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Sérgio Moro belisca Dilma. Delatores dizem que a petista é peixe grande na fraude de Belo Monte



O juiz Sérgio Moro mandou arrobar o cofre do ex-ministro Delfim Netto e bloqueou R$ 4.4 milhões em suas contas, no âmbito das investigações que apuram propina para favorecer o consórcio que venceu a licitação para construção da Usina de Belo Monte, no Pará. O Ex-ministro Delfim Netto foi um dos principais alvos da 49ª fase da Lava Jato, batizada de Buona Fortuna.

O dinheiro pago a Delfim foi uma gratificação por sua atuação na montagem do consórcio de empresas, segundo a delação de Barra. O valor foi depositado por meio de contratos fictícios de empresas de um sobrinho, Luiz Apollonio Neto. Segundo o MPF, o ex-ministro pode responder por crimes como fraudes à licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Mas o esquema de corrupção na usina de Belo Monte envolve gente bem mais graúda como Dilma Rousseff, que ocupava a casa Civil, sua então secretária-executiva Erenice Guerra e o ex-ministro Antonio Palocci, que por motivos cada vez mais óbvios, ainda não conseguiu um acordo de delação premiada.

O juiz Sérgio Moro está tendo acesso a uma vastidão de informações extraídas do sistema de propinas da Odebrecht e isto é motivo de pânico não apenas entre aqueles que já foram investigados na Lava Jato, como também para aqueles que nem apareceram até o momento. Segundo delatores da Operação Lava Jato do porte de Emílio Odebrecht, presidente do conselho da Odebrecht, a maior empreiteira brasileira, e Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez,  há muito o que ser investigado ainda sobre a Belo Monte. O leilão que ocorreu em 2010 foi fruto de uma série de arranjos no ano anterior, quando Dilma ocupava a chefia da Casa Civil.

Segundo publicação da Folha, "Foi Emílio quem apontou o dedo para Dilma em seu acordo de delação, no qual diz que o governo fraudou a concorrência. Ele afirma que o governo obteve informações confidenciais de preços a partir de estatais como a Eletrobras e Eletronorte e entregou os dados sigilosos para um grupo concorrente, "o que caracterizou claro direcionamento do resultado do leilão por parte do governo, liderado pela então ministra Dilma Rousseff".

Esses preços foram obtidos em reunião realizada no Rio, na sede da Vale, que estava no projeto, da qual participaram um dos executivos de confiança de Dilma para o setor de energia, Valter Cardeal, diretor da Eletrobras, e Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão do ex-ministro.

Delatores dizem que eles não poderiam ter participado do encontro porque ele era de empresas privadas que disputavam o leilão. A simples presença deles seria uma fraude à Lei das Licitações.

Marcelo Odebrecht, que presidiu o grupo Odebrecht até ser preso em 2015, conta em seu acordo que Cardeal exerceu a função de espião nesse encontro: "Aí o Cardeal já sabia o preço que a gente ia dar [era] o preço máximo. Aí esse consórcio apareceu com uma proposta, que era uma proposta que não permitia o segundo preço".

O edital previa que a disputa acabaria se algum consórcio oferecesse um desconto superior a 6%.

Erenice Guerra, principal assessora de Dilma na Casa Civil, acompanhou essa reunião por telefone, segundo delatores. Ligou várias vezes para Roger Agnelli, presidente da Vale à época. Depois, a Vale saiu do projeto.

Havia um problema: o consórcio que o governo ajudou a criar não tinha condições técnicas e financeiras para tocar uma obra da envergadura de Belo Monte, que custou cerca de R$ 30 bilhões. Ele havia sido montado para dar uma espécie de lição de moral às empreiteiras, tidas como arrogantes por Dilma.

Coube a Antonio Palocci, na versão de Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, apresentar a contrapartida para que o consórcio liderado pela Andrade Gutierrez fizesse a obra: ele teria que dar 1% do valor do contrato para o PT e o PMDB dividirem. Com a entrada de Delfim no negócio, supostamente para estruturar o consórcio, cada partido ficou com 0,45% e Delfim com 0,1%.

Como as obras civis de Belo Monte custaram cerca de R$ 15 bilhões, PT e PMDB teriam dividido R$ 135 milhões, enquanto Delfim teria ficado com R$ 15 milhões, segundo delatores.

Palocci indicou João Vaccari Neto para cuidar do dinheiro do PT e o senador Edison Lobão para tratar da parte do PMDB, de acordo com Azevedo. O suborno foi entregue em forma de contribuição oficial".

O avanço das investigações da Operação Lava Jato sobre o esquema criminoso envolvendo o leilão que fatiou as obras de Belo Monte é motivo de preocupação para vários envolvidos. Não foi por acaso que o juiz Sérgio Moro mandou estourar o cofre de Delfim Neto ao expedir os mandados de busca e apreensão da Operação Buona Fortuna. 

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