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Entenda os motivos que levam alguns acumularem relógios compulsivamente. Não são malucos e de bobos, só tem o andado e o corte de cabelo



Entre os delatores que apontaram para a participação do ex-ministro Jaques Wagner, um deles confirmou que o petista tinha verdadeira obsessão por relógios caros. Em 2016, quando prestou depoimento ao Grupo de Trabalho da Lava Jato, o delator e lobista da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou aos procuradores da República que presentou o ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA), apelidado de “Polo’, com dois relógios avaliados em R$ 80 mil.

O ex-ministro da Defesa de Lula não negou a informação e disse que nunca usou o presente. “Guardei e nunca usei, porque eu uso outro tipo de relógio”, admtiou Wagner. Durante a Operação Cartão Vermelho, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) como parte da apuração que tentar comprovar o recebimento de propina por parte do petista, os agentes recolheram 15 relógios de luxo no apartamento do ex-governador  em Salvador. 

Mas Jaques Wagner não é o único que tem compulsão por relógios caros, ainda que tenham sido 'presentes'. Artistas, empresários e políticos passam horas diante da TV e Computador comprando relógios raros e caros. A tímida coleção de Jaques Wagner não faz frente ao estoque de muitos 'colecionadores'. Alguns possuem armários inteiros com várias camadas repletas de relógios de tiragens limitadíssimas, com peças que podem custar bem mais que R$ 1 milhão e fazem bem menos volume. Alguns modelos alcançam valorização superior aos melhores investimentos do mercado. Neste caso, o que pode parecer uma extravagância ou até mesmo um vício, como muitos colecionadores tentam fazer parecer, o acúmulo destes 'ativos' é um ótimo negócio para aqueles que querem fazer reservas financeiras de um modo nada convencional. 

Mas ao contrário do que muitos imaginam, estes colecionadores compulsivos não tem nada de bobos, exceto o andado ou o corte de cabelo. Ninguém tem amor por relógios. Os investimentos em relógios funcionam como uma espécie de poupança para tempos difíceis. Alguns apresentadores de TV fazem isso por uma questão de segurança. Caso fiquem muito tempo sem um contrato com uma emissora, podem ir 'perdendo' aos poucos seus relógios e assim, evitam uma queda brusca em seus padrões de vida. Empresários e outros investidores fazem o mesmo por insegurança jurídica, receio de falência ou mesmo como uma reserva estratégica para investimentos futuros. Os relógios raros, de tiragem limitadas, são altamente disputados entre colecionadores. Na dureza ou diante de um imprevisto, basta um ou dois telefonemas e logo aparece alguém com uma mala de dinheiro para resolver o problema. Certamente, em alguns casos, há também um esquema de sonegação de impostos. 

Este mercado é tão gigantesco que existem até quadrilhas internacionais atuando no Brasil em várias frentes do negócio, com braços que atuam no fornecimento de "peças exclusivas" e na aquisição de peças roubadas no mercado interno. 

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