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Barroso diz que STF "não deve julgar de acordo com as paixões da sociedade e com o clamor público"



Na véspera do julgamento mais importante da história do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que a corte não não deve julgar de acordo com as paixões da sociedade e com o clamor público", numa clara referência ao clamor popular pela prisão do ex-presidente Lula. Barroso bem sabe que o a luta da sociedade pela aplicação imediata da Lei não se limita ao petista. O povo tem consciência de que o golpe em curso no STF para livrar Lula da prisão tem como pano de fundo abrir a possibilidade para que outros poderosos permaneçam impunes pelo resto da vida.

Barroso não é burro e sabe perfeitamente das consequências nefastas para o país e para a Democracia, caso o STF conceda o habeas corpus no qual Lula pede para não ser preso, após ter sido condenado em duas jurisdições pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O Brasil acompanhou as investigações da Operação Lava Jato por quatro anos bem de perto e está bastante familiarizado não apenas com relação ao caso do triplex do Guarujá, mas também em relação às palestras forjadas, ao recebimento de milhões do empresário Joesley Batista, da JBS, aos repasses bilionários feitos pelos governos do PT a países comandados por ditadores, sobre o sítio em Atibaia, sobre a cobertura em São Bernardo do Campo, sobre o terreno de R$ 12 milhões onde seria erguida a nova sede do Instituto Lula, além dos benefícios imorais colhidos por filhos, amigos e aliados políticos.

O povo brasileiro sabe que nenhum criminoso que tencione lavar dinheiro e ocultar sua participação em crimes de corrupção registra imóveis ou outros bens em seus nomes. Lula é um caso clássico de criminoso vulgar, que recorreu a dezenas de laranjas para ocultar seus crimes amplamente investigados e revelados à nação pela Operação Lava Jato ao longo dos últimos anos.

Após afirmar que “A Suprema Corte] deve interpretar a Constituição e o direito de acordo com as demandas da sociedade —não é de acordo com as paixões da sociedade e com o clamor público" Barroso insinuou que apenas os ministros do STF tem o poder e a inteligência de 'filtrar' o clamor da sociedade, e disse que os ministros devem decidir  "de acordo com o sentimento social filtrado pela razão” dos próprios ministros. Segundo Barroso, a "razão" dos ministros do STF é o filtro dos anseios da sociedade, supostamente burra, segundo esta visão.

Na sua fala, Barroso disse ainda que a autoridade e a credibilidade de uma suprema corte está na sua capacidade de demonstrar para sociedade “que as suas decisões e as suas escolhas são legítimas e se justificam”.

“Se a Suprema Corte perder a capacidade de justificar perante a sociedade as suas decisões e de legitimá-las, elas se enfraquecem, elas perdem prestígio, e elas perdem autoridade”, afirmou Barroso, deixando clara sua posição de que o STF não deve 'ceder' aos apelos da sociedade.

Enquanto Barroso sugere que a sociedade é burra, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia pede tolerância ao povo. É o prenúncio de um golpe supremo contra os interesses da sociedade para livrar Lula da prisão e promover o retrocesso da impunidade.

Com informações da Folha

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