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Relação íntima entre maconheiros, traficantes, ativistas de esquerda e PM forma mercado bilionário no qual prospera o crime organizado no Brasil



Enquanto Policiais Militares atuam no varejo combatendo e até mesmo tolerando as atividades de pequenos vendedores de drogas, políticos, comandantes de batalhões da Polícia Militar, Delegados e outras autoridades fazem vista grossa em relação aos barões do crime organizado.

Não haveria como o comércio de drogas prosperar tanto no Brasil nos últimos anos sem a conivência das forças policiais dos estados. Basta chegar em qualquer praça e perguntar onde tem uma boca de fumo ou quem vende cocaína para encontrar dezenas de fornecedores bem vestidos e acima de qualquer suspeita. Existem pontos de vendas de drogas no país que funcionam no mesmo lugar há décadas.

A receita do fracasso nas políticas de segurança pública em todo o país é composta por ingredientes já conhecidos do grande público. O principal deles é o usuário de drogas, que entrega milhões de reais por dia nas mãos de pequenos e 'inofensivos' distribuidores de maconha, crack, cocaína e 'balas' sortidas. Em seguida, todo este dinheiro é entregue nas mãos dos chefes do tráfico, que negociam com as forças policiais as licenças para operar em paz. Os policiais levam o groso para os comandantes do batalhões responsáveis pela área e depois partilham o dinheiro com outros oficiais, autoridades, juízes e políticos. Na outra ponta, o chefe do tráfico entrega outra parte significativa das vendas de drogas para os barões do tráfico, responsáveis pelas negociações com os narcotraficantes, vendedores de armas e negociação de rotas para trazer as mercadorias em segurança até os pontos de distribuição. Normalmente, estas operações envolvem repasses de comissões para agentes de segurança responsáveis pelas rotas por onde trafegam drogas, armas e munições.

Obviamente, nem todos os policiais estão envolvidos diretamente nestas operações vergonhosas, mas a maioria deles tem juízo suficiente para não se meter com estes assuntos. É claro que muitos ficam constrangidos quando são indagados sobre as razões de não irem até a boca de fumo da esquina e prender todo mundo. Normalmente, eles dizem que isso não resolve o problema e dão de ombros. O problema começa a se tornar mais crítico quando aquele pequeno e inofensivo vendedor de drogas leva para cima do morro um fuzil ponto 50 e algumas AK's 47. Ai a situação passa a envolver a segurança da comunidade, o que justifica o excesso de timidez das forças policiais no enfrentamento do crime organizado. O problema é negligente com que se deixa tais situações chegaram a este ponto.

Normalmente, esta gente se fortalece e resolve dominar outras comunidades virgens. Barracos em locais estratégicos são alugados, comprados ou invadidos. Festinhas são realizadas à luz do dia, com muita cerveja, música e drogas 'na faixa', assim, meio como não se quer nada. Amizades são feitas, acordos são fechados, até que numa bela noite, chega a hora de dar uma 'incerta'. É quando os soldados saem para fora e disparam tiros de fuzis para o alto para 'sentir' a reação da vizinhança, se vai ter algum polícia disposto a comprar o barulho, se vai ter milícia chegando ou se aparece algum valentão querendo colocar um fim na ameaça. Se não aparecer ninguém, é por que está 'tudo dominado". A partir dai, basta espalhar os fogueteiros, colocar um pessoal na contenção e começar a faturar. Logo logo, os comandantes dos batalhões chegam a um acordo interessante para 'ambas as partes' e tudo flui com a maior naturalidades. Obviamente, os moradores destas comunidades perdem a liberdade e passam a conviver com as ameças e as regras dos novos donos do morro. Enquanto aqueles que possuem alguma condição se mudam, outros que não tem para onde correr acabam se sujeitando às novas regras.

A posse de território chancelada pelas autoridades é sagrada. Normalmente, a polícia só invade os morros quando traficantes rivais tentam tomar o império um do outro. Nestes casos, o estado se faz presente para garantir a ordem nas coisas e impedir  que um traficante tome do outro seu negócio. Em alguns casos, há represálias e os custos podem ser altos para aqueles que violam as regras de convivência pacífica. Muitos perdem cargas valiosas de drogas como forma de punição. De quebra, ainda perdem alguns soldados.

Muitas pessoas não entendem como funciona o crime organizado e de que forma o comprador de drogas ajuda a transformar a vida da sociedade num verdadeiro inferno. É possível considerar a existência de um pacto de convivência pacífica (e lucrativa) firmado entre os gerentes do tráfico de drogas e os comandantes dos batalhões de Polícia Militar. Segundo as normas que regem este pacto, um não pode mexer com o soldado do outro, desde que cada um esteja em seus devidos postos. Lugar de policial é no asfalto e de traficante é no morro. A clientela pode circular entre um território e outro livremente, pois é ela que irriga toda esta estrutura com seus trocados. Pouco dinheiro não enche o bolso de ninguém e pouca droga não leva ninguém para a cadeia e é assim que as coisas fluem.

Eventualmente, os gerentes do tráfico precisam desesperadamente compor o caixa para efetuar o pagamento de alguma remessa que venderam e, por uma razão ou outra, não souberam 'administrar" os recursos. Quando isso acontece, muita gente pode ficar descontente. Não adianta chorar para a PM, dizer que o comércio está fraco. Também não adianta invetar uma desculpa esfarrapada para o fornecedor de drogas e armas. As negociações no mundo do crime não são tão elásticas quanto no no mundo dos negócios formais.

Nestas condições, os gerentes do tráfico perdem o juízo e fazem muita besteira. Para reunir os recursos que precisam para honrar seus compromissos, convocam seus soldados e lhes delega missões além de seus territórios. O negócio é trazer mercadorias e dinheiro. Como um soldado tem que cumprir ordens para evitar castigos desagradáveis, todos descem para o asfalto para roubar celulares, motos, automóveis, cargas, pequenos mercados, enfim. É neste momento que pessoas alheias à orgia criminosa entre as pessoas envolvidas na cadeia que financia o crime organizado, como os usuários, vendedores inofensivos, PM's, gerentes, traficantes e comandantes de batalhões. Como nestes momentos, o pacto de convívio pacífico foi quebrado e os soldados do tráfico  invadiram o o asfalto, ocorre a tradicional guerra de gato e rato que todos conhecem. A Polícia prende um bandidinho ou o bandidinho mata um policial. Isto ocorre por que os comandantes dos batalhões, os políticos e as autoridades estão sempre "muito preocupados em mantes a ordem social".

Toda esta pouca vergonha ocorre há décadas no Brasil. Em alguns lugares de forma mais organizada, em outros mais esculachada. Quanto mais grave a crise de segurança, mas as polícias exigem aumentos salariais e assim as coisas seguem sem que nada seja resolvido. Esta situação tem sido tolerada por governadores e presidentes da República e há inclusive quem defenda este tipo de atividade econômica que irriga os subterrâneos da política nacional e representa uma pequena renda extra para as forças de segurança. Quem financia toda esta orgia é o usuário de drogas que acredita que temo direito de fazer o que bem entender com seu corpo, que não abre mão do seu bel prazer e está pouco se lixando para as consequência de seus atos para o restante da sociedade. Como já foi dito aqui no Imprensa viva, "um trago = uma bala = uma vida de inocente" e um monte de gente lucrando com isso tudo.

Por mais que estas situações pareçam absurdas e revoltantes, não há como conceber que num país com quase 500 ml policiais militares e gastos de quase R$ 100 bilhões por ano com segurança pública não sejam suficientes para conter um bando de ratos dominando áreas urbanas sem serem incomodados.

O presidente Michel Temer foi o primeiro da história do país a se arriscar a enfrentar toda esta cadeia criminosa. Ao decretar a intervenção federal no Rio de Janeiro, Temer entregou toda a estrutura da Segurança Pública para um General de Exército, que terá autonomia total para comandar operações independentes de combate à criminalidade. Será uma batalha difícil contra forças ocultas, poderosas, covardes e influentes. O General Braga Netto será o interventor e comandante de todas as forças policiais do Rio, além do efetivo de quase 30 mil homens do Comando Militar do Leste. O responsável direto por todas as operações é o  Comandante Supremo das Forças Armadas,  o Presidente Michel Temer.

"Se você tem polícia corrupta, você não vence a violência. Elas estão mais ligadas do que você imagina. Quanto mais séria e íntegra for a polícia, mais capacidade ela tem de virar o jogo da violência."

Esta é a opinião de José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública,

 "As mazelas do Rio de Janeiro não foram cuidadas, e já sabiam disso, afirmou Silva Filho em entrevista ao UOL.

A altíssima taxa de corrupção na polícia, principalmente na PM, já era visível naquela época. Sucessivas operações, inclusive da Polícia Federal, prenderam capitães, majores, coronéis envolvidos com o crime. No entanto, essa questão não foi resolvida", diz Silva Filho, especialista em segurança pública que já prestou consultoria para dois governadores do Rio, Anthony e Rosinha Garotinho.

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