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O desespero de Lula para se entregar à Polícia - A maestria de Moro para pegar o bode



O juiz Sérgio Moro esta sempre um passo à frente não apenas dos criminosos, como também dos analistas da imprensa e da opinião pública. Responsável por investigações irresistíveis que culminaram na prisão dos criminosos mais poderosos do Brasil, o magistrado reservou para o ex-presidente Lula uma sutileza que nem todos compreenderam.

Ao deixar de mandar prender imediatamente o ex-presidente Lula e facultar ao petista a 'oportunidade' de se entregar voluntariamente às autoridades, Moro permitiu que o ex-presidente especulasse sobre suas opções de acordo com sua natureza escorregadia.

Pode parecer surpreendente para muitos que Moro tenha concedido uma honraria tão elevada para um sujeito que passou os últimos três anos tentando se esquivar de suas responsabilidades. Velhaco, Lula correu para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde se refugiou, logo após ter sua prisão decretada.

O PT já vinha ventilando que pretendia cercar Lula por um cinturão humano para impedir sua prisão. Enquanto o petista partia em disparada rumo à São Bernardo, a máquina petista convocava sindicalistas e militantes da região do berço político onde o PT tem maior poder de mobilização no país. Em poucas horas, Lula já estava 'protegido' por uma multidão de simpatizantes e subordinados. Saiu tudo como planejado.À princípio, Lula confessou que não pretendia se entregar de jeito nenhum à Polícia e manifestado sua disposição de resistir à prisão por tempo indeterminado. Apesar dos arroubos, o petista acabou sendo convencido por aliados que esta não seria uma boa opção, que este gesto poderia lhe render complicações na Justiça, etc.

Relutante, Lula concordou com a prisão, mas exigia que a Polícia Federal fosse catá-lo na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. A deia do petista era a de criar comoção com sua prisão e explorar as imagens da Polícia atuando com violência contra os militantes para prendê-lo. A PF não caiu na armadilha de Lula, que não se entregou no prazo estipulado pelo juiz Sérgio Moro, acreditando que, cedo ou tarde, a polícia invadiria o prédio do sindicato, amparada por batalhões de choque.

Mas na medida em que se deu conta de que seus delírios não se concretizariam, e diante da possibilidade de se encrencar ainda mais perante a Justiça, Lula permitiu que seus advogados avançassem nas negociações com a Polícia Federal, que estipulou que o petista deveria se entregar até o final da tarde do sábado. Lula participou da tal missa em homenagem ao aniversário da ex-primeira dama Marisa Letícia, mas quase não mencionou o nome da mulher falecida em fevereiro do ano passado. Usou o palanque para fazer mais um espetáculo de vitimização, ciente que o ato seria amplamente divulgado pela imprensa.

Em seguida, almoçou com os filhos, deu uma cochilada e parecia querer empurrar a situação com a barriga por mais um dia. Parecia que estava tudo sob controle. A Polícia Federal, embora contasse com agentes dentro e fora do prédio do Sindicato, já´havia confirmado que não efetuaria sua prisão. O petista tinha que se entregar no prazo negociado. Lula tentava ganhar tempo, até que foi informado de que, caso não se entregasse no horário combinado, poderia ter uma ordem de prisão preventiva decretada. Neste cenário, perderia o direito de entrar com recursos para se livrar da prisão por prazo indeterminado.

Desesperado, Lula decidiu se entregar imediatamente, mas foi impedido por militantes, que não deixaram que o carro do petista deixasse o sindicato de jeito nenhum. Afinal, era para impedir a prisão do líder que foram convocados. Lula entrou em pânico. Estava preso no prédio do sindicato pela própria militância. Lideranças do partido subiram no carro de som para implorar para que a militância deixasse Lula sair do prédio, mas não conseguiram convencer que o petista poderia ser prejudicado, caso não se entregasse imediatamente à Polícia. Por volta das 18h, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), pediu à multidão que liberasse a saída do ex-presidente. “Eu, mais do que ninguém aqui, queria que o Lula ficasse livre. Agora, não depende da nossa vontade”. A petista explicou que a decisão seria tomada de forma conjunta, mas que o fato de Lula não se apresentar aos policiais pode resultar em consequências jurídicas para Lula, como a prisão preventiva, que impediria Lula de conseguir um habeas corpus. “Tenho que dividir isso com vocês. Vocês precisam saber o que vai acontecer”, disse ela, ao microfone.

“Eu quero a liberdade de Lula. Mas tenho que acumular força na luta. A Polícia Federal nos deu meia hora para resolvermos. Se não resolvermos, é Lula o responsabilizado”, Ao pedir a colaboração de todos, Gleisi chegou a dizer que é Lula “quem vai sofrer as consequências” se não se entregar à Polícia Federal (PF).

Nervoso, Lula desistiu de esperar a colaboração da militância e decidiu atravessar a pé a rua que separava o sindicato do galpão onde um carro da Polícia federal o aguardava. Cercado por seguranças, Lula foi praticamente esmagado em sua dramática travessia até o outro lado da rua, onde finalmente se entregou para a Polícia. A imprensa não quis fornecer maiores detalhes sobre o sufoco que Lula teve que enfrentar para fazer exatamente o que o juiz Sérgio Moro havia 'sugerido' e se entregar 'voluntariamente' à Polícia. Sem se dar conta, o bode velhaco comeu a grama jogada no terreiro.

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