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Com Lula preso, esquerda se anima para ocupar espaço do PT, o partido programado para morrer



O PT deve deixar de ser o maior partido de esquerda nas próximas eleições majoritárias de outubro. A prisão do ex-presidente Lula significa o mais duro golpe sofrido pela legenda, desde o início da Operação Lava Jato, que dizimou praticamente todas as lideranças do partido. Além dos condenados como José Dirceu, Antonio Palocci, João Vaccari Neto e o próprio Lula, a maioria dos petistas está encalacrada com investigações envolvendo desvios milionários na Petrobras, como a senadora e presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, seu marido, Paulo Bernardo, o ex-ministro Guido Mantega, a ex-presidente Dilma Rousseff e o senadores Lindberg Farias e Humberto Costa.

De olho na derrocada do PT, lideranças de outros partidos de esquerda como Ciro Gomes, do PDT e Guilherme Boulos, agora no PSOL, veem a oportunidade de arrastar simpatizantes do campo da esquerda controlado pelo PT ao longo das últimas décadas sob a liderança de Lula. Com o petista preso e fora da disputa, os tradicionais financiadores da esquerda tendem a apostar em novas lideranças dispostas a engrossar as fileiras de outros partidos.

A hegemonia no campo da esquerda é importante em qualquer projeto de poder e o que garante a preferência por um partido ou outro é justamente o número de deputados federais, senadores e governadores. E é justamente a conquista pelo maior número de vagas no Congresso e nos governo de Estado que estará em jogo nestas eleições, além é claro da projeção de uma nova liderança capaz de se cacifar para disputar as eleições de 2022 com chances concretas de vitória.

Nesta disputa pelo legado de Lula e do PT, os mais animadinhos são justamente Ciro Gomes e Guilherme Boulos. O primeiro diz que Lula mereceu ir em cana, mas tenta agradar os petistas, afirmando ter ficado ao lado do partido ao longo dos últimos 16 anos. Boulos serviu de mula para Lula nos últimos meses. Quando o petista já não era mais capaz de mobilizar sua própria militância, Boulos alugou seus sem-teto em troca de visibilidade ao lado do petista. De quebra, o líder do MTST acabou roubando de Lula alguns discípulos como Caetano Veloso, que por sua vez já afirmou que votará em Ciro Gomes.

O fato é que todos estavam começando a ficar impacientes com a demora na prisão de Lula.Quando o petista falou em resistir à prisão durante as 48 horas que se refugiou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, várias lideranças que acompanhavam de perto seu espetáculo o aconselharam a se entregar à Polícia Federal. Agora com o petista fora do páreo, todos vão para os braços da 'galera' na disputa pela hegemonia da esquerda. Resta saber quem vai levar a melhor. Entre os eleitores de Lula, boa parte dos votos deve migrar para outro pré-candidato populista, o deputado Jair Bolsonaro. Lula não tinha intenções de votos apenas entre simpatizantes da esquerda, Boa parte de seus eleitores era formada por pessoas de baixo grau de instrução e outras tragadas por narrativas políticas distantes dos reais problemas do país. Até o momento, mais de 60% dos eleitores ainda não se definiu sobre quem vai votar para presidente nas eleições de outubro, que começa agora, após a prisão de Lula. 

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