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O fato do Brasil ter candidatos que perdem para Lula, mesmo na prisão, é duplamente preocupante



Por mais que sejam contestadas por pré-candidatos, simpatizantes e cabos eleitorais de outras legendas, as últimas pesquisas de intenções de votos realizadas no Brasil nos últimos meses apontam para conclusões bastante preocupantes.

Se por um lado, boa parte do eleitorado não se importa com a questão ética, com o zelo com a Justiça e com o combate à impunidade demonstrando preferência por um criminoso condenado, há ainda que se levar em conta a qualidade e capacidade dos demais pré-candidatos em conquistar a confiança do eleitorado.

O fato de Lula figurar como favorito em praticamente todas as pesquisas eleitorais atesta a incapacidade da classe política em produzir lideranças confiáveis no plano nacional. Quase todos os pré-candidatos foram envolvidos em possíveis escândalos de corrupção ou atos considerados anti-éticos e não muito bem digeridos por parte do eleitorado.

Bolsonaro, que recebe auxílio-moradia para morar em sua própria casa em Brasilia, teria recebido um depósito em sua conta da empresa JBS, do empresário Joesley Batista. No lugar de devolver o dinheiro ao doador, teria entregue o dinheiro ao seu partido, que teria devolvido o mesmo valor para sua conta, agora sob a alegação de que se tratava de recursos do fundo partidário. 

Marina Silva teria sido citada por delatores e recebido doações de gente como Eike Batista. Durante as tratativas de seu acordo de delação, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, se comprometeu com os procuradores a falar do caixa dois que, segundo ele, irrigou a campanha de Marina Silva à Presidência em 2010. Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, afirmou que Marina manteve um encontro com o empresário Marcelo Odebrecht em hotel perto do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em 2014, para tratar de uma doação para sua campanha naquele ano.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa usou o Twitter para se defender das acusações de sonegação fiscal, depois que seu nome apareceu no listão do Panamá, com os clientes do escritório Mossack  Fonseca.

Barbosa disse que pagou US$ 335 mil pelo seu apartamento em Miami, com recursos oriundos do seu trabalho, mas admitiu que abriu duas empresas offshore em paraísos fiscais – e não apenas uma – em busca de benefícios tributários.

"Mas respondo: sou sim proprietário de um bonito apartamento de 73 m² na cidade de Miami, Flórida", escreveu Joaquim Barbosa em seu perfil oficial. "Para essa finalidade, tornei-me titular de duas pessoas jurídicas estrangeiras. As razões são óbvias: fiscais e sucessórias."

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin apareceu na delação de executivos da Odebrecht. Segundo eles, foram repassados R$ 2 milhões para a campanha de 2010 e R$ 8,3 milhões para a de 2014. O dinheiro, saído da contabilidade paralela da empreiteira, teria sido pago sem registro na Justiça Eleitoral. Os delatores mencionam, inclusive, que Adhemar César Ribeiro, cunhado do ex-governador, teria recebido pessoalmente parte dos valores gastos na campanha.

Nenhum dos três delatores, porém, afirmou que a empreiteira fez o repasse em troca de obras ou benefício em contratos durante o governo Alckmin. Sem a menção direta a atos governamentais compensatórios, não se fala em corrupção. O Caso está na Justiça Eleitoral.

O nome do pré-candidato Ciro Gomes “acumula mais de 70 processos de indenização ou crimes contra a honra, movidos por adversários", segundo levantamento feito pela Folha. Segundo O GLOBO, Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, é um dos políticos citados nos 32 anexos complementares da delação de Joesley Batista da JBS, que “está trazendo novos documentos sobre os acertos criminosos com vários políticos e seus operadores financeiros”, diz a publicação.

Excetuando o caso do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, envolvido em uma operação controversa, porém legal, todos os demais citados foram afetados por denúncias ou acusações sobre supostas ilegalidades. Ainda que consigam comprovar sua inocência após as eleições, as acusações existem e servem de munição para os cabos eleitorais dos adversários políticos. Neste cenário de disputa selvagem pela Presidência da República, no qual as velhas táticas de guerrilha virtual inauguradas pelo PT foram adotadas por praticamente todos os setores da política nacional, reputações foram arranhadas por ilações, acusações e denúncias formais que, em muitos casos, sequer foram convertidas em inquéritos na Justiça. Quando muitos dos acusados forem finalmente inocentados, será tarde demais para eles e para o país.

Em meio a este mar de acusações e reputações destruídas, o que se depura é que a classe política não foi capaz de projetar uma liderança que inspirasse confiança na população e capaz de se esquivar de todo este processo. Boa parte desta onda de destruição da imagem da classe política contou com a participação de setores partidários do Judiciário, Ministério Público Federal e até mesmo da Polícia Federal. Na onda da Lava Jato, muitos se aproveitaram do entusiasmo da população com a questão do combate à corrupção para denunciar políticos com base em delações questionáveis feitas por delatores notadamente envolvidos com os anos de corrupção do PT.

Ficou na sociedade a impressão de que toda a classe política está envolvida em algum escândalo de corrupção, mas o fato é que, em todo o Brasil, apenas 53 políticos investigados cairão na Lava Jato, caso não se reelejam e percam o foro privilegiado. Pré-candidatos como Alckmin, Ciro Gomes, Joaquim Barbosa e Marina Silva sequer possuem foro privilegiado. Na verdade, nenhum pré-candidato conseguirá disputar as eleições em 2018, caso tenham sido condenados por colegiados em algum processo. Só registra candidatura quem é Ficha Limpa, com base na  Lei Complementar nº. 135 de 2010.

As eleições presidenciais de 2018 prometem ser as mais confusas de todos os tempos. Embora não exista nenhum pré-candidato tão criminoso quanto o ex-presidente Lula, a liderança do presidiário nas pesquisas recentes mostram que parte dos eleitores brasileiros ainda não amadureceram politicamente. Por outro lado, a classe política não conseguiu produzir uma liderança capaz de angariar a confiança da maior parte sociedade. O eleitorado está mais dividido que nunca. Faltando apenas cinco meses para as eleições, nenhum dos pré-candidatos, nem mesmo Lula, conseguem vencer os indecisos no país. 

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