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A estratégia de Lula e das esquerdas para voltarem ao poder. Enquanto os outros se engalfinham, os vermelhos avançam



As últimas pesquisas eleitorais apresentaram um diagnóstico bastante preocupante em relação à disputa pela Presidência em outubro: em números absolutos, a onda vermelha tem o mais que o dobro do tamanho das ondas verde e azul.

O quadro é ainda mais preocupante na pesquisa realizada pelo DataFolha sem a participação do ex-presidente Lula nas consultas. Apesar de liderar por uma margem ínfima, a preferência pelo pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) praticamente estagnou, mesmo após a prisão de Lula.

Em campanha há mais de dois anos pelo país, Boslonaro estacionou na casa dos 16% a 17% e foi facilmente alcançado pela pré-candidata Marina Silva (Rede), que aparece com 16% na pesquisa desta semana. Mesmo bombardeada nas Redes Sociais por sua 'ausência' nos momentos políticos decisivos do país nos últimos anos, a ex-petista está tecnicamente empatada com o candidato tratado por seus simpatizantes como 'mito'.

Mas o mais preocupante são os pré-candidatos que aparecem na sequência da preferência do eleitorado. Mesmo sem anunciar sua candidatura,  o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que entrou no PSB há poucos dias, aparece com 10% da preferência dos entrevistados. Na sequência, vem Ciro Gomes (PDT) com 9%.

O pré-candidato Geraldo Alckmin aparece com 8%. Independente de qual deles vá para o segundo turno, o quadro atual aponta que o campo da esquerda conta com quase 40% da preferência do eleitorado, mesmo sem uma definição do candidato do PT. O campo da direita e centro, onde se situam Bolsonaro e Alckmin, aparece com apenas cerca de 25% de preferência do eleitorado.

O cenário é no mínimo preocupante. Enquanto os setores opostos à esquerda se engalfinham, o ex-presidente Lula e o PT seguem mobilizando a imprensa, posando de vítimas e criando um suspense em torno da candidatura do partido. Lula deve insistir até o último momento em sua candidatura, mesmo da prisão. Com isso, o petista e seus subordinados avançam mobilizando a imprensa em torno do drama. Mesmo preso, Lula ainda aparece nas pesquisas com 31% de preferência do eleitorado. Isto significa que o condenado ainda tem um poder de transferência de votos enorme, caso o PT lance a candidatura de Fernando Haddad ou outro nome qualquer na reta final da campanha.

Com esta estratégia, a onda vermelha que já está grande até demais pode simplesmente engolir os adversários formando uma aliança com Ciro, Marina Silva, Joaquim Barbosa e o herdeiro de Lula no segundo turno. Fragmentado, os campos da direita e do centro não terão como reagir a tempo de evitar que a esquerda retome o poder no país.

Lula é uma víbora política que não pode ser subestimada mesmo estando enjaulada. Sem perceber, os campos da direita e centro se dividem e facilita o avanço da esquerda, que permanece unida, atacando em várias frentes. No cenário abaixo, os resultados da pesquisa sem o PT:


  • Jair Bolsonaro (PSL): 17%
  • Marina Silva (Rede): 16%
  • Joaquim Barbosa (PSB): 9%
  • Ciro Gomes (PDT): 9%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
  • Alvaro Dias (Podemos): 4%
  • Manuela D'Ávila (PC do B): 2%
  • Fernando Collor de Mello (PTC): 2%
  • Henrique Meirelles (MDB): 1%
  • Flávio Rocha (PRB): 1%
  • Rodrigo Maia (DEM): 1%
  • Guilherme Boulos (PSOL): 1%
  • João Amoêdo (Novo): 1%

37% para o campo da esquerda, sem contar o PT de Lula, contra 33% para os demais adversários. É neste cenário que a estratégia do condenado pode começar a se delinear. A movimentação de setores da imprensa, a carga de tinta vermelha nos meios de comunicação e o silêncio de certos setores influentes é um alerta de que Lula não está sozinho nesta nova etapa do projeto de poder que fez a alegria de muita gente poderosa. 

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