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Como antecipamos aqui, o combate à corrupção policial será prioridade da intervenção no Rio



O general Walter Braga Netto, indicado pelo presidente Michel Temer e a cúpula das Forças Armadas como responsável pela intervenção federal no Rio de Janeiro, destacou um dos aspectos cruciais da medida e confirmou que o Imprensa Viva vem noticiando nos últimos dois dias: o controle total sobre a Segurança Pública no estado tem como meta combater a corrupção policial no Rio:

“Não podemos fazer intervenção só do lado de fora, nas ruas; precisamos intervir também dentro das polícias”. Ao confirmar publicamente uma das principais metas da intervenção, o General Braga sinaliza que os serviços de inteligência das Forças Armadas terão papel fundamental na intervenção.

Braga Netto confirmou que este foi um dos pontos acertados com  o presidente Michel Temer, que bateu o martelo ao retirar todas as atribuições relacionadas à Segurança Pública das mãos do Governador Luiz Fernando Pezão. O General deixou claro que o combate à corrupção se tornou uma prioridade, algo tão importante quanto a presença ostensiva do Exército em áreas conflagradas.

— Vamos reestruturar as polícias do Rio. Temos que fazer isso agora, ou tudo voltará. Não adianta só colocarmos os militares nas ruas — afirmou um integrante do governo federa durante reunião com outras autoridades federais no Palácio Guanabara sobre a missão que as Forças Armadas terão no Rio.

O presidente Michel Temer transferiu para Braga Netto autoridade plena sobre a segurança do estado. O General,  responsável pelo Comando Militar do Leste, passa a ter poder de interferir em todos os escalões das polícias, do Corpo de Bombeiros e da administração penitenciária sem se reportar a ninguém, exceto ao Comandante Supremo das Forças Armadas, no caso, o Presidente da República Michel Temer, responsável direto pela intervenção.  O general tem ainda autoridade para trocar comandantes de batalhões e delegados.

A chamada banda podre das polícias sempre foi considerada um obstáculo no combate ao crime organizado no Rio. "Levantamento obtido pelo GLOBO mostra que, de janeiro a outubro do ano passado, nenhum caso de corrupção ativa de PM chegou à comarca da capital fluminense da Auditoria da Justiça Militar. Em 2015, foram registrados três; em 2016, um. Ainda no ano passado, a Auditoria da Justiça Militar registrou apenas três casos de extorsão, contra quatro no ano anterior e sete em 2015.

De acordo com a Corregedoria Geral Unificada, órgão vinculado à Secretaria de Segurança, nos últimos dez anos, 373 policiais civis e militares foram exonerados, número considerado pequeno por quem acompanha casos de abusos de autoridade ou desvios de conduta. O sociólogo Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, enfatiza a importância de um “olhar externo” para a conduta dos agentes do estado. Ele defende a criação de uma força-tarefa com esse propósito, mas não acredita que a intervenção federal consiga promover uma “limpeza”:


— É sempre um ponto central de qualquer política de segurança a necessidade de tirar os policiais que cometem abusos. Isso realmente precisa ser uma prioridade. Mas é uma ideia ingênua achar que só o Exército poderá tirar os maus policiais das ruas. Precisamos, sim, de uma olhar externo, mas também de uma colaboração ativa das próprias polícias. Uma força-tarefa formada por várias entidades poderia ser a solução. Vale lembrar que vários núcleos do crime organizado do Rio foram desarticulados pela Polícia Federal. Ou seja, o ideal é que haja troca de informações entre diferentes forças".

Não é por acaso que há forte resistência da cúpula da PM do Rio sobre a intervenção.

Com informações de O GLOBO

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