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Desilusão com a classe política é geral. Em março, mais de 60% dos eleitores ainda não escolheram seus candidatos. É a maldição do Ladrão



Em pouco mais de três anos, Operação Lava Jato revelou a verdadeira face da classe política brasileira que dominou o país por décadas. Desmascarados e impotentes diante do povo pela primeira vez, políticos e partidos se queixam da aniquilação generalizada dos principais quadros predominantes da política em nível regional e nacional.

A desconfiança da sociedade faz sentido. Todos os candidatos que aparecem como favoritos para a eleição presidencial apresentam índices de rejeição acima de 50%. Mesmo os que não foram diretamente envolvidos em investigações, todos fizeram parte de partidos mais corruptos como o PP, PT, PMDB e PSDB. No caso do PP, o partido é um dos que mais recebeu propina da JBS de Joesley Batista, da Odebrecht, num total de quase R$ 300 milhões, segundo o MPF.

A quantidade de políticos que perderam a confiança da maior parte da sociedade é enorme. Todos os atuais pré-candidatos tiveram algum contato com dinheiro da JBS-Friboi, Odebrecht e OAS. Embora as pesquisas eleitorais apontem alguns favoritos, apenas 36% dos eleitores manifestaram sua intenção de voto até agora, na média das últimas pesquisas espontâneas, aquelas em que o entrevistado cita o nome de um candidato. O fato de quase 65% dos eleitores não terem manifestado desejo de votar em nenhum dos candidatos reflete a desilusão com a classe política brasileira, num fenômeno que pode ser atribuído à uma espécie de maldição da corrupção.

O ex-presidente Lula é apontado como o chefe de uma organização criminosa que teve início no processo do mensalão. Com dinheiro desviado dos cofres públicos, Lula formou uma gigantesca base aliada. Todos os políticos e partidos que fizeram parte desta famigerada base aliada tinham até certo ponto conhecimento sobre os esquemas de corrupção e o dinheiro que irrigou a política nacional ao longo da última década e meia.

Não é por acaso que Lula se tornou réu em sete ações penais e foi condenado na primeira e segunda instância logo na primeira delas, relativa ao caso do triplex do Guarujá.

O PT levou mais de três décadas para consolidar a fidelização de cerca de 45% do eleitorado, sendo que tinham como meta alcançar 60% de votos cativos no âmbito de seu plano de poder duradouro. O partido investiu pesado na conquista de corações e mentes através das políticas de aparelhamentos do Estado, controle de movimentos sociais, sindicais e coletivos de toda sorte. Além de todos estes métodos constantes de cartilhas socialistas, o PT adotou ainda uma das mais poderosas peças de propaganda: a concessão de salários e privilégios a servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário incompatíveis com a arrecadação do país.

Lula e o PT roubaram o dinheiro do contribuinte através de esquemas mirabolantes como o conluio com empresas corruptas que faziam doações milionárias a partidos da base aliada de seus governos e drenou mais ainda o dinheiro do povo elevando os salários de juízes, procuradores da República e a concessão de benefícios vergonhosos, como o famigerado auxílio-moradia.

A apatia da maior parte da população por todos os candidatos que até o momento assumiram suas pré-candidaturas faz sentido. Praticamente todos estiveram com o PT e se beneficiaram direta ou indiretamente dos esquemas de corrupção e concessão de privilégios indecentes. Quem esteve em partidos como PP, PPB, PTB, PSOL, PCdoB, PDT, PR, PMDB e outros que fizeram parte da base aliada dos governos de Lula e Dilma contribuíram para empurrar o país para a pior recessão de sua história. Por outro lado, até partidos como o PSDB foram apontados como beneficiários de doações suspeitas por parte dos tradicionais aliados de Lula e Dilma que se locupletaram do dinheiro do contribuinte no BNDES. Enquanto alguns eleitores se precipitam em escolher logo seus candidatos, 60% dos brasileiros ainda preferem manter a cautela antes de apontar para os novos caminhos do país com o voto. Não é por acaso que os atuas pré-candidatos favoritos ostentam índices de rejeição na casa dos 60%.

Faltando sete meses para as eleições presidenciais, nenhum dos pré-candidatos entre os favoritos conseguiu apresentar rejeição abaixo de 50%, segundo o Barômetro Político Estadão-Ipsos, pesquisa de opinião pública que todos os meses avalia a imagem de personalidades do mundo político. O que os pesquisadores dizem aos entrevistados é o seguinte: “Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor(a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no País”. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) foi desaprovado por 69%, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por 68% e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem taxas  de desaprovação de 58% dos entrevistados.

O eleitor tem um grande desafio pela frente. Os mais de 60% de eleitores que ainda não escolheram seus candidatos deverão analisar o passado dos políticos, em que partidos passaram a maior parte de suas carreiras, como votaram e o que fizeram pelo país ao longo dos últimos 20 anos. É o dever de casa do eleitor consciente. Muitos dos atuais candidatos que fizeram  parte da base aliada dos governos do PT votaram  contra o Plano Real, contra a reforma administrativa que permitiu a privatização de dezenas de estatais. Votaram contra a quebra do monopólio nas telecomunicações e na exploração do Petróleo. Se o Brasil fosse depender dos votos destes políticos, o país teria 900 mil funcionários de estatais a mais hoje, produziria menos da metade do petróleo que produz, teria hiperinflação e a população ainda estaria falando em orelhão, não necessariamente nesta ordem.

Lula será preso e sabe que nunca mais disputará uma eleição. Mesmo que alguns permaneçam impunes, o fato é que muitos políticos ainda serão afetados pela maldição do ladrão.

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