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Grupos que exploram sem-teto e promovem invasões em São Paulo vendiam drogas para o PCC na cracolândia, diz Polícia Civil



Ao justificar sua ausência no local da tragédia que desabrigou cerca de 150 famílias de sem-teto em São Paulo neste 1.º de Maio, o líder do MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, afirmou que a ocupação do prédio que ruiu após um incêndio era uma "invasão que não pertencia ao MST". Boulos se esquivou de qualquer responsabilidade no caso e disse que os responsáveis pela invasão são na verdade membros de um grupo 'dissidente' do MST. Boulos também esclareceu que o ocupação do prédio que desabou não era liderada pelo MSTS, mas pelo Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), que atua no Centro de São Paulo.

— De toda forma, (o MSLM) tem a nossa completa solidariedade em um momento tão grave como esse. Nós exigimos celeridade nas buscas e também respostas de alternativa habitacional para os desabrigados.


O grupo 'dissidente'  MSLM é responsável por dezenas de ocupações na capital e cobra 'taxas' de até R$ 400,00 por cada família. Um outro grupo, o MSTS (Movimento Sem Teto de São Paulo), faz até publicidade na fachada dos prédios que ocupa, oferecendo vagas para moradores de periferias distantes da capital. O 'produto' é bastante atraente para famílias que gastam boa parte de sua renda com transporte e ainda pagam aluguel em locais onde é preciso pegar duas ou três conduções para chegar ao centro. A maior parte da clientela é formada por catadores de recicláveis, lavadores de carros, "chapas" que ganham a vida ajudando a descarregar caminhões, faxineiras e outros trabalhadores que sobrevivem de bicos na região central da maior capital do país.

Mas nem tudo é como parece. Muitos moradores destas ocupações são aliciados pelo tráfico de drogas e outras atividades ilícitas comandadas pelo crime organizado. Em maio de 2016, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma grande operação de combate ao tráfico de drogas na cracolândia. Na ocasião, os investigadores afirmaram que o PCC (Primeiro Comando da Capital) participou da articulação do MSTS  para usar o grupo como organização de fachada para atuar na venda de drogas na cracolândia e na região central.

Naquela operação, vários líderes do MSTS estavam entre os 32 presos presos na operação . A ação realizou diligências na cracolândia e no Cine Marrocos (prédio no centro ocupado pelo MSTS).

Na época, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP) também admitiu ter conhecimento sobre as práticas dos integrantes do MSTS que ocupavam imóveis na regão da cracolândia: "Ali não tem movimento de moradia. Ali tem gente do mal, que usa o Cine Marrocos para ganhar dinheiro. As famílias são usadas por essas pessoas, que não têm nada a ver com moradia e sim com o tráfico", admitiu o petista. Apesar de reconhecer o problema, Haddad e outras lideranças de esquerda se posicionaram contra Operações anteriores na região, determinadas pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

No prédio, foram encontrados fuzis, pistolas e um grande volume de munições. A quadrilha composta por membros do MSTS foi apontada como a responsável pela venda de 10 quilos de crack por dia na cracolândia, o que geraria um movimento de cerca de R$ 4 milhões ao mês, segundo a Polícia Civil.

Entre os presos naquela operação estavam Robinson Nascimento dos Santos, coordenador-geral do MSTS, Lindalva Silva, vice-presidente do movimento, além do secretário-geral, Wladimir Ribeiro Brito, e da tesoureira, Elenice Tatiane Alves.

Segundo o delegado Alberto Pereira Matheus Junior, do Denarc, o "PCC e MSTS se tornaram uma coisa só. Eles cobravam aquelas pessoas que residiam ali [na ocupação], todo o dinheiro arrecadado era investido no tráfico", afirmou o delegado em entrevista coletiva na tarde desta sexta.

"Apesar de serem sem-teto, eles moram em casas grandes. Uma delas, se não me engano a vice-presidente mora numa casa muito grande na região do Jardim da Saúde. O Robinson que é o presidente mora no Jabaquara, mora numa casa grande também e é dono de uma casa de show chamada Caldeirão", emendou delegado Ruy Ferraz Fontes

Na época, autoridades suspeitavam que os movimentos de invasores, inclusive o MIVM (Movimento Independente de Luta por Habitação da Vila Maria), o MSLM, o MSTS e o MST de Boulos, foram usados pelo PT para inflar os protestos violentos contra  o presidente Michel Temer.

Relembre o caso AQUI

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