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O GLOBO exalta feitos de Janot, que, da Colômbia, volta a defender acordo de Joesley e assume que "fez provas" contra autoridades



O jornal O GLOBO publicou esta semana mais uma matéria na qual o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, exalta seus feitos no acordo com os criminosos da JBS e assume: "Conseguimos "fazer" prova contra um presidente da República em pleno exercício do cargo".

Desde janeiro, Janot está morando em Bogotá, na Colômbia, onde ministra um curso na Universidade de Los Andes. Durante o tempo em que comandava a PGR, Janot chegou a cogitar se candidatar à Presidência da República, mas na medida em que as coisas foram se complicando, mudou os planos e chegou a manifestar interesse de se aposentar e atuar na área de compliance na inciativa privada. Entretanto, o fracasso do acordo de delação com os criminosos da JBS o fez mudar de planos novamente. Janot julgou melhor adiar sua aposentadoria para se resguardar de investigações, segundo informações veiculadas na imprensa.

"Em entrevista ao GLOBO, o ex-procurador disse que não se arrepende de nada do que fez e defende o acordo da JBS com vigor. O acordo, provavelmente o de maior impacto da Lava-Jato, foi alvo de críticas. Para alguns analistas, Janot teria exagerado ao conceder imunidade penal aos executivos da J&F, Joesley e Wesley Batista, em troca das confissões e provas apresentadas por eles.

— O acordo da JBS se mostrou extremamente positivo. Conseguimos "fazer" prova contra um presidente da República em pleno exercício do cargo. Conseguimos fazer prova contra um senador da República. Conseguimos fazer prova contra um deputado federal com direito filmagens, mala de dinheiro e corridinha nas ruas de São Paulo. Mostramos que um membro do Ministério Público cometeu perfídia contra a instituição e contra os colegas. Essa colaboração (da JBS) foi muito rica — afirmou".

Na prática, Janot reconhece que forjou provas para incriminar autoridades. No caso do senador Aécio Neves, pode até ter sido exitoso em revelar o grau de intimidade do tucano com o criminoso Joesley Batista. Já no caso do presidente Michel Temer, ficou claro que o açougueiro de Goiás não tinha nenhuma intimidade para abordar temas como propina ou dinheiro mesmo. Em uma gravação, Joesley fala com Ricardo Saud que Janot queria derrubar Temer para assumir seu cargo ou indicar o sucessor do presidente.

Na entrevista ao O GLOBO, Janot reconhece agora que não será candidato a nada, nem a presidente da República, mas mesmo assim pretende participar do processo, afirmou o ex-procurador-geral de seu refúgio na Colômbia.

Resta saber se Janot terá alguma credibilidade junto ao eleitorado, após ter almejado o poder e ter usado o cargo para tentar destruir a classe política com denúncias que não deram em nada.

Gravações entre os principais beneficiários do controverso acordo de delação premiada do grupo JBS revelaram uma série de tramas que ainda merecem uma investigação profunda.  Uma delas registra um longo diálogo entre o empresário Joesley Batista e seu executivo Ricardo Saud, na qual ficou claro que havia um plano para 'encaixar'  Janot em uma das empresas ligadas ao grupo empresarial, após sua aposentadoria na PGR.

Se tudo desse certo com o acordo da JBS, Janot passaria a fazer parte da mesma firma na qual seu ex-braço direito, o ex-procurador da República Marcelo Miller, havia se tornado sócio enquanto ainda integrava os quadros da PGR, o escritório de advogados Trench, Rossi e Watanabe. Na gravação, Ricardo Saud diz ter ouvido de Miller que Janot, depois de deixar o comando da PGR, iria para o escritório de advocacia onde passou a atuar o ex-procurador da República. "O Janot vai sair e vai ficar com o Marcelo no escritório do cara", diz Saud a Joesley. O diretor afirma ainda que o "amigo comum" é "um tal de Christian". "O Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Vai ser um escritório único, vai ser ele, esse Christian, ele e o Janot."

Mas talvez esta não seria a única opção de Janot após a sua aposentadoria triunfal. Em fevereiro, a JBS também havia convidado Marcello Miller para ocupar o cargo de diretor global de compliance (departamento anticorrupção) da companhia, setor que estava sendo criado como resposta às descobertas de ilícitos praticados pelo grupo. Como o próprio Janot já havia manifestado seu interesse em atuar na área de compliance junto à iniciativa privada, é possível especular sobre a possibilidade de 'combinados' que nunca vieram a público, ocorridos durante as tratativas do acordo com os açougueiros criminosos.

Não se sabe se O GLOBO tem alguma gratidão especial por Janot, mas foi justamente este veículo que publicou uma transcrição falsa da gravação de Joesley Batista para pedir a renúncia do presidente. Este FATO vai ficar gravado na história do meio de comunicação para sempre.

Conheça alguns detalhes sórdidos sobre o controverso acordo de delação da JBS AQUI


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