linkaki

Marina Silva sugere seguir política econômica e propostas de Temer ao pé da letra para conquistar votos e confiança do mercado



A pré-candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, sugeriu nesta terça-feira, 17, que deve manter todos os fundamentos do presidente Temer tanto na economia quanto nas reformas estruturantes propostas pelo atual governo. A representante da Rede participou da 19º Conferência Anual do Santander, na capital paulista e afirmou que as reformas da Previdência, tributária e política serão prioridades em seu governo e que não pretende tirar "nenhum coelho da cartola" quando o assunto é economia.

"Na área econômica, digo sempre que não vamos precisar reinventar a roda", disse a ex-ministra do governo Lula que afirmou que o presidente Temer não tinha legitimidade para apresentar as reformas que agora tenta se apropriar. "Não dá para ser populista e dizer que dá pra reduzir tributos, mas também não devemos aumentá-los", replicou Marina.

O atual governo pretendia promover uma queda brusca nos impostos para aquecer o consumo e o mercado de trabalho, mas dependia basicamente da aprovação da reforma da Previdência, vetada por praticamente todos os atuais pré-candidatos. Pela ordem, a reforma da previdência proposta inicialmente pelo governo poderia resultar na economia de cerca de R$ 800 bilhões do contribuinte, sobretudo com o corte de privilégios da elite do INSS no serviço público. Com estes recursos, seria possível realizar uma reforma tributária revolucionária.

A diferença básica entre Marina e Temer é que o segundo é reconhecido como o Senhor do Congresso, possui articulação com a maioria dos parlamentares e presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes. Isso traz confiança para o mercado e tem permitido a redução recorde dos juros e da inflação. O partido de Marina conta com três parlamentares e seus aliados são os mesmos que se opuseram às reformas do atual governo e votaram contra o impeachment de Dilma. Dificilmente ela e seu grupo político conseguirão manter o mesmo grau de confiança auferido pela atual administração, caso seja eleita.

Os vínculos de Marina Silva com as raízes dos governos do PT, como sindicatos, servidores e judiciário, talvez a impeçam de propor uma reforma da Previdência tão profunda quando à apresentada por Temer. Durante a entrevista, a pré-candidata também aproveito para afagar o ex-ministro Joaquim Barbosa, que se filou ao PSB, partido que Marina disputou a eleição em 2014.

Marina está cercada de colaboradores ligados à Rede Globo, aos bancos e procura manter abertos os canais com o campo da esquerda brasileira que governou o país por mais de treze anos. Caso consiga chegar ao segundo turno, formará alianças com Ciro Gomes (PDT), Joaquim Barbosa (PSB), Boulos (PSOL), Manuela D'ávila (PCdoB) e com o PT de Lula. Com um grupo como este no poder, Marina dificilmente conseguirá imitar o atual governo, por mais que ela tente usar esta promessa para acalmar os mercados e angariar votos com base nas conquistas da atual administração, que conseguiu tirar o país da maior recessão de sua história.


Informe seu Email para receber notícias :