Lula nem foi preso ainda, e petistas já iniciam disputa pelo comando do PT




A narrativa que o ex-presidente Lula tenta impor ao partido começa a ser desconstruída aos poucos, na medida em que cresce a convicção de que o petista será preso nas próximas semanas. O ex-prefeito de São Bernardo e pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Luiz Marinho não é o único a desmentir as notas públicas do partido negando a existência de um plano B, caso Lula seja impedido de concorrer nas eleições de 2018 por força das circunstâncias, seja a inlegibilidade ou a prisão.

Marinho é considerado um dos membros do partido mais próximos de Lula na atualidade. O atual presidente do PT de São Paulo admitiu ao Diário do Grande ABC que o PT poderá discutir candidatura alternativa à do ex-presidente caso o petista não consiga viabilizar juridicamente seu projeto. Condenado em segunda instância no dia 24 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula hoje estaria impedido de disputar o pleito de outubro pela Lei da Ficha Limpa.

Mas a má vontade com a insistência de Lula em usar o partido como escudo para não ser preso tem se manifestado também através da apatia com que lideranças do partido abordam o assunto, ou mesmo evitam se manifestar. Praticamente no mesmo dia em que Marinho admitiu, ainda que a contragosto, a possibilidade de substituir a 'chapa' Lula, que nem vice tem ainda, por outro nome, a pré-candidata do PCdoB, Manuela D'ávila afirmou que a esquerda pode precisar 'trocar o pneu' no meio da corrida ao Palácio do Planalto.

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, disse na semana passada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o PT já deveria estar pensando em alternativas a Lula, apesar de ter defendido o direito do ex-presidente de concorrer.

O próprio Lula tem se queixado com interlocutores sobre o fato de todo mundo agora ficar dando pitaco no que vai acontecer com o partido como se ele estivesse morto. Ao que tudo indica, é exatamente nisso que muitos petistas acreditam. Enquanto Lula insiste em sua cruzada para evitar o inevitável, lideranças do PT se articulam ao largo dos desígnios improváveis do ex-grande líder.

Uma matéria publicada no site da BBC Brasil levanta a dúvida sobre o que está ocorrendo de fato nos bastidores do partido: "Por que o PT insiste que 'não há plano B', mesmo com Lula cada vez mais longe das urnas?"

Num cenário sem Lula, porém, há outros fatores que podem se transformar em problemas internos para o PT, além da definição de candidaturas. A começar pela própria formação da sigla: o PT é a soma de várias correntes internas, como Democracia Socialista (DS), Articulação de Esquerda (AE), O Trabalho (OT) e Construindo um Novo Brasil (CNB), que possui hoje maioria no partido. É senso comum entre petistas dizer que Lula é a argamassa que segura o conjunto.

Segundo Antônio José Barbosa, especialista em história política brasileira. há uma divisão se avizinhando. "De certa forma, Lula se tornou um aglutinador (dos vários grupos)", diz Barbosa, que é professor do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). Barbosa acredita que a coesão entre esses grupos corre risco caso Lula seja definitivamente afastado da vida pública.
-

Postar um comentário

[facebook]

MKRdezign

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget