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Oficiais da PM que tentaram impedir integração com as Forças Armadas em outras operações no Rio ficam agora subordinadas ao General Braga



Enquanto a população do Rio de Janeiro comemora a intervenção federal na Segurança decretada pelo presidente Michel Temer, tem muita gente torcendo o nariz, criticando e até mesmo se livrando dos flagrantes neste momento. E não são apenas os bandidos. O Estado está dominado pela corrupção há mais de vinte anos e o crime organizado se infiltrou na administração pública, no meio empresarial e até mesmo nos quartéis da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

Não é por acaso que os reforços na segurança tentados nos últimos anos fracassaram em atingir o coração do crime organizado. Os oficiais da PM não aceitavam compartilhar informações com os militares, se recusavam a cooperar em ações conjuntas ou permitir a participação em planejamentos de operações. em 2015, o coronel Décio Almeida da Silva, ex-gestor do Fundo de Saúde da PM (Fuspom) e um dos 11 oficiais da corporação denunciados na operação Carcinoma, relatou, em seu acordo de delação premiada com o Ministério Público estadual, uma conversa que envolve num esquema de propina os coronéis Ricardo Pacheco, ex-chefe do Estado-Maior da PM e preso na operação, e José Luís Castro, que comandou a Polícia Militar entre agosto de 2013 e novembro de 2014. O diálogo descrito pelo coronel Décio fala no recebimento de propinas, sem revelar valores, do jogo do bicho e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). O MP pediu que o ex-comandante da corporação seja investigado sobre as denúncias.

Há décadas, a informação de que traficantes pagam propina para batalhões da PM para poderem operar tranquilos seus negócios circulam na imprensa local. Também é fato que PM só entra em ação nos morros do Rio quando um traficante tenta tomar o território do outro.

O decreto assinado pelo presidente Michel Temer retira o poder de comando da Segurança Pública do governador Luiz Fernando Pezão e coloca nas mãos de um General do Exército, que assumirá todas as atribuições relacionadas com a segurança. O General Braga Netto comandará as Polícias Civis e Militares, Bombeiros e presídios. Todos ficarão subordinados ao General e aos seus comandados.

"Além da autonomia total para comandar as forças de segurança, o General passa a controlar não apenas o serviço de inteligência de todas as corporações, como também poderá cruzar dados com informações de inteligência coletadas por militares ao longo das últimas operações de segurança na Copa, nas Olimpíadas e nos reforços recentes.

Com carta branca e livre de interferências de qualquer membro do governo Pezão, inclusive de seus secretários de segurança, o General tem autonomia total para identificar policiais corruptos, comandantes de batalhões da Polícia Militar e exigir punições.

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