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MST teme prisão de Lula em fevereiro e organiza vigília para impedir que o ex-presidente seja preso



O líder Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile se mostrou apreensivo com a possibilidade do ex-presidente Lula ser preso entre por volta do dia 20 de fevereiro; Durante entrevista esta semana, Stedile manifestou sua disposição de impedir que o petista seja detido e prometeu organizar vigílias em torno do ex-presidente durante o período crítico, após a condenação confirmada pelo TRF-4.

Acompanhe abaixo um trecho da entrevista concedida por Stédile ao site Rede Brasil Atual:                                                                                 

RBA -Após o julgamento do ex-presidente Lula no TRF4 muitos têm pregado a adoção da desobediência civil como forma de enfrentar o cenário atual. Você acredita nessa via? Se sim, como isso se daria?

Stédile- O termo desobediência civil, que foi inclusive utilizado como prática política na Índia, pelo Gandhi, uma famosa campanha que fizeram em defesa do sal para o povo, porque a lei proibia que os indianos tivessem acesso ao sal, então fizeram uma desobediência àquela lei dos colonizadores ingleses. Na filosofia da ideia, é correta, o principal é a justiça. Se a lei não atende à justiça, o povo tem direito a desobedecer a lei. Esse é o princípio e isso vale para tudo, não só em relação ao caso do Lula e à situação política que estamos vivendo hoje.

Agora, aproveitando o ensejo de sua pergunta, ontem fizemos uma plenária nacional da Frente Brasil Popular, muito representativa, estavam lá todos os estados brasileiros e 88 movimentos populares e correntes partidárias. E lá tiramos um calendário de mobilização para o próximo período. O principal é ajudarmos o povo a se organizar e mobilizar. Mais do que ficar discutindo, temos que ajudar o povo a se mobilizar porque a força do povo está na sua capacidade de mobilização, é aí que ele faz política e se expressa. Os ricos controlam o Judiciário, a Globo, o Congresso, o Executivo, e o povo tem que controlar a rua. É o único espaço democrático que ele tem de expressar sua força e sua força política se expressa pelo número de pessoas que consegue mobilizar em torno de uma causa.

No nosso calendário, anuncio publicamente, primeiro decidimos fazer uma grande jornada nacional de lutas do dia 19 a 23 de fevereiro. Quais são as bandeiras para essa jornada de luta? Primeiro, a luta contra a reforma da Previdência e pelos nossos direitos. Segundo, a luta por eleições livres e democráticas e pelo direito de o companheiro Lula ser candidato. E terceiro, contribuir com ideias e propostas para o que seria um programa de mudanças do Brasil.

Dia 19 eles vão tentar colocar em votação a reforma da Previdência e nós, em todo o Brasil, e em Brasília, vamos nos mobilizar. As centrais sindicais já deliberaram sobre um Dia Nacional de Lutas e ontem nós decidimos, os movimentos populares, as igrejas, todo mundo que tiver alguma influência sobre o povo, vamos transformar o dia 19 em uma grande mobilização nacional.

Não só nesse dia. Vamos fazer vigília em São Bernardo do Campo para impedir maiores perseguições ao companheiro Lula. Isso coincidiu também com o fato de o Tribunal Regional Federal ter marcado uma sessão para o dia 21 de fevereiro onde julgará os recursos que os seus advogados impetraram. Pode ser que no dia 21 o Tribunal reconheça os erros que cometeu ou determine até a prisão do companheiro Lula, de maneira que será uma semana intensa. Por isso propomos uma espécie de vigília democrática em São Bernardo para que as pessoas vão para lá e nos mantenhamos mobilizados em defesa do presidente Lula ser candidato à presidência contra essa injustiça que o Poder Judiciário, de uma forma afrontosa está querendo fazer contra ele, inclusive podendo decretar sua prisão", alertou o líder do MST.

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