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A intervenção no Rio. O que artistas, setores da PM, milícias, políticos e setores da esquerda tanto temem?



Embora tenha representado um grande alívio para a sociedade, o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro incomodou muita gente influente, desde o anúncio da medida por parte do governo federal. Mas se o Exército tem participado com relativa frequência de operações no estado desde o ano de 2010, qual seria o motivo de tanto barulho desta vez?

Artistas, Políticos, ONGs, ativistas de esquerda e até setores inteiros da Polícia Militar se manifestaram energicamente contra o decreto, logo que ele foi anunciado há cerca de duas semanas. Inconformados, políticos da oposição e ex-comandantes da PM vieram a público manifestar seu repúdio pela iniciativa nos moldes que ela foi feita.

Enquanto alguns setores apelavam para a questão dos direitos humanos e chegavam a comparar a intervenção com a volta da ditadura, outros, ainda mais indignados, cobravam que as autoridades constituídas concedessem licença para que os policiais e militares pudessem matar os criminosos. Matar para quê? Queima de arquivo?

Embora possa ser comparada com outras ocupações de militares das Forças Armadas, esta intervenção no Rio é inédita e jamais algo parecido foi feito desde a Constituição de 1988. Segundo uma fonte ligada ao ministro Torquato Jardim, não fosse o profundo conhecimento do presidente Michel Temer sobre direito constitucional e sua ótima relação com a Cúpula das Forças Armadas, a intervenção não seria possível. Diferentemente de outras operações, o decreto do governo retirou todas as atribuições de civis na Secretaria de Segurança Pública, transferindo o controle total a Generais do Exército. Com isso, políticos e a alta cúpula das forças policiais do estado perderam o comando sobre suas próprias polícias. É justamente este aspecto da intervenção que mais incomodou os críticos do decreto, pois esta medida deixou centenas de poderosos vulneráveis. O próprio governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, pediu para que o presidente mantivesse a Secretaria de Segurança Pública sob seu comando, mas o presidente Michel Temer foi inflexível ao retirar do governador uma prerrogativa prevista no pacto federativo.

Até o momento, mais de dez comandantes de batalhões da Polícia Militar já fora removidos de suas funções. A estimativa é a de que todos os comandantes de batalhões e chefes de delegacias da Política Civil sejam também removidos.

Todos os políticos, policiais e bandidos do Rio de Janeiro estão cansados de saber que as forças policiais do estado são coniventes com o crime organizado há mais de 20 anos. Até as calçadas da Baixada Fluminense sabem que existem até tabelas para achacar facções criminosas nos batalhões da Polícia Militar. Havia ainda uma verdadeira disputa interna entre oficiais para assumirem o comando de Batalhões mais rentáveis, onde uma festa de traficantes portando fuzis poderia render até R$ 50 mil em "taxas" pagas aos oficiais da PM. Nos bailes realizados pelos traficantes do Rio, o comércio de drogas é liberado, todos os integrantes das facções criminosas levam suas pistolas, metralhadoras e fuzis para suas festinhas e as viaturas da Polícia são instruídas a evitarem as localidades onde os bailes são realizados.

Desde o anúncio da intervenção no Rio, dezenas de integrantes de facções criminosas já foram assassinados no Rio, dentro de presídios e até mesmo em outros estados do nordeste e em São Paulo. Várias cargas de drogas, armamentos e munições foram milagrosamente apreendidas pelas polícias nos últimos dias. O cerco está se fechando.

Segundo o polêmico Hélio Luz, ex-chefe da Polícia Civil no Rio, apontar o espelho para as favelas do Rio não vai resolver nada o Certo é "apontar o espelho de volta para as elites, para a classe média e para as forças de segurança". Hélio Lula é categórico quando afirma que "O problema do Rio não são os bandidos. O problema do Rio são os mocinhos". Não é por acaso que os críticos da intervenção parecem estarem mais preocupados com a medida que os próprios criminosos.

Isto explica o desespero de todos os críticos da intervenção no Rio. Parte do poder político no estado sempre foi financiado pelo crime organizado  e pelas forças policiais corruptas, milícias e grupos financiados pelos barões do tráfico que moram em coberturas na Zona Sul e na Barra. Gente acima de qualquer suspeita. Não é por acaso que se diz no Rio que os melhores cabos eleitorais são os PMs e os chefes de facções criminosas. É deles que costuma partir as ordens para que os moradores das comunidades votem em fulano o ciclano.

A indicação do General Braga Netto também incomodou muita gente que podem ter seus interesses afetados pela reestruturação da Segurança Pública no Rio, hoje comandada por três generais da ativa.
O general Braga Netto é ninguém menos que o chefe do  Comando Militar do Leste. Segundo o ex-chefe da Polícia Civil no Rio, Hélio Luz, o CML é o mais antigo e o mais completo arquivo de informações sobre os integrantes das polícias Civil, Militar e dos bombeiros do Estado do Rio.

20% dos denunciados no Gaeco - o grupo de atuação especial de combate ao crime organizado do Ministério Público do Rio, são ex-policiais, policiais civis e militares. Em um dos casos recentes de corrupção na PM investigados pelo Gaeco, vários oficiais foram presos envolvidos em um esquema fraudulento na compra de aparelhos de ar-condicionado. Entre os que foram detidos, estão o major Delvo Nicodemos, o coronel Ricardo Coutinho Pacheco, ex-chefe do estado maior da corporação e outros cinco oficiais da PM.

Durante uma entrevista ao jornalista Josias de Souza em outubro do ano passado, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que os “Comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio.” O ministro ainda atribuiu o assassinato de um coronel da PM à uma operação de queima de arquivo relacionada a desentendimentos com o crime organizado. Torquato foi além e apontou o dedo para o então secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, não têm nenhum controle sobre a Polícia Militar e disse ainda que o comando da PM fluminense decorre de “acerto com deputado estadual e o crime organizado”.

Na ocasião, o deputado Flávio Bolsonaro (PSC), integrante da Comissão de Segurança da Alerj, reagiu com fúria às declarações do ministro da Justiça. "A forma como o ministro denuncia, sem dar nomes, é leviana. Ou esclarece, e cai a cúpula do Rio e deputado acusado, ou pede pra sair", afirmou numa postagem em rede social pouco antes do meio-dia (aqui).

Mas o deputado Flávio Bolsonaro não foi o único a manifestar sua indignação. O então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), criticou o ministro, assim como deputados estaduais de todos os partidos. "Não há interferência política [na nomeação da cúpula da PM]. Por isso, eu chamo o ministro de mentiroso. Se ele tem provas e nomes, hoje já deveria ter tido uma operação da Polícia Federal para prender todos aqueles que estão cometendo atos ilícitos”, afirmou Picciani, que cobrou do presidente Michel Temer, que fez silencio sobre o tema, uma posição oficial.

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) também reagiu contra a denúncia de Torquato Jardim sobre a podridão na Polícia Militar do Rio: “O ministro da Justiça não é comentarista. Ele acusa um deputado estadual, policiais militares e uma série de autoridades [...] Ele tem de demonstrar se já existem investigações em curso. E, além disso, o que ele está fazendo enquanto ministro da Justiça”, queixou-se o deputado do PSOL-RJ).

Picciani mentiu sobre a interferência política na nomeação da cúpula da PM e de comandantes de Batalhões. Esta é uma das maiores queixas da parte honesta da corporação. Embora tenham que ficar calados sobre as irregularidades que testemunham em seu dia a dia, há relatos de policiais que afirma que é impossível combater a criminalidade com políticos, financiados pelo crime organizado, terem o poder de nomear membros da cúpula da PM. "Até vereadores de cidades como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo e São João de Meriti tem poder de escolher quem manda nos batalhões e delegacias destas cidades", denunciou um dos policiais militares presos na operação do Gaeco que desbaratou no final de novembro de 2017.

O alvo foi um bando formado por policiais militares que extorquia dinheiro de traficantes para não reprimir a venda de drogas em pelo menos 13 comunidades de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Os mandados de prisão contra policiais militares do 12°BPM (Niterói), do 7ºBPM (São Gonçalo), do Batalhão de Choque e até da Polícia Ambiental. Outros quatro policiais já estavam presos. Meses antes, em junho de 2017, a operação Calabar (aqui) culminou na prisão de 96 Policiais Militares  lotados no 7º BPM (São Gonçalo) entre 2014 e 2016 e são acusados de receber propina, além de venda de armas.

As declarações do ministro não são nenhuma novidade para os moradores do Rio que veem com certa frequência como a corrupção policial carcome a luta contra o narcotráfico e ocupa as manchetes dos jornais locais. Poucos dias antes da declaração de Torquato Jardim, um comandante e 11 policias militares de uma UPP foram presos por guardarem armas, drogas e munição nos seus armários. Outro oficial responsável pelo policiamento na área de Mesquita, na Baixada Fluminense, foi preso em flagrante com envelopes de dinheiro dentro de um batalhão da Polícia Militar. Poucos dias antes, 96 PMs foram detidos suspeitos de integrarem um esquema com traficantes. Isto sem contar a faixa expressa que separa o cidadão do Estado em áreas dominadas por milícias, organizações paramilitares formadas por ex-policiais e criminosos que dominam grandes comunidades no Rio de Janeiro.

A intervenção no Rio já vinha sendo planejada desde o mês de junho de 2017. O próprio ministro da Justiça deixou escapar isso quando afirmou que "Há toda uma linha de comando que precisa ser investigada, [que está] sendo analisada. Nós temos informação: 10 milhões de reais por semana na Rocinha com gato de energia elétrica, TV a cabo, controle da distribuição de gás e o narcotráfico. Em um espaço geográfico pequeno. Você tem um batalhão, uma UPP lá. Como aquilo tudo acontece sem conhecimento das autoridades? Como passa na informalidade?”,  disse Torquato a O Globo.

Não é por acaso que os críticos da intervenção federal no Rio de Janeiro atuam de formas diferentes para tentar acabar com a esperança da população do estado na erradicação do crime organizado, de seus financiadores e beneficiários. Uns apelam para a questão dos direitos humanos, outros defendem os policiais e outros exigem queima de arquivo total, algo que contraria as iniciativas mais avançadas no mundo no combate à violência e a criminalidade. Polícias de todo o mundo investem na letalidade zero, justamente para poderem capturar criminosos com vida, e assim conseguir chegar aos chefes do crime organizado. Em todo o mundo democrático, as tropas de elite, como a SWAT americana, foram criadas para viabilizar a meta de letalidade zero. Elas foram concebidas para atuar em situações de alto risco com um grau de expertise maior, sem precisar fazer uso desproporcional da força.

As forças especiais em todo o mundo são treinadas para operações de ataques coordenados a alvos específicos, tais como: criminosos fortemente armados em locais abrigados, mandados de prisão de alto risco e operações com reféns localizados e desativação de artefatos explosivos, além de atividades como escolta VIP e combate ao "inimigo interno" (atividade terrorista). O General Braga Netto pretende atuar nos mesmos moldes na intervenção no Rio de Janeiro. Para estas operações, o interventor já tem ao seu dispor cerca de 2 mil homens Forças Especiais do Exército conhecidos como "Fantasmas". Considerada a tropa de elite do Exército Brasileiro, os integrantes são submetidos a treinamento de alto nível.

O treinamento, que dura em média cinco anos, é considerado muito superior à média dos demais soldados do Exército: além de usarem táticas de guerrilha, a tropa de elite aprende estratégias de combate à criminalidade urbana, fazem treinamentos com oficiais do Bope da PM e com militares de unidades especiais de outros países.

O que mais impressiona na reação dos críticos da intervenção no Rio de Janeiro é justamente a forma prematura com que políticos, artistas e 'especialistas em segurança pública' ligados à PM se lançaram contra o decreto. O deputado Jair Bolsonaro chegou a declarar ao site Poder360 que a intervenção foi “mais uma medida paliativa que vai durar 20, 30 dias”. No vídeo abaixo, artistas, ativistas de esquerda, políticos e pessoas  'especialistas em segurança pública' ligados à PM repudiam a iniciativa antes mesmo da realização das primeiras operações militares que estão sendo elaboradas pelos serviços de inteligência do Governo, Forças Armadas e Forças Policiais de todo o país. É até estranho notar que críticos contumazes da PM agora defendem os policiais, em detrimento do nobre esforço dos integrantes das Forças Armadas em ajudar a tirar o estado das mãos do crime organizado com o qual alguns artistas, políticos e ativistas de esquerda foram coniventes ao longo dos últimos 20 anos.

Até mesmo alguns meios de comunicação manifestam insatisfação com a iniciativa, jornalistas manifestam seu descontentamento com reticência do General Braga Netto em 'fornecer' maiores detalhes sobre as operações, enquanto outros órgãos da imprensa sonegam o êxito das Forças Armadas em incursões em áreas críticas dominadas pelo crime organizado, como São Gonçalo, Vila Kennedy e Chapadão, região marcada pelo alto número de roubo de cargas, atividade que teve queda de mais de 90% nas últimas semanas. Neste fim de semana, militares do Exército fizeram a primeira incursão na Vila Kennedy sem a presença de policiais Militares, Civis ou Federais. Sozinhos, os militares do Exército derrubaram barricadas, vistoriaram veículos e prenderam dois suspeitos por desacato a militar. A população da comunidade, embora ainda tímida e insegura, apoiou a operação.

Setores da imprensa não estão gostando nada disso. A ordem em algumas redações agora é mostrar alguns crimes para insinuar que a intervenção no Rio está fracassando, uma tarefa cada vez mais difícil para os jornalistas. Neste momento, agentes políticos, ativistas de esquerda, pessoas ligadas ao crime organizado, policiais corruptos, consumidores de drogas e outros interessados no fracasso da intervenção no Rio atuam fortemente nas Redes Sociais tentando influenciar os brasileiros contra a iniciativa. Os interesses por trás das campanhas contrárias à intervenção militar são múltiplos, ocultos e sujos. Nenhum destes atores gostaram da manobra que tirou dos policiais militares o poder de controlar a Segurança Pública no Rio. Neste caso, muitos policiais inimigos do povo à serviço do crime organizado. A intervenção no Rio pode abalar profundamente as estruturas do crime organizado que financia boa parte daqueles que a criticam agora. Políticos, policiais corruptos, empresários e gente acima de qualquer suspeita formam os grupos que dependem dos milhões que o crime organizado movimenta no Rio. O modus operandi do crime organizado com a parcela das polícias em todo o Brasil é basicamente o mesmo e consiste na corrupção de agentes públicos e no financiamento de campanhas eleitorais de políticos ligados ou ao crime organizado, aos interesses de certos setores das polícias e até mesmo empresários do ramo do entretenimento, como produtores de grandes shows e investidores em  casas noturas.

A população do país não está ainda familiarizada com os métodos inovadores que serão colocados em prática nesta intervenção. Mesmo diante de tanta desinformação, de tantas campanhas e manifestações contrárias à iniciativa, 86% da população do país apoia a intervenção federal no Rio de Janeiro. Independente das críticas, a expectativa da nação é que este seja um recado para o crime organizado de todo o país. Se der certo, O Brasil caminhará para um novo modelo de Segurança Pública em todos os Estados. O país torce pelo Rio de Janeiro.


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