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Gilmar Mendes faz o que bem entende. Quando é incomodado, joga na cara dos colegas os podres do acordo da JBS



O ministro Gilmar Mendes tem um trunfo para manter os demais ministros do STF caladinhos, sempre que é cobrado por alguma de suas barbeiragens. Em mais de uma, duas, três oportunidades, já jogou na cara dos ministros no plenário ao vivo para todo o Brasil os podres relacionados ao acordo com os criminosos da JBS. Basta mencionar os nomes de Janot, Joesley e Marcelo Miller, e todos ficam logo caladinhos.

Fachin, o homologador do acordo de delação premiadíssima que ainda está sentado sobre o pedido de 'desomologação' do vergonhoso pacto de Janot com Joesly, é o primeiro a colocar a mão no rosto e se por a 'examinar' algum documento em sua mesa. Logo Fachin, apontado como beneficiário da JBS durante sua campanha para o cargo de ministro. Já Barrosso dilata o nariz e quase pula no pescoço de Gilmar Mendes. A ministra Cármen Lúcia trata logo de colocar panos quentes nos debates e tenta mudar de assunto imediatamente. Ninguém na Corte consegue esconder o constrangimento por ter participado do capítulo mais vergonhoso da história recente da República.

Mas Gilmar Mendes é inconveniente e não dispensa uma oportunidade sequer de espezinhar os colegas que se esforçam para posar de bons moços e moças.

Durante a sessão de julgamento desta quarta-feira, 11, além de espezinhar os colegas da Suprema Corte e juízes brasileiros sobre a história sem pé e sem cabeça envolvendo o acordo de delação com os açougueiros de Goiás que ficaram bilionários durante os governos de Lula e Dilma, Gilmar Mendes ainda deu umas belas catucadas no Ministério Público Federal (MPF). O ministro afirmou com todas as letras que a corrupção chegou à Operação Lava Jato e à Procuradoria-Geral da República. O ministro lembrou aos colegas da atuação da ex-advogada da JBS Fernanda Tórtima, a meia irmã do ministro Barroso, e do ex-procurador da República e braço direito de Janot, Marcelo Miller.

O Estadão anotou as provocações de Gilmar no Plenário do STF ao vivo para todo o Brasil durante o julgamento do habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci:

"Em setembro, o procurador Sidney Madruga foi flagrado em conversa com a advogada Fernanda Tórtima dizendo que a ‘tendência’ era investigar o ex-chefe de gabinete do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, o procurador regional Eduardo Pelella.

Já Miller é investigado por supostamente ter atuado de forma ilícita na negociação das colaborações premiadas dos executivos da J&F. Ele teria recebido R$ 700 mil do grupo J&F entre fevereiro e março de 2017, quando ainda exercia as funções no MPF – ele deixou a carreira em abril de 2017. “Clássico de corrupção, isso tem que ser investigado e tem que ser dito, é óbvio que um abuso está ocorrendo”, afirmou Gilmar.

Gilmar Mendes questionou o acordo de delação da JBS, dizendo que nem a PGR sabe dizer ao certo quando ele começou a ser negociado, falou sobre os R$ 700 mil repassados a Miller pelo grupo J&F entre fevereiro e março de 2017, quando ainda exercia as funções no MPF – ele deixou a carreira em abril de 2017. “Clássico de corrupção, isso tem que ser investigado e tem que ser dito, é óbvio que um abuso está ocorrendo”, afirmou Gilmar.

Provocada e com as bochechas coradas, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a palavra à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, para rebater as críticas de Gilmar ao MPF.

Raquel explicou que já há um inquérito instaurado para apurar as supostas irregularidades de Miller. “A investigação está avançada, muitas das informações estão sob sigilo, mas muitos fatos estão sendo, inclusive, periciados. E a perícia já está se encerrando”, afirmou. A chefe do MPF disse ainda que há investigação disciplinar, criminal e ação de improbidade administrativa ajuizada desde meados de 2017.

Em sua fala, Gilmar Mendes também disse que o procurador da República Diogo Castor de Mattos, que integra a força-tarefa da Lava Jato, tem um irmão que advoga para investigados da operação e comete ilegalidades. “Nunca ouvi falar sobre esse doutor Castor. Mas é necessário instaurar um procedimento para apurar a situação”, disse, na sequência, o ministro Luiz Fux.

Raquel Dodge foi pega de surpresa com a informação de alcova jogada 'em pleno' pleno e afirmou que, ’embora o fato tenha chegado ao conhecimento” de Gilmar Mendes, nada foi reportado à PGR. “Mas procurarei me inteirar para tomar as providências cabíveis’, prometeu a procuradora-geral.

Diogo Castor de Mattos é irmão de Rodrigo Castor de Mattos, que chegou a atuar na defesa do ex-marqueteiro do PT João Santana. Até o momento, a ex-presidente Dilma Rousseff não sofreu nenhuma consequência direta em relação não apenas à delação de João Santana, como também as revelações feitas pela mulher do marqueteiro, Monica Moura, e outros delatores da Lava Jato, como Marcelo Odebrecht.

Sempre que menciona uma suposta conspiração para derrubar o governo Temer envolvendo Janot, membros do MPF, os criminosos da JBS e até mesmo ministros do STF, Gilmar Mendes consegue calar os colegas e se sentir autorizado a soltar quem ele bem entende. Seria algo como "Quem são vocês para me dar lição de moral"

Durante a continuação do julgamento do HC de Palocci no dia seguinte, Gilmar Mendes foi mais direto ainda e declarou: ‘Ninguém aqui me dá lição’. O controverso ministro é alvo de um pedido de suspeição dos casos envolvendo o empresário do ramo de transportes no Rio de Janeiro por ter sido padrinho de casamento da filha de Jacob. Gilmar Mendes mandou soltar Jacob Barata filho nada menos que três vezes. A impressão que se tem é a de que, conhecedor das supostas barbaridades cometidas pelos colegas, Gilmar Mendes se sente a vontade para fazer o que bem entende.

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