linkaki

Geddel complica Dilma. PF encontra referências a repasses de R$ 5,8 bi a empresas investigadas



A Polícia Federal descobriu uma série de documentos na casa da mãe de Geddel Vieira Lima que mostram repasses de R$ 5,8 bilhões a empresas investigadas na Lava Jato. Os crimes foram praticados durante o período em que Geddel atuava no governo da Ex-presidente Dilma Rousseff.

A investigação da PF ocorre no âmbito da Operação Tesouro Perdido, que busca estabelecer o elo entre os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento bunker em Salvador e supostos esquemas de corrupção na Caixa Econômica Federal. Os investigadores apreenderam atas da instituição na casa da mãe do ex-ministro que comprovam que os desvios ocorreram entre 2010 e março de 2016. Neste período, Geddel  ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria do  Governo Lula e o posto de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica durante o governo Dilma. Geddel era homem de confiança de Lula desde 2007, quando passou a ocupar o cargo de ministro da Integração Nacional. Durante os poucos meses em que permaneceu a frente do Ministro-chefe da Secretaria do Governo Temer, Geddel não tinha acesso à operações na Caixa. Mesmo que tivesse, a direção com a qual negociava durante o governo Dilma já havia sido totalmente substituída e as operações de crédito para Joesley Batista já haviam sido suspensas.

Joesley Batista, que confirmou ter repassado cerca de R$ 360 milhões para Lula e Dilma, deu uma casa de luxo ao doleiro Lúcio Funaro como pagamento de propina por obter benefícios no Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS).

Os R$ 51 milhões encontrados no Bunker de Geddel em Salvador teve origem nestes negócios. De acordo com as investigações, Funaro reconheceu entre os R$ 51 milhões, maços de dinheiro de um banco ligado à J&F. “Lúcio Funaro informou que os valores envoltos em ligas, com um pedaço de papel onde havia impresso o valor constante do maço de dinheiro, era exatamente como retirava o dinheiro dos seus doleiros e repassava para Geddel”, afirmou a PF no relatório.

O documento apreendido pela PF na casa da mãe d Geddel mostra que a Caixa liberou R$ 5,8 bilhões em créditos a empresas investigadas. Do total, R$ 4,4 bilhões foram destinados a empresas da JBS, do empresário Joesley Batista. A mãe do ex-ministro, Marluce Quadros Vieira Lima, também é uma das denunciadas na investigação. Como pode ser visto no documento no final da matéria, as operações irregulares de crédito ocorreram entre o último ano do governo Lula e o penúltimo mês do governo Dilma, em 2016.

Um outro fato que desconecta o governo Temer das irregularidades, e dos R$ 51 milhões encontrados no apartamento mantido por Geddel em Salvador, é a própria gravação que Joesley fez com o presidente. Nos áudios, fica clara a falta de abertura do empresário para tratar de assuntos suspeitos. Ao contrário de suas conversas com Lula e Dilma nas quais o empresário afirma ter falado abertamente sobre propinas, contas no exterior e somas de até R$ 360 milhões que havia mantido no exterior para as campanhas dos petistas, Joesley demonstrou não ter intimidade com temer para mencionar nenhuma irregularidade. Mesmo tendo sido instruído pelo então braço direito de Rodrigo Janot, Marcelo Miller, Joesley não conseguiu envolver Temer em nenhum fato concreto.

Outra armadilha que caiu por terra foi a promessa que Joesley fez ao ex-assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures, de lhe dar R$ 500 mil para conseguir o encontro. Em troca do dinheiro, Joesley impôs condições bastante claras. Rocha Loures deveria informar a Temer que estaria presente no encontro e ainda informar a placa do carro que usaria para entrar no Palácio do Jaburu. Posteriormente, Rocha Loures deveria lhe entregar o carro para que ele fosse sozinho ao encontro do presidente, munido de um gravador. Logo nos primeiros segundos da gravação, Temer questiona Joesley sobre a ausência de Rocha Loures.

A trama foi desvendada na gravação da conversa entre Joesley e Rocha Loures. "Quando chegar, teu nome é Rodrigo", instruiu o ex-assessor de Temer, numa conversa gravada com o empresário Joesley Batista; a orientação foi dada para que o dono da JBS burlasse o esquema de segurança do Palácio do Jaburu. Esta era a condição para que Rocha Loures tivesse direito ao prêmio de R$ 500 mil pelo encontro.  "Quando você chegar e o cara pergunta, teu nome é ‘Rodrigo’. O menino… como aqueles militares ali da portaria não são controlados por nós, a gente nunca sabe quem vai estar naquela posição. O Comando fica trocando esses caras. Quando você chega, a placa do (inaudível). Diz: ‘O ‘Rodrigo’ vai chegar aí com o carro tal’. O menino que está na porta sabe nada.”, combinou Rocha Loures com Joesley.

Posteriormente, a Janot, Joesley e Ricardo Saud tramaram uma operação controlada para filmar Rocha Loures recebendo a mala para 'porvar' que o dinheiro era para Temer. O problema é que a Polícia Federal descobriu que a equipe de Janot retirou os rastreadores da mala, pois todos sabiam que ela jamais chegaria ao presidente Temer.

Quem também ficou numa situação ruim neste episódio foi o procurador da República Deltan Dallagnol, que saiu em defesa de seu ex-chefe Janot se pronunciou publicamente, afirmando que a mala pertenceria ao presidente, que não se manifestou "sobre as imagens incontestáveis".




Informe seu Email para receber notícias :