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Os desafios do General Braga Netto: onde achar nomes de confiança para substituir comandos das polícias do Rio e o que fazer com a banda podre



Um dos maiores desafios previstos na logística envolvendo a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro parece estar se revelando maior do que todos supunham: a substituição dos comandos das Polícias Civil e Militar por homens 'ficha limpa'. Nesta terça-feira (27) o gabinete do interventor federal do Rio, general Braga Netto, convocou uma coletiva de imprensa, na qual ficou evidente que todos os envolvidos no processo estão enfrentando dificuldades operacionais para colocar em prática ações de inteligência contra o crime organizado no estado. 

Embora as informações prestadas pelos militares do Exército tenha sido interpretada por setores da imprensa como  genéricas e carentes de detalhamento, é fato que este tipo de reserva de informações faz parte de uma estratégia tipicamente militar.

Meticuloso e pouco dado a angariar simpatia de jornalistas, Braga Netto selecionou apenas perguntas pontuais que não comprometiam a segurança das operações em andamento e em fase de planejamento. O general afirmou que a Intervenção Federal é uma oportunidade para a Segurança Pública do Rio recuperar sua credibilidade perante a população, deixando claro que esta percepção é decorrente do conhecido comprometimento de setores das polícias do estado com o crime organizado.

Ao ser indagado sobre medidas operacionais, Braga se limitou a responder que primeiro está instalando o gabinete e integrando a equipe composta basicamente por militares do Exército.No entanto, o interventor adiantou que não há plano de ocupação em nenhuma favela e que o objetivo é manter as operações pontuais.

Braga Netto emitiu mais sinais sobre os desafios de renovação na cadeia de comando das forças policiais do Rio e disse que é fundamental valorizar as polícias, aumentar os recursos de inteligência e 'fortalecer as corregedorias', uma espécie de eufemismo para a desconfiança sobre a isenção de um dos principais órgãos de controle das polícias do estado.

Ficou claro que haverá troca de comando dos batalhões da Polícia Militar e das delegacias de Polícia Civil. Também ficou evidente a dificuldade em extrair das próprias instituições os nomes de pessoas com as fichas limpas para assumirem os comandos de batalhões e delegacias. O início das operações mais criticas depende da troca de comando por homens de confiança, pois neste ponto da intervenção, os atuais comandantes dos batalhões e delegados ainda não sabem quais são os alvos apontados pelos serviços de inteligência envolvidos no planejamento de operações. A tendência é a de que nada será feito diante do risco dos alvos serem avisados antecipadamente por possíveis parceiros 'infiltrados' nas forças policiais. A escolha de nomes extremamente confiáveis para os postos sensíveis será crucial para o êxito das ações.

Só não ficou esclarecido o que será feito com os comandantes envolvidos em ilícitos. Todos serão afastados de seus batalhões, mas não ficou claro se haverá alguma espécie de força-tarefa para investigar e prender as autoridades comprometidas com o crime organizado no estado. O general
Braga Netto recebeu carta branca do presidente Michel Temer para fazer o que for necessário para restaurar a ordem pública no Rio de Janeiro. Mas isto não pode ser feito sem identificar e punir os inimigos de farda que convivem de forma harmoniosa com o crime organizado no estado há mais de 20 anos. 

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