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Moro determinou que Lula deveria se entregar para a Polícia. Lula se entregou. Simples assim



O ex-presidente Lula finalmente se entregou à Polícia Federal neste sábado, 07 de abril de 2018. O petista se rendeu após um longo processo de investigações da Operação Lava Jato, batalhas judiciais e espetáculos políticos nos quais o petista ofendeu autoridades, prometeu voltar ao poder e até mesmo se vingar de seus julgadores. Nunca antes na história deste país um ex-presidente foi condenado e preso por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Moro sugeriu que Lula se entregasse à Polícia. O petista tentou relutar e fugir das consequências de seus atos, mas ao final, acabou se entregando à Polícia Federal no final da tarde deste sábado, após muita confusão na porta do sindicato, quando militantes do PT tentaram impedir a saída do petista do prédio. Desesperado com a possibilidade de ter sua situação ainda mais complicada, Lula saiu a pé do sindicato para se entregar à Polícia que o aguardava em um galpão em frente à saída do sindicato.

O Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, mais de 100 delegados e quase 400 agentes da PF fizeram parte da logística da operação para a prisão do ex-presidente Lula e permaneceram de prontidão durante todo o processo de transferência do petista para Curitiba. O ex-presidente chorou muito, pouco antes de se entregar à Polícia e deixar o a Sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

O juiz federal Sérgio Moro aceitou a denúncia contra o ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá em 20 de setembro de 2016. Foi a primeira denúncia da força-tarefa da Lava Jato contra o petista na maior investigação sobre corrupção do mundo. A Promotoria acusou o ex-presidente por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no início de 2016.

Lula negou as acusações, prometeu provar sua inocência e atacou o juiz Sérgio Moro e os demais integrantes da força-tarefa da Lava Jato. O cúmplice direto do petista nos crimes, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, confessou que sua empreiteira reservou o triplex para Lula como forma de compensá-lo por contratos superfaturados obtidos por sua empresa junto à Petrobras.

Cabe relembrar que logo após a apresentação da denúncia pelo MPF, Lula tentou fugir de Sérgio Moro de forma vergonhosa. Na mesma época em que o caso do tríplex foi enviado ao juiz federal, Lula assumir o cargo de ministro da Casa Civil com a então presidente Dilma Rousseff, para conseguir foro privilegiado. o que evitaria que o juiz federal julgasse o petista. A nomeação do ex-presidente, no entanto, foi compreendida como uma manobra de obstrução de Justiça e vetada no STF, por determinação do ministro Gilmar Mendes.

Logo em seguida, Dilma foi afastada do cargo – após a votação do impeachment na Câmara – e foi obrigada a exonerar todos os ministros que havia indicado – incluindo o ex-presidente Lula. O petista acabou sendo condenado no caso do triplex em setembro de 2017. Foi a sua primeira condenação na Lava Jato até o momento.

Quando condenou Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, Moro considerou em sua decisão que os crimes aos quais o petista foi acusado de cometer foram comprovados pelo "conjunto das provas documentais e das provas orais" colhidas durante a instrução do processo.

Esse "conjunto de provas" inclui documentos apreendidos e/ou fornecidos por colaboradores, quebra de sigilos telefônicos e telemáticos de investigados e perícia nos computadores da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários), responsável por lançar o Condomínio Solaris (inicialmente batizado de Residencial Mar do Caribe) e que depois repassou o empreendimento à OAS.

A compra e reforma do tríplex, segundo entendeu o magistrado, deram-se como contrapartida à defesa dos interesses da empreiteira em contratos firmados com a Petrobras para obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Curitiba, e de Abreu e Lima, em Pernambuco.

Logo que foi condenado, Lula se reuniu com seus subordinados na sede do PT em São Paulo, chorou, jurou inocência, voltou a ofender o juiz Sérgio Moro e demais integrantes da força-tarefa da Lava Jato, jurou sua inocência e afirmou que seu julgadores é que deveriam ser presos.

Lula sofreu uma sequência interminável de derrotas na esteira deste primeiro processo. A condenação do petista foi confirmada na segunda instância por unanimidade pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região em Porto Alegre. O petista teve pedidos de habeas corpus negados no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Ao final da jurisdição do caso do triplex, o TRF-4 autorizou o juiz Sérgio Moro a decretar a prisão de Lula. O magistrado 'ofereceu' ao petista, em nome da dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de se entregar voluntariamente à Polícia Federal.

Logo que soube que Moro decretou sua prisão, Lula fugiu da sede do Instituto Lula e rumou em disparada para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo e lá se refugiou, usando seus subordinados como reféns. O petista afirmou que não iria se entregar e que se a Polícia quisesse, teria que ir lá enfrentar a multidão para prendê-lo. O PT pretendia criar tumultos para filmar o momento da prisão do petista, que seria alçado à condição de vítima da truculência da Lava Jato. Os filmes seriam explorados pelos candidatos do partido nas eleições de outubro.

Lula tentou desafiar a determinação do juiz Sérgio Moro até o último momento e chegou a confirmar em discurso na manhã deste sábado, 07, que não pretendia se entregar à Polícia. Ao fim de mais um triste espetáculo de esperneio que durou quase 48 horas, Lula se despediu de seus familiares e correligionários, e finalmente se entregou para a Polícia Federal às horas e minutos deste sábado, como determinou o juiz Sérgio Moro. Simples assim.


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