Ex-aliados desistem do Lula e buscam salvar o pouco que restou da esquerda



Faltando poucas semanas para a provável prisão do ex-presidente Lula, ex-aliados já começam a se antecipar quanto aos efeitos negativos que este fato histórico pode representar para toda a esquerda brasileira. A questão agora já não envolve mais fidelidade ou gratidão por tudo que Lula fez por praticamente todas as lideranças políticas que lhe acompanharam ao longo dos últimos 30 anos de vida pública. Trata-se de sobrevivência, alegam políticos e personalidades públicas que se projetaram graças às bençãos do grande líder.

"Sem o Lula, a maioria dos políticos de esquerda nem existiria", admite um dirigente do PSOL, que defende a posição de Luciana Genro quanto a necessidade da esquerda virar a página com Lula e descartar a projeção de lideranças muito ligadas ao petista, como o líder do MTST, Guilherme Boulos. Luciana Genro acredita que o PT perdeu a capacidade de liderar a esquerda brasileira, principalmente após a condenação de Lula em segunda instância".

Enquanto se movimenta nos bastidores para conseguir um habeas corpus preventivo no STF que lhe garanta que não será preso, Lula não está alheio à debandada de ex-subordinados mesmo antes da decisão que pode selar seu destino. O petista tem se queixado bastante com seus interlocutores nos últimos dias sobre a falta de gratidão de 'certos políticos e artistas' que não seriam nada, não fosse ele.

Enquanto a maioria dos ex-aliados reconhecem nos bastidores que a figura de Lula tornou-se tóxica por ter sido profundamente identificado como responsável pela institucionalização da corrupção no país, cada vez menos lideranças políticas se mostram dispostas a defender o petista publicamente.

"Apesar de ambiciosa e arriscada, a fórmula de Lula e do PT para manter a esquerda no poder durante décadas parecia infalível. O problema é que todos nós acreditamos que nada poderia dar errado", diz um dirigente do PCdoB, que prevê que chegou o momento de tentar recompor a esquerda no país ou morrer junto com Lula e o PT nas próximas eleições.

Estava tudo indo tão bem que a "reserva moral" dos membros do PT e dos partidos aliados acabou se afrouxando além da conta. Quando o tabu sobre o desvio de recursos públicos para enriquecimento pessoal foi se dissipando, aquele já era um sinal claro de que todos caminhávamos para um precipício. Todos, com maior o menor intensidade, passaram a ver com naturalidade ficar com aquele 'restinho' do dinheiro de campanha de caixa 2. A partir dai foi preciso recorrer  à formas clássicas para dissimular estes recursos, como o uso de laranjas, doleiros e operadores". Estava tudo indo tão bem...

"A situação piorou muito após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas vai piorar ainda mais após a prisão de Lula. Ninguém sabe o que vai acontecer", diz o dirigente do PCdoB.

Lula tem chorado, dizem seus amigos. Lula tem dormido pouco. Alguns se arriscam a atribuir a angústia do petista ao receio de ter que cruzar uma fronteira inevitável para muitos: os muros de um presídio. Por isso, aumentam as dúvidas sobre viabilidade de insistir na narrativa de que Lula é vítima de perseguição política. Ninguém pode garantir que se manter atrelado à imagem de um presidiário possa trazer algum benefício, exceto para alguém que não tenha nenhuma chance de se eleger. Por outro lado, há cada vez mais gente na esquerda defendendo que será preciso virar a página e deixar o lulopetismo morrer aos poucos, até cair no esquecimento. 
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