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A tragédia dos comuns nas eleições de 2018. O país paga um alto custo até hoje pelas escolhas dos brasileiros



O economista e professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas Samy Dana fez uma brilhante abordagem sobre o a teoria econômica da "Tragédia dos comuns",  em uma matéria que foi ao ar nesta sexta-feira, 09, no Jornal da Globo.

Baseado em um ensaio do matemático amador William Forster Lloydo conceito se popularizou após uma publicação do ecologista Garrett Hardin, o ensaio "The Tragedy of the Commons", 1968 na revista Science. A Tragédia dos comuns é basicamente um conceito no qual podem ser avaliados os desequilíbrios decorrentes do comportamento coletivo no compartilhamento de bens e interesses comuns.

Samy Dana demonstrou na reportagem como as pessoas tendem a pensar em si em detrimento do bem comum e como o comportamento afeta o dia a dia das pessoas em situações comuns, como no consumo de água em um condomínio. No exemplo, o economista tomou o exemplo de um condomínio onde a conta de água era única e rateada entre todos os moradores do prédio. Cada unidade consumia em média R$ 90,00 por mês com o consumo de água. A adoção de medidores individuais fez com que a conta de cada unidade caísse para R$ 63,00 em média.

Isto significa que cada morador gastava 30% a mais de água, imaginando que os outros moradores do condomínio também gastavam sem se preocupar com o bolso do vizinho. Quando cada um passou a pagar pelo próprio consumo, os gastos foram reduzidos. Ignorando o aspecto econômico e o consumo dos recursos naturais excessivos, o conceito revela que indivíduo que age visando os próprios interesses em detrimento dos interesses da coletividade pode ser aplicado ao processo eleitoral, no qual indivíduos escolhem e militam por políticos que atentam aos seus interesses, em detrimento dos interesses da sociedade como um todo.

Os políticos, de modo geral, sabem bem como explorar este aspecto do comportamento humano na hora de pedir votos. Muitos se apropriam de pautas caras aos cidadãos de determinados grupos sociais, como os grupos LGBTS, os operários, os segmentos da classe média que veem seus bens ameaçados pela criminalidade, os negros, enfim. Para obter capilaridade rápida entre os eleitores, políticos se apropriam de bandeiras e fazem delas peças de campanha, contando com este aspecto do comportamento humano, no qual pessoas se agrupam em torno de interesses comuns que não representam os anseios da sociedade como um todo.

A tragédia dos comuns ocorre quando um pequeno grupo elege um parlamentar que vai legislar apenas em favor dos operários, dos grupos LGBTS, das Polícias e da indústria de armas, etc. Todo cidadão paga o salário de um parlamentar, mas ele acaba atuando na defesa dos interesses de uma pequena parcela da sociedade apenas.

Indivíduos interessados apenas em seu próprio bem-estar tendem a eleger apenas os políticos que se comprometem a atender seus interesses específicos. É desta forma que os interesses da sociedade como um todo se fragmentam nos parlamentos e até mesmo nos executivos. Quando um político atua na defesa predominante de um segmento da sociedade, o outro padece. O Brasil colhe os frutos amargos decorrentes deste tipo de comportamento do eleitor. Os últimos governos do PT de Lula e Dilma privilegiaram servidores, membros do Judiciário, do Ministério Publico, setores empresariais, banqueiros meios de comunicação e uma série de grupos econômicos dispostos a financiar um plano de poder que custou caro ao cidadão. Os gastos excessivos com salários generosos, aparelhamento da máquina pública, verbas subsidiadas, juros altos e outros agrados causaram um rombo enorme nos cofres públicos e impediram que houvesse redução de impostos para todos os brasileiros.

A tragédia dos comuns sob o ponto de vista do voto é uma situação em que indivíduos, agindo de forma independente e racionalmente de acordo com seus próprios interesses, se comportam em contrariedade aos melhores interesses de uma comunidade, esgotando as chances de que sejam atendidos os interesses comuns da sociedade como um todo. O comportamento egoísta durante as eleições representa o desprezo pelo bem comum mais caro: a Democracia.

Este tipo de conduta ocorre em todas as eleições municipais, estaduais e nacionais. Grupos coesos, formados por funcionários públicos, professores, policiais e outros segmentos do serviço público passam a atuar como cabos eleitorais de candidatos dispostos a garantir a manutenção de seus privilégios, benefícios e salários acima dos recebidos pelo cidadão comum. Nas três últimas eleições presidenciais, servidores federais, funcionários do Banco do Brasil, Petrobras e até mesmo dos Correios atuaram como cabos eleitorais do PT. Ao longo de 13 anos no poder, os governos do PT de Lula e Dilma drenaram bilhões dos cofres públicos, quase faliram a Petrobras e deixaram os Correios em petição de miséria. O voto corporativista é um perigo para qualquer nação. O eleitor deve ficar atento à origem dos políticos, o que e quem eles representam. É fácil identificar queles que tentam voltar uns contra os outros, que não falam em nome dos interesses da sociedade como um todo.

Estes indivíduos, responsáveis pela "tragédia dos comuns", atuam nas ruas, nas redes sociais e fazem até vaquinhas para promover seus candidatos. O cidadão comum, influenciado por 'militantes' disfarçados de cidadãos. acabam caindo na armadilha. Neste caso, não são os recursos naturais do planeta que serão desperdiçados em benefício de poucos, mas os recursos da União, o dinheiro do contribuinte, que continuará sendo usado para bancar privilégios das elites e grupos dominantes. A Tragédia propriamente dita, afeta apenas os cidadãos comuns.

Visto por este ângulo, a tragédia vivida por milhões de brasileiros nos últimos anos, quando mais de 500 mil empresas faliram e mais de 14 milhões de chefes de família ficaram seu emprego, pode ser colocada na conta daqueles que escolheram governantes de acordo com seus interesses e paixões pessoais cegas, sem levar em conta os interesses da sociedade e do país.

Veja aqui no G1 a matéria de Samy Dana

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