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O problema do Brasil não é a corrupção. É a hipocrisia dos poderosos que enganam o povo há décadas



Não é por acaso que a população vive sob a constante sensação de que está sendo enganada. A eficiência com que os poderosos manipulam o povo é tão grande que, mesmo confuso, o povo se arrisca a sugerir soluções e apontar para as supostas causas da péssima qualidade dos serviços públicos, da desigualdade na distribuição de riquezas e na falta de perspectiva para o futuro, apesar de viverem em um país tão promissor.

O fato é que a corrupção tem sido o maior cabo eleitoral dos inimigos do Brasil ao longo de décadas. Por seu caráter revoltante, a corrupção tem sido usada como peça fundamental em campanhas de marketing de políticos inescrupulosos que conhecem bem a verdadeira origem dos problemas país, mas que sonegam estas informações ao povo apenas para proteger aqueles que participam da orgia com o dinheiro do contribuinte, sem serem incomodados.

Os políticos fazem o povo de trouxa a luz do dia e ninguém se dá conta da má fé por trás de campanhas populistas e absurdamente apelativas, como "Todos contra a corrupção" ou "Todos contra a pedofilia", apropriando-se de sentimentos reinantes entre 99,99% da população na maior cara de pau. Qual ser humano na terra seria capaz de defender publicamente a corrupção ou a pedofilia? É mais provável que um corrupto ou um pedófilo participem de campanhas tão óbvias para continuar enganando o povo.

Quanto ao maior problema do Brasil, absolutamente nenhum político tem a coragem de abrir para o povo: a farra indecente que é feita com o dinheiro do contribuinte no serviço público, celeiro de cabos eleitorais supra eficientes e com potencial de influenciar parte significativa do eleitorado em nível municipal, estadual ou federal. O servidor tem dinheiro, tempo, poder, organizações e está constantemente em contato com o povo. Nenhum político é louco de assumir que o maior problema do Brasil são os altos salários dos servidores, as poucas horas que trabalham, os privilégios e benefícios indecentes aprovados na calada da noite.

Embora a corrupção seja apontada como o maior problema do país, os números, acessíveis a qualquer cidadão, mostram o contrário. Os maiores inimigos do povo são as elites que se apropriaram dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ao longo dos últimos 30 anos.

A prova está nos números e não nos discursos de campanha entoados com entusiasmo pelos verdadeiros devoradores do dinheiro do contribuinte. Enquanto se coloca a mão em um ou dois corruptos, existem quase 2 milhões de privilegiados que recebem até dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada. Enquanto um corrupto desvia R$ 1 milhão dos cofres públicos, a praga de gafanhotos devora trilhões do dinheiro do contribuinte, tudo dentro da Lei que eles mesmos aprovaram em benefício próprio. Apenas este ano, o contribuinte vai bancar R$ 1.2 bilhão em auxílio-moradia para privilegiados que recebem quase cinco mil reais para morarem em suas próprias casas.  O STF prevê gastar mais de R$ 1 milhão apenas com a limpeza de 18 carros.

Os números não mentem, ao contrários dos políticos que há décadas enganam o povo para defender os interesses da elite de servidores, aquele 1% dos mais ricos do Brasil. A prova está no período do regime militar, quando a União gastava em média 14% da arrecadação com servidores dos Três Poderes.  Nos 21 anos em que os militares permaneceram no poder, a economia brasileira cresceu num ritmo quase três vezes maior do que o alcançado mesmo período após a volta da democracia. No período em que essa expansão foi mais acelerada, entre 1967 e 1973, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 10,2% ao ano, em média, dobrando de tamanho em apenas sete anos. Mas logo que os civis assumiram o poder, o número de contratações e as despesas com folha de pagamento triplicaram, ao ponto do governo federal chegar a gastar quase 50% de sua receita com 2 milhões e 200 mil servidores. Desse total, 55,3% estão trabalhando, 26% são aposentados e 18,7% são pensionistas.

Dados do Ministério da Fazenda mostram que, de janeiro de 2001 a dezembro de 2015, os gastos primários do governo saltaram de R$ 205 bilhões para R$ 1,1 trilhão. A máquina pública foi aparelhada de cabos eleitorais pagos pelo
contribuinte para fazer campanhas para grupos políticos e prestar maus serviços à população.

Para se ter uma ideia, os cerca de um milhão de servidores que estão inativos e se aposentaram na casa dos 50 anos de idade, custam aos cofres públicos o mesmo que 32 milhões de aposentados da iniciativa privada. O rombo na Previdência, apenas em 2018, será de R$ 202,17 bilhões - ou 2,79% do Produto Interno Bruto (PIB). Isto significa que se o Brasil crescer 3% este ano, vai restar apenas 0,2% de crescimento real para a economia. A previsão para o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até 2060 é de nada menos que R$ 10,42 trilhões. Isto significa que, por mais que o trabalhador se mate de trabalhar, por mais que a União aumente sua arrecadação, não vai sobrar quase nada para devolver ao cidadão na forma de serviços como saúde, educação e segurança.

Vão continuar culpando a corrupção pela precariedade nos serviços, enquanto a elite do país continuará recebendo altíssimos salários, auxílio-moradia, passagens aéreas, refeição, gastos com remessas postais, aluguel de carros, viagens ao exterior, escola para os filhos de até 24 anos, 80 dias de folga no ano, comida na faixa com iguarias caras que são levadas para suas casas, despesas com lavanderia, segurança particular, carros com motoristas, etc. Muitos sequer precisam colocar as mãos no próprio salário, já que praticamente todas as suas despesas são pagas pelo contribuinte.

Como se não bastassem os altos salários, as mordomias e os penduricalhos vergonhosos, há casos de juízes com contracheques de mais de R$ 300 mil, os funcionários públicos ainda dão um jeitinho de ganhar um 'por fora' pagos também pelo contribuinte. O ministro Roberto Barroso, do Supremo, embolsou R$ 46.800,00 para dar 'uma palestra' no  Tribunal de Contas de Rondônia, um dos estados mais pobres do Brasil. Ao ser questionado pela jornalista Monica Bergamo, da Folha, Barroso mentiu: “Não tenho a menor ideia de que valor é este. É um valor completamente fora do padrão, fora do que eu cobro.”

O fato é que Barroso, que segundo a imprensa chegou ao STF durante o governo Dilma pelas mãos do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, um dos que fazem os mais eloquentes discursos contra a corrupção, foi contratado sem licitação pelos colegas do TCU por seu “notório saber jurídico”. conforme documento abaixo, divulgado pelo jornalista Reinaldo Azevedo:





O fato é que os belos discursos contra a corrupção e as frases de porta de banheiro proferidas pelos privilegiados do serviço público e pelos políticos inescrupulosos fazem parte de uma peça de criada para enganar o povo.  Nestas eleições, todos os políticos vão tentar omitir dos eleitores os verdadeiros motivos pelos quais o país patina há décadas sem sair do lugar, A corrupção sempre esteve presente na administração pública e sempre estará. Mas culpar algo que drena 0,01% do dinheiro do contribuinte apenas para ocultar os responsáveis pelo rombo dos outros 99,99% é enganação.

Atualmente o Brasil gasta 93% de tudo que arrecada para cobrir despesas com servidores dos três poderes e beneficiários do INSS do serviço público e privado. Sobram apenas 7% para devolver ao povo sob a forma de serviços, como saúde, segurança e educação. Não há margem para reduzir impostos, a não ser que o governo entre nos 7% do povo, pois os 93% drenados em boa parte pela elite de servidores é sagrado e ninguém pode mexer por força de Leis criadas por eles mesmos.

Afirmar que o combate à corrupção vai resolver todos os problemas do Brasil é uma grande mentira, como sempre foi. Para se ter uma ideia, a partir das investigações da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, a Petrobras já recuperou R$ 1,5 bilhão que haviam sido desviados da companhia nos últimos anos. Apenas com o auxílio-moradia pago a cerca de 36 mil juízes e procuradores da República, o contribuinte já gastou cerca de R$ 5.2 bilhões no mesmo período.

A afirmação de que o dinheiro desviado em esquemas de corrupção resolveria todos os problemas do Brasil é apenas um discurso para enganar o povo esconder a verdadeira origem dos problemas do país. O combate à corrupção é uma peça de publicidade amplamente difundida por meios de comunicação, artistas, jornalistas, políticos e tradicionais mamadores do dinheiro do contribuinte. Os que recebem altos salários e privilégios vergonhosos ainda debocham do povo: "Não sou eu que ganho muito, é você que ganha pouco", ou "Quem mandou não estudar e fazer concurso público?.

O fato é que quando um trabalhador que ganha até dois salários mínimos sai de casa com R$ 100,00 reais para fazer compras para sua casa, volta com apenas R$ 46,00 em produtos. Mais da metade de seu dinheiro, de seu suor, é consumido pelos impostos que sustentam os mais ricos do país. Isto vale para o catador de latinhas, para o pedinte que junta suas moedinhas na esquina. O governo não tem como reduzir impostos, pois 93% de tudo que arrecada vai para os bolsos dos privilegiados. Qualquer governo que tente contrariar seus interesses corre o risco de ser derrubado, como se constatou recentemente.

O problema do Brasil não é a corrupção. É a hipocrisia dos poderosos que enganam o povo há décadas. Propor combater a corrupção apenas para conseguir uma 'boquinha' para viver às custas do contribuinte é uma fórmula que tem funcionado no país há décadas. Foi desta forma que muitos espertinhos ingressaram na vida pública e participaram do processo de agigantamento dos próprios privilégios. Só se vê políticos e servidores exigindo mais verbas, aumento de salários e justificando seus privilégios vergonhosos. Sob a falsa premissa de tornar esta casta de privilegiados os indutores da economia de boutique, o povo continua privado de uma vida digna, sem acesso a bens de consumo de qualidade, devido aos altos impostos que servem para sustentar a elite que vive no luxo e na mordomia. Falar em combater a corrupção é uma proposta vazia, estúpida e oportunista usada por aqueles que querem apenas se locupletar do dinheiro do povo, sem apresentar propostas concretas de acabar com a vergonha da má distribuição de riquezas oriundas da força de trabalho do povo. O Estado não produz um cotonete, mas fica com mais da metade de tudo que milhões de trabalhadores produzem. São 2 milhões de privilegiados vivendo às custas de 200 milhões de cidadãos. 

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