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"O Mecanismo" que a Série da Netflix não mostra - A real origem dos problemas do Brasil continua um segredo muito bem guardado



A Série "O Mecanismo" do cineasta José Padilha exibida na Netflix tem gerado uma série de controvérsias ao apontar para os bastidores da corrupção no Brasil. A população, duramente castigada pelos donos do poder no país reagem com indignação ao se familiarizar com uma pequena amostra do jogo sujo da corrupção contida na obra de ficção. 

Mas ao contrário do que muitos imaginam, a corrupção representa apenas a ponta do iceberg dos problemas monumentais que afetam o país há séculos. O Imprensa Viva já havia publicado uma matéria que aponta para um outro "Mecanismo" bem mais cruel que a corrupção endêmica que carcome o dinheiro do contribuinte de forma covarde e sorrateira. Acompanhe no artigo abaixo os detalhes sobre o "Mecanismo" que não aparece na Série da Netflix: 

"Não é por acaso que a população vive sob a constante sensação de que está sendo enganada. A eficiência com que os senhores dos cordéis manipulam a sociedade é tão grande que torna-se quase impossível para o cidadão comum se dar conta da real origem da falta de recursos no país. Mesmo confusos e manipulados, alguns ainda se arriscam a sugerir soluções para as supostas causas da péssima qualidade dos serviços públicos, da desigualdade na distribuição de riquezas e na falta de perspectiva para o futuro, apesar de viverem em um país tão promissor.

O fato é que a corrupção tem sido o maior cabo eleitoral dos inimigos do Brasil ao longo de décadas. Por seu caráter revoltante, a corrupção tem sido usada como peça fundamental em campanhas de marketing de políticos inescrupulosos que conhecem bem a verdadeira origem dos problemas país, mas que sonegam estas informações ao povo apenas para proteger aqueles que participam da orgia com o dinheiro do contribuinte, sem serem incomodados.

Os políticos fazem o povo de trouxa a luz do dia e ninguém se dá conta da má fé por trás de campanhas populistas, absurdamente apelativas e óbvias como "Todos contra a corrupção" ou "Todos contra a pedofilia". Os mais ousados, apropriam-se de sentimentos reinantes entre 99,99% da população na maior cara de pau, como a pátria, a família e até mesmo Deus. Qual ser humano na terra seria capaz de defender publicamente a corrupção ou a pedofilia? É mais provável que um corrupto ou um pedófilo participem de campanhas tão óbvias para continuar enganando o povo. O problema é que esta parte do "mecanismo"  funciona com perfeitçã, lubrificado pela ignorância popular e pelo desejo desesperado em encontrar um salvador da pátria em meio ao caos que eles mesmo instalaram, 

Mas sobre o verdadeiro "mecanismo" o maior problema do Brasil, absolutamente nenhum político tem a coragem de abrir para o povo: a farra indecente que é feita com o dinheiro do contribuinte no serviço público, celeiro de cabos eleitorais supra eficientes e potencialmente capazes de influenciar parte significativa do eleitorado em nível municipal, estadual ou federal. 

O servidor tem dinheiro, tempo, poder, organizações e está constantemente em contato com o povo. Nenhum político é louco de assumir que o maior problema do Brasil são os altos salários dos servidores, as poucas horas que trabalham, os privilégios e benefícios indecentes aprovados na calada da noite por eles mesmos. Neste aspecto, o mecanismo é cruel, pois a sociedade é refém da ganância justamente daqueles que tem o poder de gerir os recursos provenientes da força de trabalho e da produção. O Estado não produz um cotonete, mas drena 93% de tudo que a sociedade produz. 

Embora a corrupção seja apontada como o maior problema do país, os números, acessíveis a qualquer cidadão, mostram o contrário. Os maiores inimigos do povo são as elites que se apropriaram dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ao longo dos últimos 30 anos.

A prova está nos números e não nos discursos de campanha entoados com entusiasmo pelos verdadeiros devoradores do dinheiro do contribuinte. Enquanto se coloca a mão em um ou dois corruptos, existem mais de 2 milhões de privilegiados que recebem até dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada. 

Enquanto um corrupto desvia R$ 1 milhão dos cofres públicos, a praga de gafanhotos devora trilhões do dinheiro do contribuinte, tudo dentro da Lei que eles mesmos aprovaram em benefício próprio. Apenas este ano, o contribuinte vai bancar R$ 1.2 bilhão em auxílio-moradia para privilegiados morarem em suas próprias casas. Com quase cinco mil reais por mês de auxílio-moradia, o servidor ou parlamentar pode comprar até cinco imóveis de R$ 300 mil ao longo de 25 anos. A Câmara dos deputados gasta milhões por ano para cuidar da manutenção de 84 apartamentos funcionais que estão vazios. Apenas no Ministério Público Federai e no Judiciário são quase 40 mil servidores recebendo auxílio-moradia, mesmo tendo imóvel próprio nos locais em que atuam. Juntos, estes cupins consumiram mais de R$ 5 bilhões do dinheiro do contribuinte nos últimos 4 anos, apenas com auxílio-moradia.

Os números não mentem, mas os políticos enganam o povo há décadas para defender os interesses da elite de servidores, aquele 1% que compõe a parcela mais rica da sociedade. Para se ter uma ideia, durante o regime militar, a União gastava em média 14% do que arrecadava com servidores dos Três Poderes.  Nos 21 anos em que os militares permaneceram no poder, a economia brasileira cresceu num ritmo quase três vezes maior do que o alcançado mesmo período após a volta da democracia. No período em que essa expansão foi mais acelerada, entre 1967 e 1973, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 10,2% ao ano, em média, dobrando de tamanho em apenas sete anos. Mas logo que os civis assumiram o poder, o 'mecanismo' foi colocado para funcionar a todo vapor. O número de contratações e as despesas com folha de pagamento triplicaram, a ponto do governo federal chegar a gastar quase 50% de sua receita com 2 milhões e 200 mil servidores. Desse total, 55,3% estão trabalhando, 26% são aposentados e 18,7% são pensionistas.

Dados do Ministério da Fazenda mostram que, de janeiro de 2001 a dezembro de 2015, os gastos primários do governo saltaram de R$ 205 bilhões para R$ 1,1 trilhão. A máquina pública foi aparelhada de cabos eleitorais pagos pelo
contribuinte para fazer campanhas para grupos políticos e prestar maus serviços à população.

Os cerca de um milhão de servidores inativos se aposentaram na casa dos 50 anos de idade, custam aos cofres públicos o mesmo que 32 milhões de aposentados da iniciativa privada. O rombo na Previdência, apenas em 2018, será de R$ 202,17 bilhões - ou 2,79% do Produto Interno Bruto (PIB). Isto significa que se o Brasil crescer 3% este ano, vai restar apenas 0,2% de crescimento real para a economia. A previsão para o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até 2060 é de nada menos que R$ 10,42 trilhões. Isto significa que, por mais que o trabalhador se mate de trabalhar, por mais que a União aumente sua arrecadação, não vai sobrar quase nada para devolver ao cidadão na forma de serviços como saúde, educação e segurança.

Vão continuar culpando a corrupção pela precariedade nos serviços, enquanto a elite do país continuará recebendo altíssimos salários, auxílio-moradia, passagens aéreas, refeição, gastos com remessas postais, aluguel de carros, viagens ao exterior, escola para os filhos de até 24 anos, 80 dias de folga no ano, comida na faixa com iguarias caras que são levadas para suas casas, despesas com lavanderia, segurança particular, carros com motoristas, etc. Muitos sequer precisam colocar as mãos no próprio salário, já que praticamente todas as suas despesas são pagas pelo contribuinte.

O fato é que os belos discursos contra a corrupção e as frases de porta de banheiro proferidas pelos privilegiados do serviço público e pelos políticos inescrupulosos fazem parte de uma peça de criada para enganar o povo e esconder da sociedade como funciona de fato o mecanismo que drena praticamente todo o dinheiro que a sociedade produz.  

Nestas eleições, todos os políticos vão tentar omitir dos eleitores os verdadeiros motivos pelos quais o país patina há décadas sem sair do lugar, A corrupção sempre esteve presente na administração pública e sempre estará. Mas culpar algo que drena 0,01% do dinheiro do contribuinte apenas para ocultar os responsáveis pelo rombo dos outros 99,99% é enganação.

"O mecanismo" consome 93% de tudo que arrecada para cobrir despesas com servidores dos três poderes e beneficiários do INSS do serviço público e privado. Sobram apenas 7% para devolver ao povo sob a forma de serviços, como saúde, segurança e educação. Não há margem para reduzir impostos, a não ser que o governo entre nos 7% do povo, pois os 93% drenados em boa parte pela elite de servidores é sagrado e ninguém pode mexer por força de Leis criadas por eles mesmos.

A afirmação de que o dinheiro desviado em esquemas de corrupção resolveria todos os problemas do Brasil é apenas um discurso para enganar o povo esconder a verdadeira origem dos problemas do país. O combate à corrupção é uma peça de publicidade amplamente difundida por meios de comunicação, artistas, jornalistas, políticos e tradicionais mamadores do dinheiro do contribuinte. Os que recebem altos salários e privilégios vergonhosos ainda debocham do povo: "Não sou eu que ganho muito, é você que ganha pouco", ou "Quem mandou não estudar e fazer concurso público?.

O fato é que quando um trabalhador que ganha até dois salários mínimos sai de casa com R$ 100,00 reais para fazer compras para sua casa, volta com apenas R$ 46,00 em produtos. Mais da metade de seu dinheiro, de seu suor, é consumido pelos impostos que sustentam os mais ricos do país. Isto vale para o catador de latinhas, para o pedinte que junta suas moedinhas na esquina. O governo não tem como reduzir impostos, pois 93% de tudo que arrecada vai para os bolsos dos privilegiados. Qualquer governo que tente contrariar seus interesses corre o risco de ser derrubado, como se constatou recentemente.

Embora seja um grande desafi, a corrupção está bem longe de ser a real origem dos problemas do país. A corrupção é justamente o argumento usado pelos poderosos hipócritas que enganam o povo há décadas. Propor combater a corrupção é uma fórmula que tem funcionado apenas para iludir e ludibriar o povo. Os que se apropriam do dinheiro do contribuinte não precisam roubar. Apenas embolsam legalmente. O mecanismo garante que apenas aqueles que se comprometem a zelar pelo funcionamento da engrenagem cheguem ao poder. Não é por acaso que ministros do STF, parlamentares e juízes de todo o Brasil enrolam para derrubar privilégios de políticos, como o foro privilegiado. No mecanismo, uns protegem os outros em detrimento dos interesses do povo. Não é por acaso que os que cuidam da manutenção do mecanismo no Judiciário asseguram a impunidade de políticos. Cabe a este último grupo assumir o ônus pelas mazelas do país, enquanto milhões por trás da engrenagem continuam invisíveis. 

Enquanto prometem defender os interesses da sociedade, atuam nos bastidores de interesses próprios e estão sempre exigindo mais verbas, aumento de salários e justificando seus privilégios vergonhosos. 

Sob a falsa premissa de tornar esta casta de privilegiados indutores da economia de boutique, o povo continua privado de uma vida digna, sem acesso a bens de consumo de qualidade, devido aos altos impostos que servem para sustentar a elite que vive no luxo e na mordomia. 

As promessas de combate à corrupção atendem apenas aos interesses de oportunista que pretendem se locupletar do dinheiro do povo, sem apresentar propostas concretas de acabar com a vergonha da má distribuição de riquezas oriundas da força de trabalho do povo. Nenhum político tem a coragem de assumir publicamente que irá combater os desequilíbrios da mais perversa distribuição de riquezas do mundo por saber que perderá preciosos cabos eleitorais no serviço público. O mecanismo é uma engenharia inversa de distribuição de riquezas, onde 200 milhões de trabalhadores entregam metade de tudo que produzem para pouco mais de 2 milhões de privilegiados. O Estado é refém destes abutres e OBRIGADO a entregar para esta elite quase tudo que arrecada. "O Mecanismo' deixa apenas 7% para devolver ao povo sob a forma de serviços como saúde, segurança, educação, infraestrutura e outros serviços essenciais. Não é muito pouco. É quase nada!

Enquanto a corrupção drenou dos cofres públicos alguns bilhões de reais ao longo de uma década e meia, o mecanismo drena mais de R$ 2 trilhões do povo POR ANO. 

Saiba mais sobre o mecanismo AQUI

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