturais do Brasil podem ter uma origem comum: os privilégios e altos salários de uma elite de servidores. Apesar dos desafios econômicos e sociais do país, onde ocorre uma das mais vergonhosas distribuição de riquezas do mundo, a casta de seres especiais consegue aumentar a cada ano seus salários e privilégios sem muita dificuldade.


Se não há dinheiro, pressionam pelo aumento de impostos, pelo endividamento do Estado ou pelo corte de investimentos em áreas essenciais para a população. Donos de altíssimos salários, benefícios e outras vantagens que em nada condizem com a realidade do país ou com o que ocorre no setor privado, os representantes da elite do serviço público não precisam enfrentar filas no SUS, pegar ônibus lotados, matricular os filhos em escolas públicas ou se submeterem aos serviços precários oferecidos ao cidadão comum.

Segundo o Estadão, "Um quarto dos deputados federais é servidor público e atua hoje como a maior força de pressão no Congresso Nacional. Antes dispersa e focada em demandas pontuais, essa bancada se uniu e ganhou visibilidade durante a votação da reforma da Previdência ao reagir à ofensiva do governo, que atacava os “privilégios” do funcionalismo.

É a atuação desse e de outros grupos no Congresso que o Estadão/Broadcast passa a publicar a partir de hoje. A reportagem ouviu centenas de parlamen­tares, assessores e represen­tantes dos quatro mais poderosos lobbies do parla­mento. Atualmente, esses grupos têm 286 deputados ou 29 votos a mais dos que a maioria absoluta (257) da Casa.

Fortalecido, o grupo ligado aos servidores públicos, assim como os demais, trabalha para estimular candidatos que patrocinem a agenda do funcionalismo com o objetivo de manter a influência sobre o Legislativo e impedir o avanço de medidas de ajuste fiscal que são esperadas para o próximo governo e que afetarão as categorias".


Leia a matéria completa AQUI para se inteirar mais sobre a realidade do país. O Estadão elaborou um extraordinário infográfico sobre o tema. Não é surpreendente que gente como Sérgio Cabral, Lula e Dilma permaneceram tanto tempo no poder. Durante os governos petistas, os servidores conseguiram avançar como nunca sobre a fatia do dinheiro do contribuinte nos cofres públicos. Nestas eleições, estão todos em estado de alerta máximo, pois alguns candidatos ameaçam atacar seus privilégios e altos salários.

De fato, a elite do serviço público opera de forma sistemática durante as eleições. Cabos eleitorais inflexíveis em seus argumentos invadem as redes sociais para defender os candidatos  que defendem seus interesses. Não é por acaso que a classe política se deteriorou em todo o país. Eficientes, com tempo e dinheiro disponível para investir nas campanhas de seus candidatos, estes grupos de privilegiados não estão preocupados com a capacidade ou experiência do político, mas sim com o comprometimento dele com seus interesses. 

São pessoas influentes, aparentemente inteligentes e bastante eficientes em suas técnicas de convencimento. Para se ter uma ideia, cerca de 80 mil servidores no Brasil recebem auxílio-moradia de quase R$ 5 mil por mês para morarem em suas próprias casas. Alguns recebem auxílio-educação para os filhos de até 24 anos, com valores que podem alcançar os R$ 7 mil por mês. Tendo em vista os motivos pelos quais estão tão empenhados em defender seus candidatos, é compreensível que atuem de forma tão ostensiva nestes tempos de eleições. Boa parte da população suspeita inclusive da atuação de setores dos Ministérios Públicos, Judiciário e até mesmo da Polícia Federal, no sentido de destruir determinados políticos visando favorecer outros. 

Para aqueles que não compreendem o ódio dos pedidores de aumentos salarias contra o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o vídeo ao final desta matéria é bastante esclarecedor. A turma que entra para a política para assegurar privilégios de suas categorias está novamente unida nestas eleições presidenciais. Há poucos dias, o General Mourão reconheceu em sabatina que a carreira de parlamentar do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, pode ser resumida em uma cruzada na defesa de aumentos salariais e garantia dos privilégios dos militares. Mourão foi indagado sobre os projetos aprovados pelo presidenciável e acabou admitindo que Bolsonaro focou sua carreira para atender aos interesses da categoria.


eduardo jorge pro mourão (aspas simples)
'eu estive no congresso criei tal coisa escrevi tal lei etc etc etc, qual o resumo que você faz do seu candidato que esteve na câmara a tanto tempo quanto eu?'
como até agora ninguém nem tchum na tl, eu posto aqui a jogada lukscolor da rodada pic.twitter.com/jjA3vn8Iib

Major Olimpio, outro militar que se aliou a Bolsonaro nestas eleições, possui um vasto histórico de campanhas por aumentos salariais para sua categoria. Durante evento em São Carlos (235 km de SP), em setembro do ano passado, o então governador Geraldo Alckmin perdeu a paciência com o militar e dirigiu-se aos berros ao deputado federal Major Olimpio , que estava no local em campanha por aumentos salariais para sua categoria. Alcmin estava na cidade para entregar 197 carros para batalhões da Polícia Militar.

A confusão começou quando o secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, ainda discursava, antes do governador. Neste momento, o deputado se aproximou da tenda onde acontecia o evento acompanhado por um grupo de manifestantes. Com faixas e cartazes, eles gritavam palavras de ordem contra a morte de policiais, atraso de salários de servidores públicos e falta de segurança nas escolas.

Munido de um microfone ligado a uma caixa de som, Olimpio começou a atacar o secretário de Segurança Pública e Alckmin. "Cadê o salário da polícia, secretário?", disse o deputado do Solidariedade.

A intervenção provocou um bate-boca entre o deputado e correligionários do governador, como o deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP), o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB-SP) e o prefeito de São Carlos, Airton Garcia (PSB). A princípio, Alckmin permaneceu calado, mas se exaltou ao discursar.

"Quero fazer uma pergunta para vocês", disse. "Alguém aqui ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo? É ele que está gritando. Ele ganha R$ 50 mil, devia ter vergonha, vergonha de vir aqui, R$ 50 mil do povo de São Paulo. Tenha vergonha, deputado. Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo, R$ 50 mil por mês. Vergonha!"

Logo em seguida, Alckmin justificou seu destempero com a insistência do Major Olípio por aumentos salariais se explicou com a imprensa: "Não tem ninguém mais interessado em dar aumento de salário, reajuste do que eu. Sou o maior interessado. É de justiça. Agora, todo mundo sabe da grande crise que o país passa. A arrecadação despencou, nós temos que agir com responsabilidade", continuou Alckmin. "Mesmo se você não dá reajuste a folha cresce 3% ao ano, mesmo sem reajuste. Então nós vamos dar o reajuste. A economia está começando a dar uma recuperação, agora, temos que agir com responsabilidade. Anteriormente, nós tivemos ganhos reais de salário, bem acima da inflação, então, abriu espaço orçamentário, nós vamos dar o reajuste. Mas não podemos fazê-lo neste momento."



Com informações do Estadão Conteúdo

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