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Diferenças Irascíveis expostas nas Redes Sociais se abrandam no mundo real. Afinal, estão todos os brasileiros no mesmo barco



As Redes Sociais costumam exibir traços do comportamento humano que não se reproduzem no convívio social real. Nem no comportamento real dos indivíduos que ali manifestam suas opiniões e frustrações. Em casos extremo, alguns manifestam até mesmo o ódio diante constatação de quem nem todos pensam da mesma forma.

No mundo real, estão todos dentro do mesmo ônibus, do mesmo vagão, do mesmo barco. As pessoas acordam e vão cuidar de seus afazeres, se cumprimentam, sorriem uns para outros, riem-se uns dos outros e se indignam coletivamente diante de situações consensualmente absurdas, como grosserias, xingamentos e hostilidades. Num mundo civilizado, a maioria das pessoas pratica o exercício da tolerância, do convívio pacífico com as diferenças e do respeito ao contraditório. Ninguém anda se xingando, fazendo ironias infantis e irritantes ou apontando o dedo em riste para a cara dos outros. Obviamente, o risco real de levar um belo sopapo no mundo real ajuda a manter as pessoas razoavelmente civilizadas.

No mundo real, ninguém anda rindo da cara de pessoas 'feias', 'obesas' ou diferentes. Além do inconveniente de ser duramente repreendido pelo grupo, algumas gracinhas podem reder processos e até mesmo uma bela prisão em flagrante.

Mas a cretinice humana nem sempre é contida. Na intimidade, pessoas desajustadas até confidenciam parte de seus pensamentos doentios a interlocutores confiáveis ou que compartilhem das mesmas opiniões. Em muitos casos, é até normal a troca de 'dicas' preciosas sobre como burlar regras, de modo a obter pequenas vantagens. Ao menos no mundo real, pessoas moralmente distorcidas não encontram dificuldades em encontrar seus pares.

Mas é no mundo virtual, nas Redes Sociais, que algumas pessoas conseguem subverter totalmente as regras mais elementares do convívio social, do respeito mútuo e da razoabilidade. Tal e qual gangues que promovem arrastões, unem-se em grupos coesos que defendem preferências comuns, como um time de futebol, um artista, um estilo, etc. Até aqui, os debates costumam girar em torno de zoações infrutíferas, provocações infantis e outros comportamentos pitorescos.

A situação se agrava quando os debates giram em torno de ideologias, preferências religiosas e políticas. Neste território, o exercício da liberdade de expressão é diligentemente patrulhado por provocadores profissionais, militantes fanáticos e toda sorte de inconformados com o contraditório. Ao menor sinal de exposição de suas fragilidades e contradições, hordas de patrulheiros surgem do nada com ataques hostis, provocações e velhas artimanhas retóricas permeadas por insinuações maliciosas ou de caráter de ironia ou sarcasmo.

Obviamente, em ano eleitoral, as disputas políticas são bem vindas e saudáveis em um ambiente democrático. Neste aspecto, a Rede Social deveria reproduzir o ambiente da rua, onde todos os cidadãos permanecem unidos em torno do objetivo de manter a ordem social. O problema é a onipresença de militantes fanáticos que não estão dispostos a contribuir em nada para o debate, mas apenas tentar impor suas preferências políticas e ideológicas.

Não se dão conta de que estão atacando cidadãos, aqueles mesmos que se sentam ao se lado no ônibus, que se alinham na fila do supermercado, para fazer oba oba para políticos, que em muitos casos, estimulam o ódio, o preconceito e hostilidades contra opositores. Este tipo de conduta desrespeitosa é comum em líderes populistas que visam conquistar a simpatia de ressentidos, frustrados e incapazes de se dar conta de que são manipulados. O ex-presidente Lula tinha uma capacidade extraordinária em arregimentar exércitos de fanáticos ofensores que aplaudiam até as bobagens que falava. Deu no que deu.

Talvez ambicionem encorajar que mais e mais pessoas apostem em suas escolhas com receio dos frutos amargos que delas podem se despender no futuro. Certamente, este tipo de conduta não provém exclusivamente de fanáticos. As redes sociais estão repletas de militantes profissionais que atuam de forma sistemática na defesa de seus interesses particulares ou dos grupos que representam. O cidadão? O cidadão é cidadão em qualquer lugar. Seja na rua ou na Rede Social. O cidadão de verdade está atento e sempre disposto a debater as melhores opções para o futuro do país.

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