linkaki

General que vai tentar restaurar paz no Rio é o mesmo que controlou caos na Segurança Pública estimulado por aliados de Bolsonaro no ES



O General Walter Souza Braga Netto não foi escolhido pelo presidente Michel Temer para comandar a intervenção federal no Rio de Janeiro por acaso. O militar´altamente condecorado pelo Exército Brasileiros é responsável por feitos que lhe renderam nada menos que 23 condecorações nacionais e 4 internacionais, acumuladas em quatro décadas de atividade militar. O General será o primeiro interventor militar em um ente federativo, algo inédito desde a promulgação da Constituição de 1988.

Braga Netto é um General experimentado no comando de operações urbanas. Esteve à frente na organização de duas ações militares de segurança nacional, entre 2016 e 2017, Olimpíada e na grave crise de segurança que se instalou no Espírito Santo após a paralisação da Polícia Militar no estado.

Como a Constituição proíbe que  militares, sejam das Forças Armadas, Polícias Militares ou Corpos de Bombeiros façam greves, as famílias dos Policiais Militares foram mobilizadas pelos coordenadores do movimento para burlar a legislação. Em fevereiro de 2017, os parentes de policiais militares do Espírito Santo acamparam em frente aos batalhões, impedindo a saída dos agentes de segurança, em protesto por melhores condições de trabalho. Na ocasião, o Estado mergulhou no caos de uma profunda crise na segurança pública, com aumento nos índices locais da criminalidade, homicídios e saques.

Coube ao presidente Michel Temer designar o General Braga Netto para comandar a Operação Capixaba e restaurar a ordem pública no Espírito Santo. A presença de tropas do Exército no Estado debelou o caos na Segurança Pública e retirou o trunfo que o movimento usava para chantagear o governo local por aumentos salariais acima da inflação. Sem ter mais o que negociar, a Polícia Militar abandonou o movimento e os policias aos poucos foram voltando ao trabalho. Levantamentos feitos na época revelaram que aliados de Bolsonaro participaram ativamente da organização do movimento que levou o estado ao caos. A população se tornou refém do medo durante  23 dias. Cerca de 500 lojas foram saqueadas. Segundo a Federação Capixaba do Comercio (Fecomércio), os prejuízos de lojistas e pequenos comerciantes ultrapassou a casa dos R$ 10 milhões. Pelo menos 199 pessoas morreram, conforme levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES). Parte dos assassinatos ocorreram durante saques a lojas e residências em Vitória, Vila Velha e no município da Serra.

O secretário de Segurança Pública, André Garcia, chegou a denunciar a existência de um grupo radical no movimento de PMs, responsável por ameaças e atentados. “Se houver participação de militares, de milicianos – que é isso que está se formando neste Estado, milícias radicais -, serão combatidos”, prometeu o Secretário, que deu suporte ao General Braga Netto durante a Operação Capixaba.

Na época, o jornal O Estado de São Paulo apontou que um grupo político ligado ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) esteve na linha de frente da comunicação e da logística do motim que parou a Polícia Militar do Espírito Santo. Entre os nomes que constam desta rede de apoio, segundo o Estado de São Paulo, estão o ex-deputado federal Capitão Assumção e o deputado federal Carlos Manato (SD-ES), aliados de Bolsonaro no Estado.

A Polícia Federal investigou a origem do movimento que levou a região na Grande Vitória e cidades do interior ao caos. Um relatório parcial da PF, de 17 de fevereiro, ao qual a reportagem teve acesso, cita os nomes de Assumção, de Manato e de assessores. O documento alertava para uma intensa troca de mensagens entre pessoas ligadas ao grupo, influente na PM capixaba, corporação que agrega 10 mil homens. Como pode ser visto no vídeo abaixo, o próprio Bolsonaro chegou a gravar uma mensagem em defesa dos PMs e sugerindo que as autoridades locais atendessem às reivindicações salariais da categoria:




Muitos não concordam quando o deputado federal Jair Bolsonaro é comparado ao ex-presidente Lula. Obviamente, os simpatizantes do ex-militar ficam indignados por imaginar que a comparação tenha alguma relação com a honestidade de um ou de outro. Não tem nada a ver com isso. Mesmo se quisesse, Bolsonaro jamais conseguiria ser um sujeito tão corrupto quanto Lula. Talvez nenhum ser humano no mundo.

A comparação que muitos fazem diz respeito ao passado de cada um. Antes de entrar para a política, Bolsonaro era uma espécie de sindicalista no Exército e promovia campanhas públicas para conseguir aumentos salariais e conquista de benefícios para sua categoria. Lula era um sindicalista que fazia o mesmo pelos operários.

Assim como Lula, Bolsonaro era dado a ações ousadas e foi justamente numa dessas que acabou sendo desligado do Exército. Seguiu então para a vida pública e continuou defendendo os interesses dos militares, tanto os das Forças Armadas quanto das Polícias Militares, Civis e Bombeiros. Assim como Lula se projetou para a política a partir da militância em defesa de uma categoria, os operários, Bolsonaro também conseguiu se projetar militando pelos militares e forças policiais. Não é por acaso que o deputado é recepcionado como herói por militares em todo o país. Nas cidades que percorre, os quartéis ficam abandonados por ocasião de suas visitas. Mais da metade dos projetos apresentados por Bolsonaro na Câmara dos Deputados eram de interesse da categoria.

Embora tais fatos permitam comparar a trajetória política de Lula e Bolsonaro, seus simpatizantes ainda se recusam a admitir que dois políticos tão diferentes possam ter origens e condutas parecidas. Os mais exaltados não precisam tentar tapar o sol com a peneira. Em política, a maioria dos jogadores usam as mesmas armas para atrair eleitores. No caso de Lula e Bolsonaro, há mais semelhanças que muitos possam admitir. São dois políticos populistas, agressivos e elogiados por seus admiradores por não terem 'papas na língua'. A forma com que atacam seus adversários também é muito parecida, embora os dois se posicionem em campos ideológicos opostos. Embora Bolsonaro tenha adotado uma pauta mais ampla com vistas a concorrer nas próximas eleições, é fato que ao longo de sua carreira, sempre defendeu interesses corporativos que podem ser compreendidos por alguns como gestos em detrimento dos interesses da população e do contribuinte.

A sociedade está prestes a escolher o futuro presidente da República do Brasil. É dever de cada eleitor a analisar o perfil de seus candidatos. É responsabilidade do cidadão evitar erros do passado. A Democracia é bela, mas no caso do Brasil, ainda é vulnerável e o país pode cair nas mãos de aventureiros. Escolher um presidente não é o mesmo que escolher um time de futebol ou um ídolo qualquer. De todo modo, o povo tem os políticos que merece. Que seja o que Deus quiser.

As informações são do Jornal O Estado de São Paulo (AQUI). A reportagem é de Adriana Fernandes, André Borges e Leonencio Nossa, do Estado de S.Paulo. O vídeo acima foi gravado pelo próprio deputado Jair Bolsonaro.

Na ocasião, a reportagem do Estadão procurou Bolsonaro para comentar as questões relacionadas à crise no Espírito Santo e enviou perguntas ao deputado. O parlamentar, que informou que estava no Rio, não respondeu aos questionamentos e disse que só se manifestaria sobre o assunto ao vivo e desde que a conversa fosse gravada em vídeo.

Informe seu Email para receber notícias :