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Ministros do STF e o jogo de manter Lula vivo da disputa eleitoral. Tal qual filme, onde vilões tentam cartadas finais mirabolantes



Há poucos dias, maior parte da população do país celebrou a prisão do maior corrupto da história. Parecia coisa de filme, quando a Justiça finalmente consegue colocar o bandido escorregadio e cheio de artimanhas atrás das grades. Mas ao que tudo indica, a alegria do povo pode durar pouco. Tal e qual os filmes repletos de vilões exóticos passando a perna nos mocinhos, três ministros da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) resolveram retirar das mãos do juiz federal Sérgio Moro trechos da delação da Odebrecht que narram fatos relativos a investigações em torno do ex-presidente Lula.

A decisão de Dias Toffoli, Rocardo Lewandowski e Gilmar Mendes abriu uma avenida de oportunidades para Lula recorrer de seus processos, inclusive na ação penal que resultou em sua prisão. A defesa do petista comemorou a decisão que ressuscitou a esperança de Lula de se livrar da cadeia e ainda participar das eleições de outubro. Os ministros determinaram que os trechos das delações dos executivos da empreiteira sejam remetidos para a Justiça de São Paulo.

Ao retirar das mãos do juiz Sérgio Moro os trechos da delação da Odebrecht envolvendo partes relacionadas processos relacionados ao caso triplex do Guarujá, do sítio em Atibaia, do Instituto Lula e da Usina de Belo Monte, os ministros atenderam a uma das maiores reivindicações de Lula desde o início da Operação Lava Jato e corroboraram as acusações de que Moro não deveria ser o juiz responsável por seus processos. Além de dar razão à defesa de Lula, os ministros do STF esvaziaram  todo o trabalho realizado pela força tarefa da operação Lava Jato baseada em Curitiba.

Mesmo cientes dos depoimentos dos principais cúmplices do ex-presidente Lula, como Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro e do ex-ministro Antonio Palocci, os ministros alegaram que os processos não tem relação direta com desvios na Petrobras. As três testemunhas confirmaram ao juiz Sérgio Moro que Lula recebeu vantagens indevidas em contrapartida por contratos superfaturados com a Petrobras.

A estratégia da defesa de Lula foi facilitada no sentido de retirar das mãos de Moro processos como o da reforma do sítio de Atibaia (SP) e da compra do terreno do Instituto Lula, o que demandaria que os casos precisassem passar por um novo julgamento. Mas este não é a única janela que se abriu para Lula. Sua defesa poderá pleitear a anulação total do processo do caso do triplex, justamente a ação penal que levou Lula para a cadeia.

Animados com a ajudinha providencial dos ministros do STF, o advogado Cristiano Zanin pretende agora explorar todas as frentes de defesa consideradas vencidas até aqui "A decisão proferida hoje pela 2ª. Turma do STF confirma o que sempre foi dito pela defesa do ex-Presidente Lula. Não há qualquer elemento concreto que possa justificar a competência da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba nos processos envolvendo o ex-Presidente. Entendemos que essa decisão da Suprema Corte faz cessar de uma vez por todas o juízo de exceção criado para Lula em Curitiba".

Isto significa que o drama dos brasileiros com a questão da impunidade ainda não chegou ao fim. Os vilões deram um jeito de garantir uma sobrevida ao bandido. Pelo menos até o final do filme. 

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