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Poucos dias antes da intervenção, moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu protestavam contra a violência no Rio



Após reclamarem bastante contra a escalada na criminalidade no Rio de Janeiro, militantes da esquerda, gente ligada a movimentos sociais, ONGs, artistas e pseudo intelectuais estão reclamando da 'intervenção federal' decretada pelo presidente Michel Temer no Estado Agora é tarde.

Poucos dias antes da assinatura do decreto, moradores de três favelas realizaram uma passeata da Rocinha até o Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro para protestar contra a violência na cidade. Os manifestantes chamavam a atenção para casos de vítimas de ações policiais em comunidades e também no aumento da violência a partir de uma briga sucessória entre Rogério 157 e seu antigo chefe, o Nem da Rocinha.

O assassinato de policiais foi outro alerta de que a escalada da criminalidade no Rio de Janeiro estava prestes a atingir um nível insuportável pela população. A Rede Globo também deu bastante enfase na cobertura jornalística sobre a onda de criminalidade que se abateu sobre o Rio na semana do carnaval e exibiu cenas chocantes com bandidos assaltando uma senhora e jogando-a ao chão.

A população também registrou e compartilhou centenas de vídeos mostrando ações criminosas nas Redes Sociais. Boa parte destes registros foi parar nas matérias da TV, nos portais e jornais de grande circulação no Brasil e no mundo.

A constatação de que a onda de criminalidade estava se tornando cada vez mais grave foi compartilhada por praticamente todos os setores da sociedade, jornalistas, políticos, forças policiais e principalmente pela população, a maior vítima.

Os registros da onda de violência no Rio precipitaram uma forte reação do Estado, quando o presidente Michel Temer se viu forçado a adotar uma medida drástica decretando uma intervenção federal no Rio. Diante dos números alarmantes, a constatação geral era a de que algo precisava ser feito com urgência.

Mas logo após o anúncio da medida, parte dos setores da sociedade controlados pelas esquerdas brasileiras e setores da imprensa passaram a criticar o decreto, afirmando não haver necessidade de uma ação tão drástica e atribuindo o decreto à uma iniciativa de cunho eleitoreiro.

Obviamente, estes grupos tentam arrastar a tentativa do governo em resgatar a ordem civil no Rio de Janeiro para o terreno político faz parte de uma campanha reversa em ano eleitoral. A violência no rio atingiu níveis alarmantes e todos sabem disso. Como se não bastassem os numerosos casos relatados por moradores, o aumento dos registros de crimes nas delegacias, bloqueios de vias urbanas e notícias veiculadas pela imprensa, outros recursos inovadores ajudaram a registrar o aumento na atividade do crime organizado no estado. Segundo dados do aplicativo Fogo Cruzado, o número de tiroteios registrados entre dezembro e janeiro foi duas vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo os moradores das três favelas que participaram da manifestação contra a violência no dia 06 de fevereiro, as consequências da ação de facções criminosas afetavam as comunidades de formas indiretas “Tem faltado luz constantemente por causa da destruição dos transformadores. Nossos cabos de internet foram repartidos e nossos canos de água furados. Estamos cada vez mais isolados”, reclamou um dos manifestantes. Segundo informações da Light, no ano passado, o Rio viu 202 transformadores danificados devido a confrontos armados.

As escolas da região têm estado em permanente estado de tensão e muitas cancelam aulas por precaução. Para um professor da rede municipal, tanto a polícia quanto os traficantes não tem preocupação nenhuma com a consequência dos conflitos. “Tem creches na área mais alta da Rocinha cheia de furos. Não tem como estudar nem dar aula assim”, queixa-se.

Na ocasião, um dos manifestantes afirmou que a perspectiva a longo prazo é bastante ruim .“Se
a gente for depender do Estado estamos ferrados. A juventude está largada e esquecida”, disse o estudante recém chegado na Rocinha há alguns meses e que já perdeu parentes para a violência recente.

O decreto da intervenção federal assinado pelo presidente Michel Temer foi uma ação de Estado, adotada em circunstâncias extremas. Nos anos 80, o presidente americano Ronald Reagan também decretou uma intervenção federal no estado da Flórida para conter uma onda de violência similar à registrada no Rio de Janeiro nos últimos meses.

Apesar de gravidade da situação, da constatação da falência da Segurança Pública no Rio e das forças policiais do estado terem sido contaminadas pelo crime organizado, o gesto do Temer tem sido criticado. O governo prevê a liberação de até R$ 1 bilhão para a área de segurança nos próximos dias.

Segundo o cientista político e pesquisador do laboratório de análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), João Trajano Sento-Sé, a atitude do governo federal é inédita e abre um precedente grave, porque esvazia a autoridade civil do governo do Estado. “Essa será uma intervenção de fato, o Governo do Estado aliena à União toda sua autoridade de segurança pública. Juridicamente, é uma novidade e abre um precedente grave, ruim, inédito, que faz com que esse episódio seja o mais grave de todas as demais ações nos últimos. É uma situação inédita desde nova república, de 1988. É a intervenção em um ente federado num campo sensível trazendo atores não vocacionados no campo da segurança, no caso o Exército, e que ele próprio já reconheceu
isso”, avalia Sento-Sé.

Outros políticos, preocupados com a disputa eleitoral em 2018, tentam atribuir o decreto a uma iniciativa de cunho político e não uma medida prevista na Constituição que pode ser adotada nestes casos. Em entrevista à Itatiaia, o ex-presidente Lula afirmou que intervenção no Rio de Janeiro é coisa de pirotecnia.

Ainda é cedo para avaliar os resultados da intervenção federal no Rio, mas a expectativa da população é de que ocorra ao menos um alívio e que a medida consiga restaurar a ordem pública no Estado. Ninguém está preocupado com o oposicionismo rasteiro de políticos de olho nos votos do povo.

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