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Dois colaboradores de Marcello Siciliano, o vereador acusado de mandar matar Marielle Franco, também foram executados



O vereador Marcello Siciliano (PHS), apontado por uma testemunha como possível mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), já era tido como suspeito por autoridades. Citado em um relatório da Secretaria de Segurança sobre a influência de milicianos nas eleições de 2014, Marcello Siciliano pode ser relacionado a mais um crime. Logo após a morte de Marielle Franco, o assessor do vereador, Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, também foi executado.

Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes foram assassinados no dia 14 de março. O assessor de Marcello Siciliano, Carlos Alexandre Pereira Maria, foi assassinado no dia 09 de abril. A execução do assessor pode ter sido uma queima de arquivo. Outro colaborador do vereador Marcello Siciliano, Carlos Alexandre Pereira, também foi executado no dia 8 de abril, na Taquara, Zona Oeste do Rio. A Delegacia de Homicídios da Capital está investigando o caso.

Na sexta-feira anterior, Siciliano tinha sido intimado a depor como testemunha nas investigações da morte de sua colega na Câmara, Marielle Franco, e do motorista dela, Anderson Gomes. Segundo informações do 18º BPM (Jacarepaguá), uma equipe encontrou Carlos Alexandre morto a tiros. Segundo o gabinete de Siciliano, ele era um colaborador voluntário.

A testemunha que envolveu o vereador Marcello Siciliano no assassinato de Mariele Franco afirmou que foi ameaçada de morte, o que a teria levado a procurar a polícia em busca de proteção. Segundo a testemunha, que já prestou três depoimentos sigilosos, o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial militar Orlando de Oliveira Araújo – atualmente preso sob acusação de ser chefe de milícia – se reuniram para planejar a execução da vereadora Marielle Franco (Psol). O jornal O Globo diz ter conseguido acesso ao relato da testemunha, com detalhes sobre as conversas entre Siciliano e Orlando. A testemunha afirmou ao Departamento de Homicídios da Polícia Civil, que as conversas entre o ex-PM e o vereador começaram em junho do ano passado, bem como informou datas, horários e locais de reuniões entre os dois. Orlando Araújo atualmente cumpre pena no presídio de Bangu 9 e continua a comandar do cárcere uma milícia da Zona Oeste do Rio, uma das mais violentas do estado.

O assessor do vereador Marcello Siciliano foi morto por volta das 20h45 de um domingo na Estrada Curumau, na Boiúna. Ele levou vários tiros dentro de um carro. Policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) disseram que, segundo uma testemunha, ele foi abordado por um grupo. Antes de abrir fogo, um dos assassinos teria gritado “chega para lá que a gente tem que calar a boca dele”.


Segundo o depoimento, os dois se encontraram em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes em junho do ano passado. “Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando’. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do Freixo’. Depois, olhando para o ex-PM, disse: ‘Precisamos resolver isso logo’”, diz trecho do depoimento a que o jornal diz ter tido acesso.

A testemunha também afirmou que o político e o ex-PM comandam, juntos, a milícia na Zona Oeste. Orlando era “uma espécie de capataz do vereador” que apoia a expansão da milícia, ainda segundo o depoente. “Pelo que sei, era apoio político, mas ouvi comentários de que a milícia agia em grilagem de terras na Zona Oeste, especialmente no Recreio dos Bandeirantes”, disse a testemunha, que foi obrigada a trabalhar, sob ameaça de morte, como segurança de Orlando.

O homem, que está sob proteção, instalava equipamentos de TV a cabo na comunidade que o miliciano passou a comandar. A testemunha afirmou ainda que o vereador Marcello Siciliano ficou incomodado com as ações comunitárias de Marielle em áreas de interesse da milícia, mas que ainda são comandadas por traficantes.

Ordem de dentro da cadeia e queima de arquivo

Orlando, já preso, deu o aval para que o plano de executar Marielle tivesse andamento, com a clonagem do carro que perseguiu Marielle e o levantamento de todas as movimentações da vereadora. O encarregado de reconhecer a rotina de Marielle foi identificado pela testemunha pela alcunha de Thiago Macaco.

Outros dois assassinatos recentes, de acordo com a testemunha, foram queima de arquivo. O líder comunitário Carlos Alexandre Pereira Maria, conhecido como Alexandre Cabeça, e do PM reformado Anderson Claudio da Silva, foram assassinados no início do mês passado.

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