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Marcelo Freixo diz combater milícias há dez anos, período que os grupos mais prosperaram no Rio



Ninguém pode ser impedido de fazer certos questionamentos, quando o assunto é a política, o submundo do crimes organizado e a corrupção policial. Todos sabem que, sobretudo no caso do Rio de Janeiro, estes grupos se apoderaram do Estado, ente federativo onde o narcotráfico, milícias e policiais corruptos mais prosperaram ao longo das últimas décadas.

Quem mora no Rio de Janeiro convive com estes grupos à luz do dia até com relativa naturalidade. Policiais corruptos achacam cidadãos, enquanto milicianos dão cobertura a traficantes armados com fuzis, enquanto os mesmos vendem drogas em baixo de outdoors com imagem de políticos bastante conhecidos dos cariocas. Por mais absurda que pareça, esta não é uma cena incomum no Rio.

A primeira pergunta que uma situação como esta sugere é: onde estão as autoridades? Onde estão os comandantes dos batalhões da Polícia Militar, os políticos e autoridades competentes? A resposta poderia ser a seguinte: estão todos reunidos repartindo os milhões em propina repassados pelo crime organizado e combinando quem fará oposição a quem nas próximas eleições.

Absolutamente todos os políticos do Rio de Janeiro convivem com este quadro há mais de 30 anos, sem que absolutamente nada tenham feito para evitar o agigantamento do crime organizado, da corrupção policial e das milícias, que dominaram dezenas de comunidades no Estado.

São vários políticos que se valem dos mesmos discursos sobre a questão da segurança pública para ganhar votos em época de eleição, mas nada mudava com o passar dos anos. Alguns políticos faziam discursos pendendo para o lado dos bandidos, outros para o lado das polícias, ganhavam as eleições e tudo continuava na mesma ou até piorava sem que absolutamente nada fosse efetivamente feito para minimizar a farra dos milicianos e traficantes, donos de comunidades inteiras. Enquanto isso, os policiais faziam apenas a arrecadação nos morros para seus comandantes, que partilhavam com os políticos os milhões provenientes do tráfico de drogas, roubou de cargas e outras atividades exploradas pelo crime organizado e milicianos, como monopólio no comércio de água, gás, internet e TV pirata nas comunidades.

Curiosamente, estes mesmos políticos que testemunharam o domínio do crime organizado no Rio foram os primeiros críticos da intervenção federal decretada pelo presidente Michel Temer no estado. A Polícia, os bandidos, os políticos, os milicianos, os consumidores de drogas, empresários do ramo do entretenimento, donos de ferros velhos, artistas de esquerda, jornalistas e outros setores que sempre lucraram com o caos no Rio se se manifestaram contrários ao decreto que transferiu para generais o comando da Segurança Pública no estado.

O deputado Marcelo Freixo, do PSOL, vem se reelegendo sucessivas vezes com o discurso de combate às milícias ao longo da última década. Justamente o período em que os grupos armados formados por policiais, ex-policiais e bandidos mais prosperaram no Rio de Janeiro. Parece mesmo estranho o assassinato da vereadora Marielle Franco, reconhecida nos bastidores da política carioca como dona de um potencial enorme para concorrer a cargos no executivo nas duas próximas eleições. A vereadora do PSOL também combatia as milícias, mas era uma novata no ramo e não tinha a mesma 'capilaridade' de outros políticos experientes na arte de manipular as 'coisas' como elas costumavam ser no Rio. Não é nenhum exagero imaginar que Marielle caiu de para-quedas num terreno minado pela corrupção.

As milícias do Rio sofreram duros golpes desde o início da intervenção no Estado. Isto serve de alera para aqueles que tem rabo preso. Convém reforçar a segurança, pois podem se tornar alvos da famosa 'queima-de-arquivo' do crime organizado. A faxina já está sendo feita em presídios, quebradas e até mesmo em setores das polícias. 

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