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O estranho caso de Guido Mantega. Ex-ministro da Fazenda de Dilma vira réu, mas continua solto



A liberdade do  ex-ministro da Fazenda Guido Mantega permanece um dos mais intrigantes casos da Operação Lava Jato. O homem que comandou a economia por mais de oito anos, durante os mandatos de Lula e de Dilma, foi o ministro que por mais tempo foi titular da Fazenda num período de democracia no Brasil  chegou a ser preso em setembro de 2016.

Na época, Mantega foi acusado formalmente pelo empresário Eike Batista, em depoimento à Lava Jato, de ter pedido R$ 5 milhões para pagar dívidas de campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. O ex-ministro foi preso enquanto acompanhava um procedimento cirúrgico da mulher no Hospital Albert Einstein, mas foi solto no mesmo dia, sete horas mais tarde, por questões humanitárias. Sua mulher, a psicanalista Eliane Berger, veio a falecer em 12 de novembro de 2017.

Antes disso, no final de maio de 2017, Mantega reconheceu ter uma conta não declarada no exterior com depósito de US$ 600 mil. Para quem ocupou o ministério da Fazenda por oito anos e tinha a responsabilidade de zelar pelo dinheiro do contribuinte, manter uma conta ilegal no exterior não parece uma atitude condizente com o cargo que ocupou.

Em setembro do ano passado, Mantega conseguiu a proeza de fechar um acordo com o Ministério Público no Distrito Federal para dar informações sobre operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na prática, o petista conseguiu permanecer livre sem um acordo de delação premiada, mas, sim, um inusitado 'termo de compromisso". Segundo o empresário Joesley Batista, Mantega atuou para beneficiar a JBS no banco. No depoimento, o empresário acrescentou que, sem a "pressão" do ex-ministro, a JBS não teria conseguido empréstimo para comprar a empresa Swift Argentina.

Um mês antes, o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que está preso em Curitiba, acusou Mantega de vender informações para bancos. Segundo Palocci, Mantega montou uma uma central para venda de informações a instituições financeiras, antecipando movimentos nos juros, no câmbio e em medidas  provisórias de interesse do mercado. "Palocci implica o sucessor em um suposto esquema de repasse de informações privilegiadas. Segundo ele, Mantega antecipava dados a respeito de juros e edição de medidas provisórias, por exemplo, que eram de interesse de bancos, em troca de apoio ao PT."

Esta semana,  Mantega e outras 12 pessoas foram colocados no banco dos réus pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara do Distrito Federal, por suposto favorecimento ao Grupo Cimento Penha durante julgamento de um processo no Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conhecido como “Tribunal da Receita”. Segundo a acusação, derivada da Operação Zelotes, os acusados teriam atuado para que a companhia conseguisse anular uma autuação tributária de 57,7 milhões de reais.

O que é mais surpreendente em todo o retrospecto de crimes atribuídos ao ex-ministro é justamente o fato dele permanecer em liberdade total, livre de vigilâncias, tornozeleira eletrônica ou qualquer restrição sobre circular livremente por onde bem entender. A suspeita de que o ex-ministro petista teria informações que poderiam ferir os interesses de gente muito poderosa é a única explicação plausível para tanta impunidade. Mantega não é o único 'iluminado' do grupo de petistas conhecidos como 'dilmistas' que permanece impune e intocáveL.

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