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Intervenção na Segurança Pública do Rio não seria necessária, não fosse o conluio da banda podre da PM com o crime organizado e milícias



A intervenção federal no Rio de Janeiro pode estar bem perto de revelar ao país uma das origens do problema da criminalidade desenfreada no estado: a forte relação de parte das forças policiais com o crime organizado.

Quem conhece o Rio de Janeiro bem sabe que as coisas se misturam de uma forma nebulosa, quando o assunto é criminalidade. Políticos como deputados estaduais, federais e até mesmo vereadores tem o poder de indicar oficiais para os batalhões de polícia. Não se sabe a troco de quê, mas o fato é que o general Braga Netto já substituiu praticamente toda a cúpula das Polícias Civil e Militar no estado.

Mas as coisas se misturam no Rio de forma sofisticada. Empresários, políticos, policiais, traficantes, milícias, representantes de favelas e muita gente acima de qualquer suspeita possuem alguma ramificação com o crime organizado. Como se diz, no Rio é tudo junto e misturado.

A Polícia, na maioria dos casos heroica, tem uma boa banda podre. Praticamente todo carioca motorizado já foi vítima de extorsão policial ou da tradicional técnica de criar dificuldades para vender facilidades. Na maioria dos casos, é até mesmo perigoso afrontar um agente público em determinadas circunstâncias. A cultura da corrupção e a naturalidade com que muitos se relacionam e até mesmo lucram com o crime organizado é uma nota triste para os bons policiais e agentes públicos, mas esta é uma triste realidade.

Para se ter uma ideia, 20% dos denunciados por crime organizado ao Gaeco são policiais ou ex-policiais. Todos sabem que as milícias cariocas são formadas por ex-policiais, criminosos e líderes das comunidades. Mas o fato é que estes grupos não teriam como atuar, não fosse a conivência de integrantes da alta cúpula das forças de segurança do Rio. O Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público é um órgão que se destina a investigação e combate ao crime organizado e controle externo da atividade policial.

Mas a situação da cultura do crime no Rio de Janeiro vai além do razoável. Não se vê um único artista militante da esquerda, ativista ou representante de comunidades criticando a violação diária dos direitos individuais dos moradores de áreas críticas dominadas pelo crime organizado. Os chefes das facções criminosas fazem o que bem entendem nos morros, impondo o medo e regras próprias aos moradores, que vivem sob a constante ameaça de morte. O lucro destas facções não vem apenas do comércio de drogas, cargas roubadas e outros produtos de crimes.  Todos lucram com ligações irregulares de internet, TV a Cabo, comércio de galões de água, gás de cozinha e até mesmo com a venda de bebidas nas comunidades. Qualquer pessoa no Rio sabe onde vende drogas e há pontos que funcionam há mais de 15 anos no mesmo lugar sem que nenhuma providência seja tomada. Os policiais honestos são forçados a fechar os olhos para 'atividades' apadrinhadas por gente poderosa, incluindo comandantes de batalhões. Alguns daqueles que não se conformam com a corrupção, acabam sendo eliminados em algum 'assalto'.

Ha poucos dias, a Operação Pão Nosso — desdobramento da Lava-Jato no Rio —, demonstrou como a atividade criminosa está presente nos mais altos escalões das forças policiais do estado. Assim como o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista,  as revelações expostas pela Operação Pão Nosso reforçam a necessidade da intervenção na segurança do estado. Segundo matéria publicada em O GLOBO, as descobertas da Polícia Federal "expõem uma estrutura completamente corrompida em órgãos fundamentais da área. Instituições que, ironicamente, deveriam ter como missão o combate à criminalidade.

Um dos principais alvos da operação foi ninguém menos que o ex-chefe do Departamento Geral de Polícia Especializada, o delegado Marcelo Luiz Santos Martins. Segundo a publicação do Globo "Ele é acusado de prestar consultorias fictícias a empresas envolvidas no esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral e pelo ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes. O pai do delegado, Carlos Mateus Martins, também é investigado.

Outra figura proeminente da área de segurança do Rio que terá de acertar as contas com a Justiça é o ex-secretário estadual de Administração Penitenciária Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, coronel PM. Ele é suspeito de integrar um esquema de propinas na compra de quentinhas para os mais de 50 mil presos fluminenses. Segundo o Ministério Público Federal, o seu patrimônio aumentou dez vezes no período em que chefiou a Seap. Ainda de acordo com as investigações, Cesar tinha participação em três empresas, uma delas em sociedade com o delegado Marcelo Martins e seu pai, Carlos Martins. O que revela as muitas e promissoras conexões da área de segurança.

À medida que o fio da corrupção vai sendo puxado, outros malfeitos praticados por gestores da área de segurança poderão vir à tona. Não é por outra razão que, desde o início da intervenção, uma das prioridades anunciadas pelo general Braga Netto é combater a corrupção nas polícias. E não poderia mesmo ser de outra forma. ".

Intervenção na Segurança Pública do Rio tem como inimigos  não apenas a banda podre das polícias do estado, mas também a banda podre da Assembléia Legislativa, do palácio Laranjeiras e de outros poderes constituídos.



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