Se brasileiros continuarem a consumir tanta droga, crime organizado local poderá se converter em ameça terrorista constante



O Brasil vive uma guerra urbana que tem causado centenas de mortes de inocentes a cada ano em todo o país. Para assegurar territórios e clientes conquistados, o crime organizado tem se fortalecido e investido como nunca na aquisição de armas de guerra.

O país se tornou um dos maiores mercados de drogas no mundo e os traficantes já movimentam mais de R$ 12 bilhões por ano apenas com o comércio de maconha. O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos e aparece ainda como o maior mercado mundial do crack, conforme revelou o Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Estes números tornam o Brasil um mercado imprescindível para os narcotraficantes dos países vizinhos, pois o custo de envio da droga para um mercado tão gigantesco é bem menor que em outras operações de envio para os Estados Unidos, Europa e Ásia. Embora o país seja usado como corredor para o tráfico internacional, os narcotraficantes comercializam cerca de R$ 20 bilhões em drogas para o mercado interno.

Uma das peculiaridades desde mercado é que o consumo de drogas não segue as regras de demanda observadas em outros ramos da atividade econômica. Os traficantes sabem que, quanto maior a oferta, maior o número de consumidores. Isto significa que o Brasil, além de ser um dos maiores mercados do mundo, pode se tornar ainda mais atraente para os narcotraficantes. A expansão do tráfico para cidades do interior é um processo em avançado estágio de ramificação do crime organizado em todo o país. A disputa por mercados tende a se acirrar, na medida em que as facções se consolidam como organizações criminosas bem armadas e articuladas com fornecedores estrangeiros.

Neste cenário onde cada vez mais consumidores fortalecem pequenos distribuidores, mais o país avança para se tornar refém de narcotraficantes que atuam nos moldes de grupos terroristas para assegurar seus mercados.

Há cerca de duas semanas, a explosão de um carro-bomba na província de San Lorenzo no Equador deixou 28 pessoas feridas. A explosão foi registrada na parte de fora de um prédio da Polícia na província de Esmeraldas, e foi atribuída pelo presidente, Lenín Moreno, como um "ato terrorista ligado a grupos de traficantes de drogas"

O ministro do Interior do Equador, César Navas, disse em coletiva de imprensa que a explosão do "carro-bomba" aconteceu por volta de 1h45 (horário local, 4h45 em Brasília) na província de Esmeraldas, no noroeste do Equador e fronteira com a Colômbia.

"Fatos como estes acontecem, sem dúvida alguma, devido ao forte e exitoso trabalho que vem sendo feito na região no combate direto ao crime organizado", disse Navas, assegurou que as operações que realizaram "estão atacando, debilitando organizações de crime transnacional vinculadas ao narcotráfico".

"Isto (o atentado), sem dúvida alguma, como Estado, não vai nos amedrontar, mas ao contrário, são incentivos que temos para saber que estamos no caminho correto e que toda o Governo (...) está com uma meta muito firme no combate direto ao crime organizado", declarou o ministro.

Navas destacou que o Equador é "um país de paz", apontando que suas autoridades se comprometem a mantê-lo dessa maneira.

Este é apenas um pequeno exemplo de como os narcotraficantes agem quando percebem que seus negócios estão sendo ameaçados pelo Estado. A situação no México é ainda mais grave. Nem mesmo as Forças Armadas estão conseguindo deter a escalada da violência com a guerra declarada por grupos que disputam o controle do tráfico de drogas em várias regiões do país. Há 20 anos, existiam sete grupos produzindo, movimentando e vendendo drogas no país, hoje existem mais de 400. Entre os dias 1º e 9 de janeiro, mais de 200 pessoas foram assassinadas no México por causa de acertos de contas entre narcotraficantes. Outro problema é que os próprios políticos são alvo da violência dos criminosos. Desde setembro, 25 políticos foram assassinados em plena campanha eleitoral no país, que registrou quase 30 mil assassinatos em 2017. Parece pouco se comparado ao Brasil, mas o México tem quase a metade da população.

Enquanto as autoridades gastam milhões para conter o avanço do narcotráfico no Brasil, artistas, políticos da esquerda e intelectuais insistem no debate sobre a descriminalização das drogas no país,  estimulando indiretamente o crescimento vertiginoso do consumo observado durante os anos de governos do PT. Esta semana, traficantes da favela da Rocinha colocaram uma faixa na entrada da comunidade ameaçando o STF, caso o ex-presidente Lula seja preso.

O fato é que os consumidores de drogas são os únicos responsáveis pela escalada da violência no país, onde mais de 80% dos homicídios e assaltos estão diretamente relacionados com o tráfico de drogas. Grupos criminosas explodem bancos, carros fortes e assaltam cargas para obter recursos para comprar drogas e armas. É desta forma que as organizações criminosas agem para entrar ou ampliar seus negócios relacionados ao tráfico, forjando uma demanda por drogas cada vez maior.

Neste sentido, a tolerância da sociedade com usuários de drogas também é um fator preponderante. Na medida em que se aceita conviver com naturalidade com um usuário de drogas, a sociedade acolhe um financiador da guerra promovida pelo crime organizado e e os narcotraficantes. As consequências desta tolerância que recaem sobre a própria sociedade podem se tornar ainda mais graves no futuro, como já ocorre no México, Equador e outros países dominados pela indústria das drogas.

A sociedade tem como exercer influência para evitar o agravamento da situação no país, hostilizando ou denunciando pessoas que fazem uso de drogas em locais públicos, como praças, praias e locais de eventos. São estas pessoas que estão armando os grupos criminosos que avançam sobre a própria sociedade e o Estado com vigor cada vez maior.
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