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O processo eleitoral e as armas dos candidatos para atrair eleitores



Antes de mais nada, este artigo não tem como objetivo atacar políticos, pré-candidatos à Presidência ou partidos. Este grupo forma uma classe que atua de acordo conceitos e regras próprias. Em qualquer lugar do mundo, objetivam o poder e costumam recorrer aos mesmos métodos de convencimento dos eleitores. O artigo a seguir é voltado para o cidadão, muitas vezes alheio ao que ocorre nos bastidores de uma disputa eleitoral.

O jogo é repleto de técnicas, habilidades e trapaças. Os times são formados por políticos, empresários, banqueiros, grupos coesos, etc. Os atacantes são os políticos e o povo, a bola. Durante a disputa, o atacante fará de tudo para se esquivar entre seus adversários. Vale tudo para jogar a bola na rede e partir para o abraço com os membros de seu time. Alguns até vão lá no fundo da rede pegar a bola e dar-lhe um beijinho, mas a festa da vitória mesmo é celebrada pela equipe. A bola? Que bola? O que tem a bola?

Vamos ao jogo, propriamente dito. Durante o processo eleitoral, a maioria dos candidatos empregam técnicas milenares de manipulação das massas. Embora praticamente todos os políticos recorram em maior ou menos medida a determinados artifícios, o que vai definir a qualidade e a honestidade do político é justamente a intensidade com que ele recorre à técnicas de manipulação do eleitor.

A maior parte da população brasileira é composta por pessoas com baixo grau de instrução e não faz a menor ideia sobre como funciona os bastidores do processo eleitoral, desde a projeção de lideranças até as mais apuradas técnicas de marketing. Nos dias atuais, programas de computador vasculham as Redes Sociais para captar o humor dos eleitores. O algorítimo fornece um relatório completo sobre os anseios e aflições da sociedade e separa estas tendências por grupos ideológicos. A partir da análise destes dados, é possível traçar um perfil ideal de um candidato e estabelecer um padrão de discurso que atenda aos anseios da maioria da população. As novas tecnologias tendem a tornar descartáveis os antigos métodos de partidos para projetar lideranças.

Foi justamente através de robusta engenharia de software que o Partido Republicano resolveu apostar todas a suas fichas no empresário Donald Trump nas últimas eleições americanas. O algoritmo é capaz de varrer as redes sociais em busca de preciosas expressões tegulares. Por meio de robôs, programas realizam bilhões de cálculos e fornecem aos caçadores de candidatos não apenas os nomes, mas também os temas que devem ser explorados nas campanhas.

No caso de Donald Trump, o software determinou que havia uma parcela significativa da sociedade insatisfeita com os imigrantes, com os socialistas e com a virada da economia promovida por governos anteriores, que exportaram fábricas nacionais para países como China e México. Trump prometeu erguer um muro separando os Estados Unidos do México, barrar a entrada de imigrantes muçulmanos e reverter a guinada na economia americana, que visa ficar apenas a melhor parte da relação com os produtos manufaturados. No máximo, fará pequenas maquiagens na política migratória, atrairá algumas empresas de volta ao país e dificilmente erguerá o muro separando os Estados Unidos do México. Com a recuperação da economia, o pais vai precisar importar mão de obra barata de imigrantes. Trump tem seus méritos, mas não há como dissociar parte de sem bom desempenho à recuperação da economia global entre 2017 e 2018

Um estudo similar realizado pela filha do banqueiro Paulo Guedes apontou alguns nomes de candidatos com potencial para vencer a disputa pela Presidência em 2018. O programa de computador apontou uma série de dados que indicavam que o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, e o deputado federal Jair Bolsonaro teriam boas chances na disputa eleitoral. Paulo Guedes chegou a negociar com Luciano Huck, mas acabou optando por apostar em Jair Bolsonaro, que já lhe prometeu o cargo de Ministro da Fazenda. Paulo Guedes é um bilionário, fundador do Banco Pactual, que acabou sendo vendido para André Esteves, do BTG. Atualmente, o economista é sócio majoritário do grupo BR Investimentos, faz parte da Bozano Investimento e é colunista da REvista Época, da Globo.

A candidata Marina Silva também se aliou a um grupo econômico poderoso. Um ano antes da campanha de 2014, a Natura foi apontada como a quinta maior empresa do mundo em vendas diretas pela revista americana Direct Selling News. Obviamente, o grupo que se preparava para triplicar a presença no mundo, tinha preocupações em relação à políticas ambientais, pois depende da exploração do meio ambiente. Marina também contou com o apoio integral da família Setúbal, leia-se banco Itaú Unibanco. A herdeira do grupo, Maria Alice Setubal, a Neca, se engajou pessoalmente na campanha de Marina.


Voltando à questão do software que vasculha a tendência do eleitorado, uma ferramenta poderosa como esta é perfeitamente capaz de identificar que uma parcela significativa da sociedade incomodada com a possibilidade de ter seus celulares caros levados por marginais. Este tipo de inconveniente gera um ódio represado contra a marginalidade e o desejo de que tenham um fim trágico. Poucos se importam com as reais causas da escalada da criminalidade no país. A maioria das pessoas quer apenas se ver livre dos bandidos para poder transitar com seus carros com os vidros abertos, falando em seus telefones caros, com suas roupas de marca, seus relógios de segunda linha, mas vistosos, seus cordões banhados a ouro, etc. A preferência de milhões de eleitores pela intervenção militar é uma outra tendência capturada por pesquisas recentes. Vários candidatos vão tentar explorar estes anseios de parte da sociedade. As campanhas eleitorais, discursos e entrevistas serão orientadas de modo a incutir na cabeça de cada eleitor a seguinte mensagem subliminar: "Este candidato me representa".

Além dos dados obtidos sobre o humor dos eleitores, de modo geral, todos os candidatos tendem a explorar técnicas mais vulgares para angariar a simpatia dos eleitores nas próximas eleições. O estímulo ao ódio é um instrumento poderoso nas campanhas de políticos para formar grupos coesos. O ex-presidente Lula e o PT souberam explorar muito bem estas peculiaridades do ser humano promovendo uma das mais vergonhosas campanhas de divisão de classes, mesmo cientes de que não há como uma classe existir sem a outra. Não há como garantir emprego ao trabalhador sem a existência do gerador de empregos. Mas como os que estão em uma ponta formam um grupo maior, bastou mirar nas frustrações dos representantes destes grupos para se cacifar e chegar ao poder, através da velha fórmula do nós contra eles. Ao vencer a eleição, o jogador premiou seus parceiros na disputa, os banqueiros, empreiteiros e donos de grandes fortunas, deixando a 'bola' num canto escuro do vestiário.

Após a tragédia provocada pelos governos do PT na economia brasileira, nenhum candidato vai precisar de um programa de computador para deduzir que a população está ressentida com Lula e seus subordinados da esquerda. Praticamente todos os candidatos vão bater na esquerda nas próximas eleições. Mesmo aqueles que foram coniventes e votaram com o PT ao longo da última década e meia, como os parlamentares da Rede de Marina Silva, Ciro Gomes, etc. Obviamente, os mesmos grupos que financiaram e se locupletaram da corrupção de Lula e Dilma também vão financiar as campanhas de Ciro e Marina, tradicionais linhas auxiliares do PT. Nestas eleições de 2018, o povo deveria tomar cuidados redobrados. Os bancos e donos de grandes fortunas estão em pânico com a queda dos juros e da inflação, sua maior fonte de renda. A inflação e os juros altos são os maiores inimigos das pessoas que ganham até dez salários mínimos. É uma forma perversa de transferência de renda dos ricos para os mais pobres. Embora a maioria das pessoas acredite que não se beneficia diretamente pela atual queda nos juros, o fato é que o produtor rural, a indústria, a construção civil se beneficiam diretamente e ampliam investimentos. Isto significa mais emprego, mais competitividade e produtos mais baratos na mesa do consumidor. Nada disso interessa aos banqueiros e aos grupos organizados por trás das candidaturas de praticamente todos os pretendentes ao cargo de presidente da República.

Voltar grupos uns contra os outros é um método comum para aglutinar simpatizantes não apenas na política. A mesma técnica é amplamente utilizada por dirigentes de clubes esportivos, empresários do mercado cultural, moda, etc. O negócio consiste em formar tribos para extrair-lhes o dinheiro. Ou votos. O cidadão sequer se dá conta de que está fortalecendo quem já é forte. Não há espaço para a reflexão nestes casos. A imposição de padrões de comportamento é tão eficiente, que as pessoas sequer se perguntam por que estão seguindo aquilo. Em política e sociologia, dividir para conquistar (ou dividir para reinar), consiste em ganhar o controle de um lugar através da fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que os indivíduo se dê conta de que está abrindo mão de seus interesses individuais e coletivos em favor de um grupo ou outro. Dividir para conquistar ( “Divide et impera” ou “Divide et Vinces”) é um clássico nas estratégias de guerra para enfraquecer e subjugar os povos. O termo, embora já era conhecida na Antiguidade, foi cunhado por Júlio César em seu livro” De Bello Gallico” (Guerra das Gálias)

Infelizmente, o Brasil ainda é um paraíso para políticos oportunistas e grupos econômicos ávidos pelo dinheiro do contribuinte. No momento em que o eleitor virar amigo do eleitor e formar um time de representantes do povo, a tendência é a de que ocorra um depuramento da classe política. No momento em que o eleitor vestir a camisa da sociedade e se conscientizar de que povo é povo e político é político, seja de esquerda ou de direita, o jogo pode ficar mais equilibrado para o lado da sociedade. 

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