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Deu ruim também para Wesley Batista. PGR pede ao STF para rescindir benefícios do acordo de delação do açougueiro



Solto esta semana por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o empresário Wesley Batista seguiu feliz para sua mansão em São Paulo, onde deveria aguardar os trâmites para a colocação da tornozeleira eletrônica. Sem restrições para circular livremente, o empresário passou a dedicar seu tempo para fazer alguns acertos que ficaram pendentes, desde a sua prisão em setembro de 2017. Seu irmão, Joesley Batista ficou preso.

Mas a alegria do empresário durou menos de uma semana. Nesta segunda-feira, 17, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu rescindir os benefícios de seu acordo de delação premidíssima e do ex-assessor jurídico da JBS, Francisco de Assis. A medida foi tomada após a procuradoria concluir que os dois omitiram informações nas delações. Isto significa que Wesley Batista, assim como seu irmão Joesley Batista e o ex-diretor do grupo, Ricardo Saud, poderão responder por seus crimes em processos no futuro. No pedido, Raquel Dodge afirmou que as provas que estão no acordo vão continuar válidas, mesmo diante da anulação acordo.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirma que Wesley e Francisco deixaram de falar sobre a participação do ex-procurador Marcelo Miller, acusado de prestar serviços ao grupo enquanto atuava na procuradoria.

"As mensagens trocadas no grupo deixaram claro que Marcelo Miller prestou relevante assessoria ao grupo J&F para auxiliá-lo na concretização dos acordos de leniência e de colaboração premiada”, diz nota da PGR.

O pedido de rescisão foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator dos processos oriundos das delações de integrantes do grupo J&F.  Fachin está sentado sobre os pedidos de 'desomologação' dos acordos dos açougueiros de Goiás há alguns meses.

 Além dos flagrantes sobre a participação de Wesley nas tratativas com Marcelo Miller, a PGR também levou em conta para rescindir o acordo o fato de Wesley ter sido denunciado na Justiça de São Paulo pelo crime de insider trading [informação privilegiada], sob a suspeita de usar informações obtidas por meio de seus acordos de delação premiada, para vender e comprar ações da JBS no mercado financeiro.

“Reiterando entendimento exarado na PET 7003, a decisão do MPF de rescindir o acordo de colaboração significa que o colaborador voltará a estar sujeito, de modo irrestrito, à ação penal, sem direito ao prêmio inserido no acordo. Por conseguinte, na condição de acusado em denúncia, será ouvido e processado na forma da lei vigente para todos”, diz a procuradoria.

O pequeno frigorífico Friboi prosperou e se converteu no gigante JBS durante os anos de corrupção dos governos do PT de Lula e Dilma. 

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