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Cai a máscara de Bolsonaro. Deputado se diz contra o fim do foro privilegiado e contra prisão em 2.ª instância que levou Lula para a cadeia



Pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, o deputado Jair Bolsonaro (RJ), que se notabilizou a partir das manifestações de junho de 2013, quando se colocou ao lado dos manifestantes que exigiam mudanças no pais, deixou sua máscara cair durante entrevista oa apresentador José Luiz Datena, TV Bandeirantes, neste domingo.

O parlamentar que possuiu um vastíssimo histórico de votos com o PT de Lula e Dilma, criticou a possibilidade do fim do foro privilegiado e a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, como foi o caso do ex-presidente Lula.

O fim do foro privilegiado e a prisão em segunda instância representas as pautas mais caras para a sociedade nos últimos anos. Milhões de brasileiros foram às ruas exigir o fim da prerrogativa em 2013 e mais recentemente, para defender a prisão de condenados em segunda instância no dia 03 de abril,  véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal.

 Durante a entrevista na Band, Bolsonaro se gabou de possuir “imunidade total” para se expressar e voltou a dizer que o fim do foro privilegiado, ao se referir à denúncia apresentada pela a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que acusou o parlamentar de crime de racismo.

“Ela (Dodge) acha muito e não encontra nada”, disse Bolsonaro. “Quanto a quilombolas, eu tenho imunidade total por quaisquer palavras, opiniões e votos" alegou o pré-candidato, assumindo que faz uso da prerrogativa do foro para criar polêmicas, confiante de que não será responsabilizado por eventuais ofensas contra grupos. Independente de ser um quilombola ou não, nenhum ser humano ou mãe gostaria de ver seu filho comparado a um animal obeso que não serve nem para procriar, como afirmou Bolsonaro em uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, protegido por seu foro privilegiado.

Segundo a versão do deputado, não é a sociedade, mas sim os políticos corruptos que “querem o fim do foro privilegiado casado com o fim da prisão após a condenação em segunda instância”, afirmou Bolsonaro, sob a justificativa falsa de que os processos contra os políticos levariam muito mais tempo para serem concluídos, ou seja, somente quando chegarem à última instância, o que não é verdade, como ficou comprovado no caso do ex-presidente Lula.

Na verdade, Bolsonaro tenta enganar os eleitores. Sem a prisão em segunda instância, Lula estaria livre e poderia recorrer por mais longos anos em liberdade, empurrando um longo processo no Superior Tribunal de Justiça e depois no STF.  Sobre a prisão de Lula, Bolsonaro disse que “não é caso de ficar feliz nem triste, mas tem que confiar na Justiça”.

Bolsonaro criticou ainda a intervenção federal na segurança no Rio de Janeiro. O deputado considerou que a ação foi “uma medida de marketing” do governo do presidente Michel Temer. Como tem ocorrido em suas entrevistas recentes, Bolsonaro criticou alguns rivais, como Marina Silva e Joaquim Barbosa, mas evitou criticar o pré-candidato Ciro Gomes. O candidato do PDT acusou Bolsonaro de lavar dinheiro depositado em sua conta pela JBS, do empresário Joesley Batista.

Mas esta não é a primeira vez que Bolsonaro ataca o fim do foro privilegiado. Em outras entrevistas, O parlamentar se declarou contra o fim do foro privilegiado para parlamentares federais. "No meu entender, é um engodo", declarou em entrevista no ano passado. Embora as declarações do 'mito' representem uma facada no coração de seus admiradores, não há nem como tentar ignorar suas falas ou buscar outras interpretações para declarações tão claras.

A única vez que Bolsonaro alegou que o foro privilegiado poderia ser ruim foi quando se sentiu afetado por um processo que corre contra ele no STF, em relação à acusação de incitação ao estupor contra a colega da Câmara, Maria do Rosário. Temendo ter sua candidatura prejudicada, Bolsonaro cogitou renunciar ao mandato de deputado apenas para arrastar o processo para a primeira instância.

No vídeo abaixo, Bolsonaro fala que é preciso desconfiar de toda unanimidade e cita nomes de parlamentares que, cedendo a pressão popular das ruas, se manifestaram favoráveis ao fim do foro privilegiado. No vídeo, Bolsonaro admite que tem uma visão diferente da de Dantena e diz que quem quer o fim do foro privilegiado e defende a prisão em segunda instância são os corruptos. O mimimi do candidato atacando o foro privilegiado e a prisão em segunda instância é inequívoco e lamentável. Tentar oferecer uma versão tão embaraçosa de sua visão sobre os maiores anseios da sociedade é um dos episódios mais tristes deste ano eleitoral, onde milhões de brasileiros depositaram sua confiança no ex-capitão do exército, apesar de seu controverso histórico de votos com o PT. Não se declarar claramente a favor do fim do foro privilegiado e da prisão em segunda instância representa um marco divisor em sua campanha. A partir de agora, os que continuam defendendo Bosonaro estarão migrando para um campo oposto ao dos anseios da maior parte da sociedade. O fato é que o pré-candidato embromou, embromou e não posicionou pelo fim do Foro Privilegiado e pronto!



A máscara de Bolsonaro caiu. O parlamentar não demonstrou nenhum embaraço em criticar uma das pautas mais caras para a sociedade. Milhões de pessoas que foram para as ruas pedir o fim do foro privilegiado, na visão de Bolsonaro, são uns palhaços. O político quer manter a antidemocrática 'inviolabilidade parlamentar' para continuar fazendo declarações polêmicas, sem que sofra qualquer consequência, ao contrário de outros cidadãos. O pessoal do foro de São Paulo, do PT e de toda a esquerda também é contra o fim do foro privilegiado e contra prisão em segunda instância. Bolsonaro está com eles e contra o povo, cansado de tanta impunidade.

Na democracia, todos devem ser iguais perante a Lei. Foro privilegiado é uma distinção arcaica entre classes, onde se confere privilégios em relação ao povo justamente para aqueles que são sustentados pelo próprio povo. Nos EUA não existe foro privilegiado. Cometeu crime, é preso e algemado. Nem o presidente americano tem prerrogativa de foro. Na Alemanha, o foro existe apenas para o presidente. No lugar de histeria coletiva com relação à esta publicação, o eleitor de Bolsonaro precisa cobrar é dele posições claras sobre o fim do foro privilegiado. Quem tolera embromação está pedindo para ser enganado. 

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