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Vereadora do PSOL é executada no Centro do Rio. Marielle Franco e seu motorista foram assassinados quando voltavam de ato na Lapa



A vereadora Marielle Franco (Psol) e seu motorista foram executados a tiros, na noite desta quarta-feira. 14, no Estácio, Centro do Rio, quando voltavam de um ato na Lapa. O carro em que os dois estavam na Rua Joaquim Palhares, próximo ao metrô foi alvejado por disparos de criminosos que se encontravam em outro veículo.

Uma terceira pessoa ainda não identificada que também estava no carro com Marielle Franco, foi atingida por estilhaços de vidros. PMs do 4º BPM (Praça da Harmonia) e Bombeiros foram acionados e a via foi interditada. Logo em seguida, integrantes da Delegacia de Homicídios (DH) fizeram  a perícia no local.

O deputado federal Chico Alencar comentou o corrido e disse que "É muito chocante, é muito violento. Ela lutava pela paz e pela Justiça. Tudo indica que não foi assalto. É tudo muito precário e chocante. Em um momento que o Rio está sob intervenção, uma pessoa da importância da Marielle sofre esse tipo de violência e barbárie. Vou pedir uma apuração rigorosa, pois isso não pode ficar no rol dos 90% dos crimes que não são esclarecidos. Ela fazia parte da Comissão da Câmara que fiscalizava a intervenção. Não quero ser leviano, mas isso tem que ser apurado com celeridade. É imprescindível", lamentou o parlamentar.

O assassinato de Marielle Franco pode interromper o flerte da esquerda carioca com a PM ensaiado nos últimos meses como uma forma de criticar a intervenção federal no Rio. A vereadora era uma crítica contundente das ações da PM nas comunidades:

"Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior", escreveu Marielle há poucos dias em suas Redes Sociais.

Marielle também era uma crítica ferrenha da intervenção federal no Rio de Janeiro. Também por meio de seu perfil no microblog Twitter,  a vereadora ironizou uma frase do interventor Braga Neto, na qual o general afirmou que o "Rio é laboratório para o Brasil".

"E essa agora que o General da intervenção disse que o Rio de Janeiro é um Laboratório para o Brasil? E nós somos as cobaias??? Absurdo!", observou vereadora Marielle Franco em seu perfil no Twitter.

Nascida no Complexo da Maré, Marielle era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Com crítica das forças policiais do estado e, mais recentemente convertida em uma militante contra a intervenção federal, a vereadora é apenas mais uma vítima do confuso submundo do crime organizado no Rio. O Estado é dominado por milícias, traficantes acima de qualquer suspeita, policiais corruptos e ativistas sociais que trafegam neste conturbado universo da vida social e política do Rio. Os conflitos de interesses entre estes grupos costumam resultar em crimes retratados por óticas nem sempre fiéis aos fatos. Supostos "inocentes" e policiais são eliminados em decorrência de disputas e desentendimentos entre integrantes do crime organizado com frequência maior que o usual. Num cenário em que traficantes devem favores a policiais corruptos, tudo é possível. Marielle parecia incomodar alguns, mas poderia estar causando transtornos a outros. As investigações para esclarecer o crime já começaram.


Marielle Franco é apenas mais uma vítima deste estado de caos, onde já não se sabe mais quem é mocinho ou bandido. Neste aspecto, a intervenção federal no Rio pode minimizar os efeitos dramáticos da cultura do crime que impera no Rio há mais de 40 anos, sob os auspícios de autoridades, políticos e comandantes das forças policiais no Estado. O ministro Raul Jungmann, da Segurança Pública, já pôs a Polícia Federal para apurar o assassinato da vereadora do PSOL no Rio. 

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