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Desocupar prédios em risco significa perder 'boquinha'. Grupos de exploradores recusam acordos com violência



O desabamento do prédio controlado por grupos que exploram a miséria alheia em São Paulo foi um evento trágico para as famílias e vítimas do incêndio, mas foi também péssimo para os negócios dos cerca de 22  "Movimentos" que controlam cerca de 200 prédios na capital paulista. Os grupos exploram cerca de 45 mil pessoas que pagam 'taxas' que oscilam entre 200 e até 600 reais. A ganância impede que estes grupos reconheçam a situação de risco em que colocam centenas de famílias.

O método destes grupos consistem em uma forma de chantagem social em massa. Primeiro, promovem a ocupação de prédios públicos ou privados, estações do metrô, obstrução de vias e até invasões em empresas, como forma de causar transtornos à população e chamar a atenção da imprensa 'amiga'. Pressionadas, as autoridades acabam fazendo vista grossa para as invasões.

A maioria dos moradores destas ocupações possuem casas em regiões afastadas da região central da Capital Paulista. Trabalhadores autônomos que atuam na informalidade interessados em economizar com despesas como passagens, contas de água, luz e, principalmente, tempo. Trata-se de um negócio próspero que rende milhões a grupos que, além de conexões políticas, podem contar com a conivência de forças policiais e até mesmo membros do Ministério Público.

As denúncias envolvendo a cobrança de aluguel, tráfico de drogas e enriquecimento dos exploradores do 'negócio' vão obrigar as autoridades competentes a investigar e tomar providências quanto ao descalabro da situação.

O esquema é conhecido entre as autoridades de São Paulo. Mas ao contrário do que se possa imaginar, o poder público se tornou refém destes grupos. O ex-prefeito de São Paulo, João Doria, denunciou a gravidade da situação quando falou sobre o incêndio e o desabamento do edifício na capital na semana passada. Segundo Doria, "A solução é evitar as invasões, o prédio foi invadido, e parte dela por uma facção criminosa", disse o ex-prefeito durante visita à 25ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

O ex-prefeito da capital confirmou que foram várias as tentativas da Prefeitura para desocupar o prédio que pertencia à Caixa Econômica Federal e abrigar as pessoas em outros imóveis, mas "todas foram rechaçadas com ameaça de violência, porque ali era um centro de distribuição de drogas, além de abrigar famílias em situação de rua".



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